Na média de preços do Brasil, a gasolina (R$ 2,627 por litro) segue mais competitiva que o etanol (R$ 1,8389 por litro), que iniciou a primeira semana de março em alta nos preços praticados em postos de 21 Estados e caiu em outros três, de acordo com dados coletados entre 1º e 4 de março de 2011 pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). Segundo a agência, pela média da semana, o preço do etanol ficou em R$ 1,957, ante R$ 1,914 registrada na semana anterior. Está mais barato abastecer com etanol somente em Alagoas, Bahia e Pará. Já no Amapá, em Roraima e no Distrito Federal, os preços permaneceram estáveis. A maior alta foi registrada em Rondônia, de 7,02%, seguido por Espírito Santo, com 3,3%. A maior queda foi verificada na Bahia, de 0,99%.
Nos postos de Manaus, o preço para o consumidor ficou em média entre R$ 2,04 e R$ 2,29, com o produto acompanhando constantes aumentos que, segundo revendedores, são orquestrados pelo governo federal. Ralph Assayag, proprietário de posto de revenda de combustíveis, explicou que, com o aumento de preço do etanol, a comercialização do combustível derivado de cana de açúcar representa somente 15% das vendas com relação à gasolina nos revendedores. “Temos recebido constantes reajustes de preços com relação ao valor do etanol e somos obrigados a continuar comercializando este combustível”, desabafou Assayag. Segundo ele, mesmo com preço baixo, o etanol representa somente 30% das vendas relacionadas à gasolina.
Para o revendedor, a venda de etanol está na pior fase e o combustível deveria deixar de ser comercializado em todo o país por várias razões. “O etanol é um tipo de combustível que requer muito cuidado pela facilidade de contaminação, a margem de lucro ao revendedor fica apertada, em torno de 7%, além das vendas terem diminuído”, explicou. Segundo ele, a baixa no consumo se deve ao acréscimo de álcool na gasolina, não sendo vantajoso para a maioria dos consumidores, com carros flex, abastecer exclusivamente com etanol. “O consumidor acreditou no governo, que falou que seria vantagem abastecer com etanol e estão vendo que não é bem isso”.
Segundo Ralph Assayag, os revendedores de todo país estão de mãos atadas com relação à venda obrigatória do combustível e variações de preços determinadas pelo governo federal para que o etanol continue no mercado. “É o governo que decide colocar um volume maior de etanol no mercado, dependendo da produção de cana de açúcar e essa produção acaba nos postos, obrigando variações constantes e baixa margem de lucro para ‘escoar’ esse etanol”, explicou.
Vantagens energéticas
Segundo dados da ANP, o etanol pode ser produzido a partir de diversas fontes vegetais, mas a cana de açúcar é a que oferece mais vantagens energéticas e econômicas. O Brasil só produz etanol de cana. Os automóveis que circulam no país usam dois tipos de etanol combustível: o hidratado, consumido em motores desenvolvidos para este fim, e o anidro, que é misturado à gasolina, sem prejuízo para os motores, em proporções variáveis. Desde julho de 2007, a partir da publicação da Portaria nº 143 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, toda gasolina vendida no Brasil contém 25% de etanol combustível anidro.







