Alta do diesel provoca aumento de 5% no transporte de cargas

Em: 6 de maio de 2008
Direção da Setcam disse que o combustível representa 33% da planilha de custos do segmento do transporte. Em alguns casos, esse percentual chega a 40%.
Direção da Setcam disse que o combustível representa 33% da planilha de custos do segmento do transporte. Em alguns casos, esse percentual chega a 40%.

O reajuste de 8,8% no preço do diesel pelos postos de gasolina vai provocar aumento de 5% no valor do frete praticado pelas empresas de transportes e cargas locais em curto prazo. Segundo a direção do Setcam (Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas do Estado do Amazonas), esse aumento é inevitável porque a demanda de cargas no Estado é grande e enfrenta enormes distâncias.
O presidente do Setcam, Augusto Neto, informou na tarde de ontem, que o combustível representa 33% da planilha de custos do segmento do transporte. Em alguns casos, como o do setor primário, essa representatividade chega a 40%.
De acordo com dados do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-estrutura), 90% do transporte de cargas feito no país é por rodovias e a diesel. Para a entidade, a pressão não deverá ser sentida de imediato, mas ao longo dos próximos quatro ou cinco meses.
O aumento no preço do combustível também deverá ter reflexo no valor do pescado no Amazonas.
O produto deve sofrer um reajuste de 9%, por conta do aumento, segundo a Fepesca AM/RR (Federação dos Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima).
O reajuste dos combustíveis anunciado na última quarta-feira pela Petrobras vai pressionar a inflação em função do aumento do pescado. “Com o aumento no preço do combustível, haverá reflexo nos custos e o consumidor final sentirá a diferença ainda este mês, porque toda a nossa produção de peixe depende de embarcações que utilizam o diesel”, informou a Fepesca através de seu assessor Antonio Rodrigues.

Gasolina tem preço mantido

A Petrobras anunciou um reajuste de 10% no preço da gasolina e 15% no preço do diesel na semana passada às distribuidoras. Para amortecer o impacto juntos aos consumidores, porém, o governo federal reduziu a alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico). Na bomba, o preço da gasolina não passou por alterações, somente o diesel sofreu reajuste. Segundo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva o consumidor deve denunciar a elevação abusiva do preço dos combustíveis na bomba, porque o governo já reduziu o Cide para os preços não sofrerem aumentos abusivos.

Greve
prevista
A presidente do Sindicato dos Armadores da Navegação do Amazonas, Alessandra Pontes, informou que o setor passa por uma das maiores crises com os constantes aumentos do combustível. Segundo a representante, o diesel representa 70% dos gastos no setor. “Infelizmente não dispomos de subsídios para a continuação das atividades e isso ocasionará em uma possível paralisação”, informou a dirigente sindical, ressaltando que o setor possui 38 grandes embarcações associadas, que estarão se reunindo hoje para decidir se entram em, greve ou não.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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