O reajuste de 8,8% no preço do diesel pelos postos de gasolina vai provocar aumento de 5% no valor do frete praticado pelas empresas de transportes e cargas locais em curto prazo. Segundo a direção do Setcam (Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas do Estado do Amazonas), esse aumento é inevitável porque a demanda de cargas no Estado é grande e enfrenta enormes distâncias.
O presidente do Setcam, Augusto Neto, informou na tarde de ontem, que o combustível representa 33% da planilha de custos do segmento do transporte. Em alguns casos, como o do setor primário, essa representatividade chega a 40%.
De acordo com dados do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-estrutura), 90% do transporte de cargas feito no país é por rodovias e a diesel. Para a entidade, a pressão não deverá ser sentida de imediato, mas ao longo dos próximos quatro ou cinco meses.
O aumento no preço do combustível também deverá ter reflexo no valor do pescado no Amazonas.
O produto deve sofrer um reajuste de 9%, por conta do aumento, segundo a Fepesca AM/RR (Federação dos Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima).
O reajuste dos combustíveis anunciado na última quarta-feira pela Petrobras vai pressionar a inflação em função do aumento do pescado. “Com o aumento no preço do combustível, haverá reflexo nos custos e o consumidor final sentirá a diferença ainda este mês, porque toda a nossa produção de peixe depende de embarcações que utilizam o diesel”, informou a Fepesca através de seu assessor Antonio Rodrigues.
Gasolina tem preço mantido
A Petrobras anunciou um reajuste de 10% no preço da gasolina e 15% no preço do diesel na semana passada às distribuidoras. Para amortecer o impacto juntos aos consumidores, porém, o governo federal reduziu a alíquota da Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico). Na bomba, o preço da gasolina não passou por alterações, somente o diesel sofreu reajuste. Segundo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva o consumidor deve denunciar a elevação abusiva do preço dos combustíveis na bomba, porque o governo já reduziu o Cide para os preços não sofrerem aumentos abusivos.
Greve
prevista
A presidente do Sindicato dos Armadores da Navegação do Amazonas, Alessandra Pontes, informou que o setor passa por uma das maiores crises com os constantes aumentos do combustível. Segundo a representante, o diesel representa 70% dos gastos no setor. “Infelizmente não dispomos de subsídios para a continuação das atividades e isso ocasionará em uma possível paralisação”, informou a dirigente sindical, ressaltando que o setor possui 38 grandes embarcações associadas, que estarão se reunindo hoje para decidir se entram em, greve ou não.







