Alta nos juros pode causar retração de até 20%

Em: 29 de julho de 2008
Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o Copon poderia sermais comedido na alta dos juros, a partir da análise regional de mercados onde a logística representa um dos principais gargalos
Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o Copon poderia sermais comedido na alta dos juros, a partir da análise regional de mercados onde a logística representa um dos principais gargalos

Diante da possibilidade de um desaquecimento dos negócios a partir de uma já comprovada queda nas vendas por crédito, o varejo amazonense teme que a alta de 0,75% na taxa básica de juros gere retração de até 20% sobre o crescimento médio do faturamento nas vendas do segundo semestre.
O vice-presidente da CNC (Confederação Nacional do Comércio), José Roberto Tadros, considerou que o atual ciclo monetário imposto pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) representará uma desaceleração nos 5% de crescimento da economia em relação aos dois últimos anos. Embora tenha reconhecido que o Banco Central seja limitado pela política fiscal do governo, o executivo avaliou que o Copom poderia ter sido mais comedido na elevação dos juros a partir da análise regional de mercados onde a logística representa um dos principais gargalos.
No entendimento de Tadros, o governo deveria ter aproveitado melhor os reflexos da expansão da economia mundial para fazer uma política de contenção dos gastos públicos. “Ocorreu o contrário. O governo colocou mais lenha na fogueira da inflação, elevando os gastos na mesma medida em que cresceu a arrecadação. Agora o país colhe a tempestade, uma vez que grande parte da demanda que descontrola os preços vem do próprio governo. E outra parte é exógena, derivada da valorização internacional das commodities”, analisou.
A análise do representante da CNC parece ser uma resposta direta às palavras do titular do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Miguel Jorge que, em entrevista ao programa de rádio ‘Bom Dia Ministro’, produzida pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República e transmitida via satélite, afirmou não acreditar que o aumento da taxa Selic possa causar prejuízo à área de indústria e comércio.
No programa, Miguel Jorge afirmou que “grande parte dos bens de consumo não tem sido vendida com a taxa Selic. Na área automobilística, os bancos das montadoras têm juros muito inferiores aos da Selic. A mesma coisa acontece, por exemplo, com o varejo. As lojas de varejo fazem vendas a crédito sem se preocupar com a taxa Selic. Como o presidente sempre disse, a pessoa compra dentro de uma prestação que é capaz de pagar, aquela famosa projeção que cabe no seu bolso. Se a pessoa vai comprar um liquidificador em uma loja de varejo, ela não tem a menor preocupação e muitas vezes não tem nem idéia do que é a taxa Selic. O que ela conhece é a taxa que é capaz de pagar”, explicou.

Dólar deve ajudar a diminuir valor das importações

Na avaliação da analista financeira, Maria de Jesus Grana Cruz, nos atuais patamares, o dólar tende a auxiliar o Banco Central no combate à inflação, pois vai diminuir o valor da importação de mercadorias para suprir o consumo e ampliar a concorrência no mercado interno, além de reduzir o valor das matérias-primas e insumos usados pelo comércio. “É importante ressaltar que aos poucos o dólar vai recuperar o fôlego, devendo fechar o ano entre R$ 1,70 e R$ 1,75, um ajuste natural ao aumento do déficit nas contas externas”, afirmou.
Influenciado pelo aumento de 0,75 ponto percentual na semana passada, que atraiu mais recursos estrangeiros para o país, o dólar registrou ontem o quarto dia consecutivo de baixa. A moeda americana foi negociada a R$ 1,67 para venda, com queda de 0,36%. “Com o aumento do diferencial de juros em relação ao exterior, não há como esperar uma alta do dólar. Os comerciantes locais têm de aproveitar o bom momento da moeda para concentrar ainda mais as importações”, acrescentou Maria de Jesus Grana Cruz, segundo a qual nem mesmo as compras do Banco Central devem segurar o valor da moeda americana nas próximas duas semanas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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