Cesar Garbin
A região Norte é ainda muito carente de complexos comerciais de grande envergadura, detendo apenas 2,3% do market share, segundo dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers). É por isso que é uma das regiões mais promissoras para novos investimentos nesse campo. O Amazonas, por exemplo, já começa a despertar o interesse de grupos especializados em shoppings centers, como o português Sonae Sierra, que em 2009 inaugura o Manauara Shopping, na zona centro-sul. Confira entrevista exclusiva com o diretor de operações do grupo, César Garbin, que trata sobre a indústria de shoppings que deve fechar o ano com o faturamento de R$ 44 bilhões.
Jornal do Commercio – Como o senhor avalia o mercado de shoppings no país?
César Garbin – Há uma tendência de investimentos um pouco mais acelerada no último ano e meio. Existe dinheiro circulando no mundo e o Brasil realmente é um mercado muito promissor para essa área específica de shoppings centers. O total de vendas no país é muito baixo quando você compara com o mercado americano e com o mercado europeu. Então a gente acredita que nos próximos anos os investimentos nesse setor serão muito altos ainda.
JC – O percentual por que respondem os shoppings nas vendas do varejo é de 18% no país. Há um levantamento sobre a participação em Manaus?
Garbin – Não tenho. Essa participação de 18% no mercado brasileiro, quando você compara com mercados externos, você fala em algo perto de 80% nos EUA e aproximadamente isso, em torno de 70% na Europa. É por isso que existe ainda uma defasagem grande e nos próximos anos, os investimentos nesses centros comerciais devem ser muito fortes.
JC – Qual sua visão sobre o potencial de Manaus para futuros investimentos em outros shoppings centers em médio prazo?
Garbin – Eu acho que é uma consequência. Hoje o mercado de Manaus tem uma carência de shoppings centers. O nosso empreendimento vai suprir parte dessa carência, mas não totalmente. Quer dizer, é um mercado que eu vejo ainda com possibilidade de outros grupos, enfim, de outros empreendimentos aparecerem aí num curto espaço de tempo.
JC – O que o senhor considera como o motivo para o grupo vislumbrar um projeto de R$ 175 milhões, como o Manauara Shopping, aqui no Amazonas?
Garbin – Oportunidade. O grupo visitou Manaus, como fazemos em outras cidades. Agora aqui houve uma empatia, por isso te falei que a gente tem muito orgulho de estar lançando esse projeto, enfim, nós viemos, nós visitamos, nós gostamos da cidade e as pesquisas são promissoras. Achamos um terreno que, no nosso modo de ver, é um terreno privilegiadíssimo. Então, foi uma conjunção de fatores que propiciou um investimento em um shopping desse tamanho, pois ele é bem acima da média dos shoppings que vêm sendo construídos.
JC – Pelo volume de investimentos que o grupo já direcionou para este segmento no país, ao todo já são dez empreendimentos, com esse. Quais as regiões o senhor apontaria como potenciais para novos empreendimentos?
Garbin – É difícil citar uma região. Acho que há oportunidades em várias cidades, em vários Estados do país todo. É uma questão de conciliar. Terreno hoje não é uma coisa mais tão simples como era no passado e nem os próprios licenciamentos. Os terrenos têm alguns problemas às vezes de ambiente e tudo mais. A nossa empresa tem um foco muito forte no meio ambiente, e alguns terrenos acabam sendo inviabilizados pelo seu passado. Mas, enfim, não tem sequer uma região. É difícil falar pra você, pois nossos investimentos futuros privilegiarão a região Norte. Vai muito da oportunidade.
JC – A responsabilidade social e ambiental, segundo o senhor, é uma tônica do Sonae Sierra. O grupo pretende investir em projetos com esse cunho no Amazonas?
Garbin – Tudo o que fazemos dentro dos nossos empreendimentos, ou do nosso empreendimento aqui com certeza terá esse foco e essa preocupaçã







