Os cofres públicos do Estado nunca estiveram tão cheios. Em agosto, o Amazonas gerou R$ 529,06 milhões em receitas tributárias, alta de 2,80% frente a julho e de 27,45% em comparação ao mesmo período de 2008 (R$ 415,12 milhões), ano em que o Estado obteve as maiores arrecadações.
Além disso, de acordo com os dados disponibilizados no site da Sefaz/AM (Secretaria de Estado da Fazenda), a marca já ultrapassou timidamente o mês de pico da arrecadação tributária desde 2004, alcançado em novembro de 2008 (R$ 528,497 milhões). O mês anterior cresceu 0,10% sobre o período.
Só o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) foi responsável pela arrecadação de R$ 494,72 milhões, mais de 93% do total. O valor é o maior do ano de 2010, superando em 3,77% o apresentado em julho e em 28,25% o do mesmo período em 2008.
De acordo com o secretário titular da Sefaz/AM, Isper Abrahim, o valor mostra o quanto a economia amazonense está estável. “Os números sinalizam o quão bom estão os índices econômicos do Estado, ainda mais pela pungência do PIM (Polo industrial de Manaus) e do comércio”, enfatizou.
O economista e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Francisco de Assis Mourão, considera que a marca não é nenhuma surpresa, já que o número de vendas no PIM também tem aumentado nos últimos meses. “O semestre aqueceu com o atendimento dos pedidos para o Natal. Então, os lojistas estão otimistas com as vendas de fim de ano, o que repercute favoravelmente na indústria, já que o fornecimento tem de ser entregue antecipadamente”, explicou.
Como nos meses anteriores, a receita gerada pela atividade industrial puxou o crescimento do ICMS, com recolhimento de R$ 262,20 milhões. Entretanto, apesar de sobressair 8,50% em relação a julho (R$ 243,49 milhões), ficou abaixo do valor recolhido em abril (R$ 298,68 milhões) e maio (R$ 275,90 milhões).
Depois de contribuir com R$ 17,012 milhões em julho, o IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) sofreu recuo de 3,36% em agosto. Foram recolhidos aos cofres do Estado somente R$ 16,439 milhões.
“Olho na conjuntura”
Com os números se destacando mensalmente, a previsão para os próximos meses, segundo Abrahim, é de crescer mais. “Estamos com uma expectativa positiva de crescimento frente aos preparativos para o Natal. Acreditamos que o valor arrecadado em 2010 irá ultrapassar o de 2008”, adiantou.
Entretanto, o secretário fala que o órgão está atento ao comportamento da economia mundial e à possibilidade de uma nova crise, que também pode ter reflexo no Estado. “Estamos de olho na conjuntura da economia mundial, que vem dando marcas de recessão”, analisou.
Nos meses anteriores, alguns analistas do FMI (Fundo Monetário Internacional) alertaram que uma piora da crise da dívida na Europa poderia trazer novamente o fantasma da recessão.
Crises à parte, o secretário reafirma que, quanto maior o crescimento, maior o benefício. “Se a economia está pungente, logo as pessoas estão comprando, assim como outras estão vendendo. Ao produzir mais, o número de empregos também vai aumentar, melhorando a economia e a renda do Estado”, amenizou.
Já Assis Mourão pondera que, apesar do crescimento, provavelmente, nos próximos meses, a receita não seguirá a mesma tendência. “Com o adiantamento dos pedidos, talvez em novembro a indústria tenha atendido toda a demanda e as vendas da Zona Franca de Manaus recuem. Isso, consequentemente, causaria uma queda na arrecadação”, finalizou.






