Conhecido, entre outros atributos, por suas grandes distâncias e dificuldades logísticas, o Amazonas também é uma das unidades federativas onde, paradoxalmente, os trabalhos de apuração do Censo Demográfico 2022 estão mais adiantados. Em quatro meses de trabalho, o IBGE recenseou 995.645 domicílios registrados no Estado. De 1º de agosto a 5 de dezembro, os recenseadores haviam contabilizado mais de 3.690.367 de amazonenses, que representam 86,4% da população que o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística estima haver no Estado.
Em contraste, o órgão de pesquisa avançou um pouco menos na média nacional. Até o começo desta semana, foram recenseados 168.018.345 brasileiros, em 59.192.875 domicílios no país, o que corresponde a 78,73% da população total estimada. A unidade federativa mais adiantada nos trabalhos é o Piauí (96,2%), seguida por Sergipe (91,2%) e Rio Grande do Norte (89,8%). Na outra ponta estão Mato Grosso (65,9%), Amapá (66,9%) e Espírito Santo (70,67%). O Amazonas aparece na oitava posição do ranking. Os dados do quarto balanço do Censo 2022 foram divulgados em coletiva de imprensa, realizada nesta terça (6).
O Amazonas também mostrou vantagem em termos de encontrar menor resistência proporcional aos trabalhos dos recenseadores. Apenas 1,83% dos domicílios (18.220) locais registraram ocorrências de habitantes que se recusaram a receber ou responder ao Censo. No Brasil, essa taxa chega perto do dobro (2,59%). Em seu texto de divulgação, o IBGE-AM salienta que espera reduzir esse percentual até o final da operação, “após aplicados todos os protocolos de insistência”. Outro problema frequente é a ausência de moradores em 4,38% dos domicílios (46.666), “mesmo com as visitas sendo realizadas em diferentes horários e dias da semana”.
Diante das resistências e eventuais desconfianças, o órgão de pesquisa destaca, contudo, que os recenseadores estarão sempre uniformizados, com o colete do IBGE, boné do Censo, crachá de identificação e o DMC. “Além disso, é possível confirmar a identidade do agente do IBGE no site https://respondendo.ibge.gov.br/, ou pelo telefone 0800 721 8181. Ambos constam no crachá do entrevistador, que também traz um QR code que leva à área de identificação no site. Para realizar a confirmação, o cidadão deve fornecer o nome, matrícula ou CPF do recenseador”, informou o IBGE-AM, em seu texto de divulgação.
Indígenas e quilombolas
A seção do IBGE no Amazonas informa ainda que já trabalhou 98,82% “dos setores censitários urbanos e rurais planejados”. Por enquanto, as mulheres respondem por 50,1% (1.849.773) da população recenseada no Estado e os homens por 49,9% (1.840.594). Na média nacional, a diferença percentual entre a população feminina (51,6%) e masculina (48,4%) é ligeiramente maior. Em Manaus, já foram recenseadas 83,3% (1.886.436) dos habitantes estimados, sendo que 975.598 são mulheres e 914.668, homens.
Ao menos 474.914 amazonenses são indígenas autodeclarados, o que representa 31,89% de toda a população indígena recenseada no país (1.489.003), e 12,9% dos habitantes do Estado, conforme o balanço parcial. “Vale lembrar que no Censo 2010, foram contabilizados 183.514 indígenas no Amazonas, ou seja, neste Censo, ainda em andamento, já foram contabilizadas mais do que o dobro de pessoas que se autodeclaram indígenas, em comparação com o Censo anterior”, salientou o texto do IBGE-AM. A unidade federativa com o segundo maior contingente de indígenas recenseados até o momento é a Bahia (12,89%), com 191.950 pessoas que se declaram dessa etnia.
As posições são bem diferentes, em relação à quantidade de quilombolas. O Amazonas contabilizou, até o momento 2.413 pessoas que se consideram pertencentes a esse grupo, respondendo por 0,20% do total recenseado no Brasil. O Estado ocupa a 23ª colocação nesse ranking, que é liderado justamente pela Bahia (29,38%), e seguido por Maranhão (22,20%) e Minas Gerais (10,35%). De Norte a Sul do território nacional, já foram recenseadas 1.208.702 pessoas autodeclaradas quilombolas.
Os números parciais do IBGE confirmam que o maior contingente de brasileiros está na região Sudeste (39,54%), seguida pelo Nordeste (29,43%), Sul (14,76%), Norte (8,79%) e Centro-Oeste (7,44%). Até esta segunda (5), 12.337.295 brasileiros, ou cerca de 7% da população recenseada até o momento, viviam em “aglomerados subnormais”. O IBGE define tais habitações como “ocupações irregulares de terrenos para fins de habitação em áreas urbanas e que, em geral, são caracterizados por um padrão urbanístico irregular, carência de serviços públicos básicos e localização em áreas restritas à ocupação”. Não foram divulgados dados estaduais nesse quesito.
Falta de pessoal
Vale notar que os trabalhos do Censo estão atrasados em todo o país, uma vez que o cronograma previa sua conclusão em outubro. O órgão de pesquisa informa que está enfrentando dificuldades relativas à falta de pessoal para atuar como recenseador em determinados locais. De 28 de novembro a 4 de dezembro, apenas 33,1% do total de vagas disponíveis para recenseadores (60.611) havia sido ocupada, sendo que as unidades federativas mais retardatárias dispõem de números ainda menores. No Amazonas, 1.197 recenseadores seguem contratados, sendo que 880 trabalharam na semana no período assinalado.
Diante dessa dificuldade, algumas unidades federativas estão adotando um plano B. Em matéria postada no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente técnico do Censo, Luciano Duarte, destaca a ação implementada no Rio de Janeiro, onde o órgão de pesquisa está contando com apoio da Secretaria Municipal de Saúde, que estão sendo capacitados como agentes comunitários de saúde para atuarem como recenseadores. “A parceria está sendo fundamental nesta reta final da coleta na capital carioca”, declarou.
Segundo o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, apesar das dificuldades locais serem potencialmente maiores, isso não foi necessário no Amazonas. “Conseguimos adiantar o trabalho, pois adotamos uma estratégia diferenciada para o interior, que está praticamente fechado. Nosso maior problema é a capital, onde os índices de recusas e ausências de moradores são maiores. Além disso, tivemos muitas desistências entre os recenseadores, seja pelo valor e tempo de pagamento, seja pelo desgaste físico e psicológico do trabalho. Mas, vamos resgatar esses domicílios e fechar os setores com mais alta concentração de condomínios. Nossa estimativa é concluir o levantamento no final deste mês”, finalizou.
Por Marco Dassori
Twitter: @marco.dassori Face: @jcommercio







