No dia 8 de dezembro é comemorado o dia de N. Sra. da Conceição, ou N. Sra. da Concepção, a mãe de Cristo. É a santa padroeira do Amazonas e de Manaus. Certamente quem fez essa escolha foram os padres carmelitas, que construíram a primeira igreja, e paróquia, de Manaus, em 1695, em honra de N. Sra. da Conceição, de quem são seguidores. Esses religiosos pertencem à Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
O templo construído pelos carmelitas, há muito não é mais o mesmo, mas nesses mais de 300 anos o culto à N. Sra. da Conceição se manteve. Em 1781 a igreja foi demolida e reconstruída somente em 1788. É este segundo templo que virou cinzas no famoso incêndio de 2 de julho de 1850. Segundo o jornal ‘A Voz Paraense’, salvaram-se apenas algumas imagens e o vaso com o Sagrado Santíssimo Sacramento. Não se sabe se a imagem de N. Sra. da Conceição levada nas procissões em sua honra, teria sido uma daquelas imagens salvas.
“O que se sabe dessa imagem é que ela é do século 18, feita, de acordo com alguns dizeres escritos em sua base, em Castela, uma região da Espanha”, falou Leonilda Arantes, turismóloga da catedral.
“Não sabemos muito sobre essa imagem, mas em séculos passados, os endinheirados de Manaus costumavam presenteá-la com brincos, colares, e tiaras de ouro com pedras preciosas, quem sabe querendo comprar o seu lugar no Reino dos Céus”, completou.
Missa às 7h
O templo atual só começou a ser construído em 23 de julho de 1858, quando foi assentada a pedra fundamental, porém, as obras se arrastaram pelos anos seguintes. Em 29 de junho de 1875, os sinos receberam a bênção litúrgica e, nesse mesmo ano, chegaram de Lisboa, a capela-mor, três altares e o batistério esculpido em pedra de lioz. Foram necessários mais dois anos para que, em 15 de agosto de 1877, a igreja fosse finalmente inaugurada. O curioso é que as pessoas se habituaram a chamá-la de matriz até os dias atuais, mas desde 27 de abril de 1892 o templo religioso foi elevado à categoria de catedral. A praça em seu entorno se manteve como praça da Matriz.
O que também a maioria das pessoas não sabe é que a catedral é um ponto turístico da cidade, tendo, inclusive, uma visita guiada por Leonilda.
“A visita começa pelo museu e depois segue por toda a igreja, a nave, o altar mor, as capelas, as obras de arte. Sobre cada um eu vou contando suas respectivas histórias. As visitas guiadas acontecem às quartas e quintas-feiras, das 9h30 ao meio-dia. Escolas e universidades podem agendar data”, avisou.
As comemorações para este 8 de outubro começaram desde o dia 25 de novembro, com um trezário que encerrou no dia de ontem. Ainda no dia 25 teve início a peregrinação da imagem pela Zona Leste, e que encerra hoje, na catedral. O novenário iniciou no dia 29 e encerrou ontem. No dia 3 de dezembro foi realizado o I Círio da Imaculada ‘Cunhantã-Curumim’, reunindo crianças e adolescentes na praça do Congresso e à noite a soprano Nay Silva cantou para Nossa Senhora.
“As comemorações, hoje, começam logo cedo com a missa das 7h, depois 9h, 10h30 e 12h. Às 15h acontece o Ofício de Nossa Senhora e às 16h30 terá início a procissão pelas ruas do centro histórico. No retorno, será rezada a Missa Campal, na av. Eduardo Ribeiro”, antecipou o pároco padre Joaquim Hudson Ribeiro.


Religião e turismo
Quem desejar unir religiosidade e turismo, a dica é uma visita ao Museu do Seringal Vila Paraíso. Das 9h ao meio-dia o Museu recebe o Coral do Amazonas, com repertório natalino especial da programação do ‘Mundo Encantado do Natal’ e a Missa de N. Sra. da Conceição.
“As apresentações remetem à simbologia do Natal para os turistas, fortalecendo o costume de visitação que, além de levar a arte, ensina, por meio do espaço cultural, a história do período da borracha no século 19, época de ascensão econômica do Amazonas. Além disso, teremos nesse dia a Missa de N. Sra. da Conceição, numa demonstração de fé e história do povo amazonense”, disse Agnaldo Souza, gerente do Museu.
A entrada no Museu é gratuita, mas para chegar ao local, situado no igarapé São João, afluente do igarapé do Tarumã-Mirim, os visitantes necessitam do transporte fluvial. O trajeto ao Seringal é feito pelas lanchas da Acamdaf (Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi). As passagens custam R$ 21, a ida; e R$ 21, a volta. As embarcações saem a cada hora, da Marina do Davi.
O Museu do Seringal apresenta espaços que reproduzem o funcionamento do ciclo da borracha, mostra o modo de vida do seringueiro e do seringalista, além de proporcionar uma imersão histórica aos tempos áureos da economia da borracha.
Por Evaldo Ferreira: @evaldo.am







