O Amazonas deu um passo importante ao assinar acordo de cooperação com o governo da Venezuela, interessada em comprar o pescado e outros produtos oriundos da agricultura amazonense como o pirarucu, castanha do Brasil, guaraná e outros. Em contrapartida, a Venezuela se compromete a fornecer insumos agrícolas (calcário e uréia) para a região, barateando os custos da produção primária no Amazonas.
O intercâmbio comercial foi oficializado na última quinta-feira, 6, em cerimônia na sede da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), Centro de Manaus.
Um dos representantes do governo venezuelano, Dario Alvarado, disse que o acordo tem por objetivo garantir reserva alimentar para os próximos 20 anos na Venezuela e estreitar as relações com o Brasil. “Nossa intenção é estreitar as relações comerciais com o Brasil e começamos pelo Amazonas que é nosso vizinho mais próximo e pelo potencial agrícola que ele tem”, disse, esclarecendo que a Asodepa, instituição com fins semelhantes da ADS, é quem vai tratar da compra dos produtos brasileiros.
A cerimônia contou também com representantes do setor de Negócios Internacionais da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Ministério da Agricultura, Banco do Brasil (Setor de Desenvolvimento Regional Sustentável) e das Agroindústrias do Pescado no Amazonas.
Embarque para Haiti
Outro volume de pescado embarcou na quinta-feira, em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para a República do Haiti. Exército Brasileiro e o Governo do Amazonas embarcaram no mesmo dia para a República do Haiti 2.500 quilos de pirarucu de Mamirauá e filé de Aruanã e 400 quilos de farinha. O volume faz parte um total de mais de 5.000 quilos de produtos regionais, equivalente a R$ 350 mil beneficiando diretamente o produtor amazonense.
O pescado do Amazonas comprado pelo Exército Brasileiro, através da 12ª Região integrada ao CMA (Comando Militar da Amazônia), vai alimentar as forças militares brasileiras – em torno de 1.200 homens – que, além de comandarem a tropa multinacional da ONU (Organização das Nações Unidas) na missão de paz no Haiti, buscam levar soluções mais humanas àquela população.
Na segunda remessa, que deve ocorrer ainda nesta quinzena, os produtores rurais vão doar outros 2.500 quilos de alimentos (sendo 1.500 quilos de picadinho de peixes e o restante de miúdo bovino).
“É um gesto muito bonito dos agricultores do Amazonas ao povo daquele país que ainda sofre as conseqüências da instabilidade provocada pelos conflitos civis”, disse o engenheiro Valdelino Cavalcante, presidente da ADS.







