Amazonas perde competitividade entre Estados

Em: 15 de setembro de 2022

Andréia Leite

@andreiasleite_  @jcommercio

O Estado do Amazonas, perdeu cinco posições na edição do “Ranking de Competitividade dos Estados” 2022 divulgado nesta terça-feira (13),  pelo  CLP (Centro de Liderança Pública) em parceria com a Tendências Consultoria e a Seall, startup de gestão estratégica de impacto socioambiental e econômico. Embora como décimo sexto colocado, segue como o mais bem colocado da região Norte. 

De 2017 até 2021, o Amazonas havia saído da 22ª para a 11ª colocação geral do Ranking dos Estados. Este ano, contudo, o Estado caiu cinco posições após queda em cinco dos dez pilares do levantamento: Eficiência da Máquina Pública (-7), Solidez Fiscal (-5), Segurança Pública (-4), Sustentabilidade Ambiental (-3) e Inovação (-3). 

O maior crescimento do Estado foi registrado no pilar de Sustentabilidade Social, com o avanço de seis posições. Entre os indicadores, o Amazonas ficou com a liderança em bolsa de mestrado e doutorado e taxa de crescimento, além de figurar na segunda colocação em emissões de CO2, mortes a esclarecer, mortalidade no trânsito e morbidade no trânsito.

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O Ranking de Competitividade dos Estados de 2022 conta novamente com novas camadas adaptadas aos parâmetros ESG e ODS. Desta forma, se mede o tamanho do desafio dos Estados sob contexto internacional e pode ser uma ferramenta para a busca de boas práticas que possam ser aplicadas ao Brasil.

 “Somente um ecossistema de gestão pública baseado em dados e evidências pode de fato gerar a transformação que esperamos. O ranking é uma ferramenta que auxilia o gestor público a definir prioridades, presta contas à sociedade e ajuda a atrair e focalizar investimentos públicos e privados”, afirma Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP.

No ano passado, o Amazonas se sobressaiu em relação aos demais Estados, sendo o segundo que mais subiu posições, saindo da 14ª para a 11ª colocação. Contribuindo para o bom desempenho a melhoria de sete posições no pilar de Sustentabilidade Ambiental (12ª colocação), de três em Eficiência da Máquina Pública (5ª colocação) e de três no Potencial de Mercado.

Este ano, o Amazonas perdeu sete posições em Eficiência da Máquina Pública (12ª colocação), cinco em Solidez Fiscal (12ª colocação) e três em Sustentabilidade Ambiental (15ª colocação). E sem avanços no Pilar Infraestrutura, o Amazonas permanece na pior posição neste quesito, na 27ª colocação.

Ano passado, o diretor da WCS-Brasil (Associação para Conservação da Vida Silvestre), Carlos Durigan, ressaltou o empenho do Estado no radar de sustentabilidade ambiental, onde a melhoria vem da conservação que o Amazonas ainda detém. “Boa parte de seu território é bem conservado e isso se deve a um trabalho coletivo que envolve sociedade civil e poder público. Há uma base positiva constituída com a existência de unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas, assim como um esforço de se buscar a constituição de boas práticas de manejo do território e seus recursos naturais através da gestão participativa”. 

Em entrevista ao Jornal do Commercio, ele lembrou que muito ainda há que se fazer para melhorar. “Para continuar evoluindo em sustentabilidade ambiental, o Amazonas tem que fortalecer suas políticas públicas voltadas à constituição de uma agenda forte atrelada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, instituída no âmbito da ONU. Também precisa gerar segurança e governança territorial, pois, apesar de possuir boa parte de seu território conservado, já vemos crescer nos últimos anos o desmatamento e a degradação, que por sua vez contribuem para que componentes relacionados a questões sociais e sanitárias sejam cada vez pior avaliados”, comentou. 

Outros resultados

Realizado pelo CLP pelo segundo ano consecutivo, o Ranking de Sustentabilidade dos Estados é uma adaptação do Ranking de Competitividade dos Estados a partir dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável e suas 169 metas (ONU, 2015), bem como critérios ESG (environmental, social and governance) chancelados pela União Europeia (EU, 2020) para valorização das boas práticas ambientais, sociais e econômicas dos Estados.

Na camada ESG, os 86 indicadores de competitividade foram reclassificados segundo os três pilares da Sustentabilidade: Ambiental, Social e Governança. Por se tratar de uma análise multidimensional, a soma do número de indicadores pertencentes a cada eixo é maior que 86, já que cada indicador pode contemplar mais de uma perspectiva ESG.

Os Estados do Norte apresentam grandes desafios em relação à avaliação ESG, o Amapá ocupa a penúltima posição com a média de 7,6. Os demais Estados estão em: 16º Amazonas (31,8), 20º Rondônia (22,1), 21º Roraima (21,0), 22º Tocantins (15,8), 23º Acre (13,2) e 24º Pará (10,7). 

Na camada ODS, há um forte apelo para que ações sejam desenvolvidas por todos os países –pobres, ricos e de renda média, inclusive pelas organizações privadas. Para Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP, “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são globais, mas a realização de cada um deles depende da nossa capacidade de torná-los realidade no país, na região, no Estado ou até mesmo no município em que vivemos”. 

Na média da pontuação em ODS, os Estados do Norte aparecem em: 12º Amazonas (51,6), 17º Roraima (47,7), 18º Rondônia (47,4), 19º Amapá (44,7), 22º Pará (37,7), 23º Tocantins (23), e por último, na 27ª posição, o Acre (26,5). 

Por dentro

Os dois rankings de sustentabilidade –ODS e ESG –são independentes entre si. Cada um deles traz uma abordagem e, por consequência, uma contribuição diferente para os governos e organizações.

Sobre o levantamento

O Ranking de Competitividades dos Estados é realizado há onze anos pelo CLP (Centro de Liderança Pública). Na edição 2022, as 27 unidades federativas foram avaliadas a partir de 86 indicadores, distribuídos em dez pilares temáticos considerados fundamentais para a promoção da competitividade e melhoria da gestão pública dos Estados brasileiros: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação. O Ranking de Competitividade dos Estados conta com a parceria técnica de Tendências e Seall, além do apoio de B3, Bank of América, CCR, Lemman, Houer e Patri. 

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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