Amazonas registra maior constituição de empresas e queda na taxa de mortalidade dos negócios 

Em: 28 de setembro de 2023

O Amazonas registrou saldo positivo de empresas, em agosto. As aberturas avançaram e a taxa de mortalidade declinou, apesar das oscilações dos indicadores econômicos. O Estado somou 757 novos negócios em julho, 3,98% a mais do que em junho (728) – que teve dois dias úteis a mais. O saldo também foi 4,99% mais elevado do que o de 12 meses atrás (721). As estatísticas de baixas de CNPJs no Estado foram na mesma direção. Foi registrada uma retração de 3,83%, entre o sétimo (365) e o oitavo (351) mês de 2023, assim como um leve decréscimo de 1,95% no confronto com agosto de 2022 (358). 

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o cenário ainda segue desafiador para os empreendedores do Estado, mas já sinaliza acomodação. Um total de 2.795 pessoas jurídicas amazonenses encerrou as atividades no período, quantitativo 8,42% maior do que o apresentado em igual intervalo do exercício anterior (2.578). Em paralelo, foram constituídos 5.483 novos negócios em âmbito local, número somente 4,08% superior ao capturado entre janeiro e julho de 2022 (5.268). As informações são da Jucea, a partir de relatório do SRM (Sistema Mercantil de Registro), vinculado ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

O setor de serviços (453) liderou os números de aberturas de novos negócios, seguido por comércio (245) e indústria (28) – contra 442, 235 e 28, em julho, respectivamente. Os cinco municípios que mais constituíram empresas foram Manaus (536), Parintins (39), Itacoatiara (12), Manacapuru (12), e Iranduba (11). Assim como nos levantamentos anteriores, a Junta Comercial do Estado do Amazonas não informou números desagregados das estatísticas de encerramentos de empresas. Já o Portal do Empreendedor confirma que o panorama continua mais instável para os MEIs (microempreendedores individuais).

Tipos empresariais

De acordo com o levantamento da Jucea, assim como ocorrido há mais de um ano, a maior parte das 351 pessoas jurídicas amazonenses que saíram do mercado no mês passado estava enquadrada na categoria de empresário individual (227), em número pouco mais elevado do que o do levantamento anterior (222). Foram encerradas também 122 sociedades empresariais limitadas – contra as 149 de julho. Em oito meses, os dois tipos empresariais acumularam 1.675 e 1.105 extinções, respectivamente. A lista de baixas no mês incluiu também 2 consórcios de sociedades.

Em sentido inverso, o movimento em torno da formalização de abertura de novos negócios no Amazonas (757) voltou a priorizar as sociedades empresariais limitadas (527), correspondendo a mais do que o dobro da quantidade de registros na modalidade de empresário individual (225). A distância entre ambas as categorias aumentou em relação à sondagem anterior (497 e 226, na ordem) e mantém o ritmo no acumulado do ano (3.612 e 1.730). O rol de novos negócios do mês incluiu também e sociedades anônima fechada – uma a mais do que em julho. 

Já os números do Portal do Empreendedor confirmam um quadro ainda volátil para os MEIs atuantes no Estado. As aberturas ficaram 1,85% menores, entre julho (2.862) e agosto (2.809). Além disso, tombaram 11,50% frente ao dado de 12 meses atrás (3.174). Já as extinções progrediram 8,09% na variação mensal (de 1.149 para 1.242), além de escalar 18,62% frente a igual mês de 2022 (1.047). Em oito meses, o número de constituições decresceu 6,77%, com 23.631 (2023) contra 25.347 (2022). Os encerramentos decolaram 42,70% na mesma comparação, ao passarem de 7.265 (2022) para 10.367 (2023). O Estado contabilizou um saldo total de 610.164 MEIs, em agosto.

“Cenário desafiador”

Na análise da ex-vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, os dados da Jucea e do Portal do Empreendedor reforçam a dificuldade de recuperação da economia regional, diante de um “cenário desafiador”. A economista acrescenta que o número de empresas individuais em queda só reforça a conjuntura de ajuste macroeconômico pela qual o país e a região, passam, refletindo um direcionamento para a estabilidade.

Entre os fatores preponderantes para este resultado destacamos como relevante o avanço da proposta de Reforma Tributária, a retomada de queda da Selic, bem como a empregabilidade que contribui para impulsionar os setores de serviço e comércio, pois possibilita a elevação do poder de compra das famílias. Para os próximos meses, temos um cenário de perspectiva positiva e de intensificação desta retomada. O panorama macroeconômico contribui para os números positivos”, ponderou.

O ex-presidente do Corecon-AM, consultor empresarial e professor universitário, Francisco de Assis Mourão Junior, se mostra ainda mais otimista, embora ressalte que a conjuntura segue mais favorável ao empreendedorismo com sócios. “Está se criando uma perspectiva positiva para os negócios, devido principalmente ao começo do ciclo de redução da taxa Selic, com algum aquecimento da economia estabilizando as decisões do governo central. E o modelo ZFM atende diretamente aos estímulos da economia brasileira, pois produzimos para o mercado interno. É uma luz no fim do túnel”, afiançou.

Tempo recorde

Em texto de sua assessoria de imprensa, a Jucea destaca que a quantidade de empresas novas em agosto foi a segunda maior do ano e a melhor para o mês em sete anos. A Junta Comercial não informou comparativos relativos a extinções. A autarquia salienta também que, no mesmo período, o Amazonas consolidou o mais baixo prazo médio de abertura de novos negócios em toda a história da autarquia: 27 minutos, em média. Em relação a janeiro, o tempo de revisão de dados como capital social, sócios, endereço e Nire (Número de Identificação do Registro de Empresas) declinou 77%. No início do ano, o tempo médio de análise era de 1 hora e 57 minutos.

Segundo a presidente da Jucea, Maria de Jesus Lins, a diminuição já superou as expectativas da gestão. “No início do ano tínhamos estipulado uma meta de 40 minutos para análise do processo de registro. Com muito trabalho e dedicação da nossa equipe, conseguimos há muito tempo bater essa meta e nos impulsionar para outras ainda mais estratégicas e ousadas. Focando sempre em facilitar o ambiente de negócios, e priorizando não só a agilização da análise, mas sobretudo a segurança e a credibilidade dos serviços executados pelo órgão”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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