O mercado de trabalho do Amazonas atingiu a melhor marca do ano em abril, ao registrar saldo positivo de 3.576 empregos com carteira assinada. As admissões (+23.687) superaram os desligamentos (-20.111), com alta de 0,68% sobre o estoque anterior. O dado veio acima da marca de março (+3.200), e correspondeu a um salto de 82,08% sobre a fraca base de comparação do mesmo mês de 2023 (+1.964). A oferta veio prioritariamente de Manaus (+3.170) e quase todos os setores econômicos contrataram, principalmente serviços e indústria, com exceção da agropecuária.
Abril mostrou índice de aumento de vagas com carteira assinada mais elevado para o Estado e a região Norte (ambos com +0,68%) do que para a média nacional (+0,52%). O Amazonas obteve expansão de 2,10% e 10.853 novos postos de trabalho no quadrimestre, com destaque para serviços e indústria, em números absolutos, e para a construção, em alta proporcional. Em 12 meses, a expansão foi de 5,32% (+26.659), elevando o estoque do Estado para 528.316 vínculos celetistas ativos. Os números são do ‘Novo Caged’, e foram divulgados nesta quarta (29), pelo Ministério do Trabalho e Previdência.
O Brasil como um todo teve mais admissões (+2.260.439) do que demissões (-2.020.406). O saldo ficou positivo em 240.033 empregos com carteira assinada, com acréscimo de 0,52%, com saldos positivos disseminados em todas as cinco regiões brasileiras. O impulso veio mais fraco do que o registro de março (+244.315), mas foi maior do que o do mesmo mês de 2023 (+181.761). O acumulado somou 958.425 novas vagas (+2,11%), encorpando o estoque (46.475.700). O crescimento foi uma realidade para todos os setores, com destaque também para serviços (+138.309).
Vale ressaltar que a oferta de empregos formais ainda está distante da demanda dos trabalhadores, tanto em âmbito estadual, quanto nacional. Os números mais recentes do IBGE mostram que o Amazonas encerrou o primeiro trimestre de 2024 com 189 mil pessoas na fila do desemprego no primeiro trimestre e o nível de desocupação acelerando para 9,8% de sua força de trabalho. Apenas 54,1% (1,74 milhão) da população amazonense “apta ao trabalho” (14 anos ou mais) tinha ocupação remunerada, sendo que 53,3% (928 mil) desse grupo não contava com carteira assinada. O desempenho do segundo trimestre de 2024 só será divulgado em 15 de agosto.
Serviços e comércio
Quatro das cinco atividades econômicas fecharam março com mais admissões do que desligamentos. Os serviços voltaram à liderança do ranking da oferta de oportunidades profissionais. Houve ganho de 2.042 empregos celetistas no mês e avanço de 0,84%, superando março (+894) e praticamente igualando fevereiro (+2.054). As vagas se concentraram principalmente no grupo que reúne informação, comunicação e atividades, financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+743). Os serviços como um todo abriram 5.581 vagas (+2,33%) no quadrimestre, mantendo a liderança.
Em um mês sem datas comemorativas, e dispondo de dois dias úteis a mais, o grupo que reúne “comércio e reparação de veículos”, renovou saldo positivo, com a criação de 275 vagas e alta de 0,23%. Mas, o impulso veio bem mais fraco do que o do mês anterior (+636). As admissões foram carreadas pelo atacado (+103), sendo acompanhadas pelo segmento de “reparação de automóveis e motocicletas” (+90) e pelo varejo (+82). Em quatro meses, entretanto, o comércio amazonense em geral opera com estoque de empregos pouco acima da estagnação (+0,29% e +348).
“Vale ressaltar que abril reflete as contratações para o Dia das Mães, a segunda data mais importante para o comércio e o start para o aquecimento dos setores no segundo semestre. Os números demonstram a recuperação, aos poucos, dos serviços, como operações bancárias e lançamentos imobiliários. Ainda temos a preocupação com a estiagem no horizonte, mas vamos ter várias providências que vão diminuir esses efeitos”, ponderou o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota.
Indústria de transformação
A indústria foi o segundo setor que mais contratou localmente, registrando aumento de 0,95% e 792 novos postos de trabalho, mas ficou aquém das marcas de março (+1.218), fevereiro (+1.052) e janeiro (+1.055). Só a indústria de transformação disponibilizou 775 ocupações, com resultados positivos em 14 de suas 25 atividades, principalmente em máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+179); e “outros equipamentos de transporte”/duas rodas (+151). A alta se disseminou nas divisões de água, esgoto e descontaminação (+20) e de eletricidade e gás (+3), mas não na indústria extrativa (-6). No acumulado do ano, foram geradas 4.144 vagas pela indústria do Amazonas (+3,28%).
“Os números refletem o bom momento econômico do Amazonas e, especialmente, do Polo Industrial de Manaus. O número de empregados formais é um indicador extremamente importante para aferir o panorama da economia, uma vez que demonstra o nível de aquecimento, tanto no que diz respeito à produção, quanto em relação ao consumo. Nossa expectativa é de que a tendência de crescimento se mantenha ao longo dos próximos anos”, avaliou o presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva.
Agropecuária e construção
A agropecuária reverteu parte do ganho parcial do mês anterior (+56%), ao extinguir 11 postos de trabalho formais e obter o único decréscimo (-0,24%) da lista. A destruição de empregos celetistas veio da produção florestal (-15) e da pesca e aquicultura (-2). Em contraste, o grupo que reúne “agricultura, pecuária e serviços relacionados” (+6) voltou a se sair bem –especialmente na pecuária de criação de bovinos (+15) e aves (+6). A agropecuária amazonense fechou o trimestre com 176 empregos a menos (-3,64%).
A construção (+478) emendou um terceiro mês consecutivo de crescimento nas ocupações formais e maior alta (+1,72%). O volume de acréscimo superou as ofertas de março (+396) e fevereiro (+366) e ajudou a compensar as perdas acumuladas em janeiro (-298), dezembro (-785) e novembro (-206). As contratações se disseminaram pelas obras de infraestrutura (+237) e pelas atividades de construção de edifícios (+154) e serviços especializados para construção (+87). Em quatro meses, o setor gerou 956 vagas no Estado e ainda apresenta a maior elevação para o período (+3,49%).
“Os números são positivos e a tendência é aumentar, porque os dados do começo do ano costumam ser fracos e de fim de obras. Agora, temos as contratações do Minha Casa Minha Vida, além de obras de infraestrutura, como os trabalhos de arruamento dos governos. Mas tenho o olhar de que muitas empresas podem estar acelerando o cronograma por conta da estiagem, e não ter as mesmas dores que tiveram no ano passado”, concluiu o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza.







