Amazonense ‘pisa no freio’ do consumo

Em: 13 de outubro de 2011
Agosto não foi um bom mês para o comércio no Amazonas. Depois de saltar para 6,5% em julho, o índice do volume de vendas do comércio varejista recuou para um crescimento de apenas 4%, de acordo com dados do IBGE
Agosto não foi um bom mês para o comércio no Amazonas. Depois de saltar para 6,5% em julho, o índice do volume de vendas do comércio varejista recuou para um crescimento de apenas 4%, de acordo com dados do IBGE

Agosto não foi um bom mês para o comércio no Amazonas. Depois de saltar para 6,5% em julho, o índice do volume de vendas do comércio varejista recuou para um crescimento de apenas 4%, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Dessa forma, o Estado fechou o mês com o sexto pior desempenho entre as unidades da Federação e mais uma vez, com percentual inferior à ‘média – Brasil’ de 6,2%.
Esse foi o menor crescimento dos últimos doze meses, conforme informou o disseminador de informações do IBGE/AM, Adjalma Nogueira Jaques. “O que demonstra que em agosto o amazonense pisou no freio do consumo. Os motivos são vários, principalmente a questão do endividamento e comprometimento do acesso ao crédito, aumento de preços dos produtos e principalmente notícias sobre crise no contexto econômico, que faz com que o consumidor pense duas vezes antes de comprar”, analisou.
Além desses motivos, Adjalma lembra que, tradicionalmente, agosto é considerado um mês fraco para o comércio.
O conselheiro titular do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Mourão Júnior, argumenta que apesar de ainda registrar um crescimento no volume de vendas, a situação pode piorar nos próximos meses, pois o resultado ainda não refletiu a queda da Selic – taxa básica de juros. “O que se espera pra os próximos meses é que essa variação, pelo menos se mantenha nos 4% ou recue ainda mais”, projetou.
Isso porque, para o economista, a partir de agora, o comércio começa a sentir o desaquecimento da economia. “Uma das piores manobras dentro da economia é desacelerar o consumo. O governo freou, mas os consumidores demoraram para fazer o mesmo e enquanto isso, o endividamento foi crescendo principalmente a partir das dívidas do cartão de crédito. Agora, que o consumidor se percebeu endividado, ele vai ser obrigado a comprar menos e pagar parte dos seus débitos com o 13° salário. A consequência disso, é que mesmo com a chegada do Natal, o volume de vendas não será o mesmo”, apontou.
Mourão Júnior prevê que caso a Selic caia para 11% na próxima reunião do Copom (Conselho de Política Monetária), como já se especula entre o economistas, “não será possível nem mesmo manter o volume atual”.

Inadimplência

Em junho, em entrevista ao Jornal do Commercio, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, projetou queda no desempenho do varejo local para os três meses seguintes – julho, agosto e setembro-, devido ao crescimento da inadimplência.
Coincidindo com as previsões, o grau de inadimplência continua elevado no Amazonas. De acordo com a CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), em setembro, o índice manteve os mesmos 3,5% de agosto, somando 7.300 pessoas na lista do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito).

O presidente da entidade, Ralph Assayag, informou que desse total, 50% das dívidas são formadas a partir de compras com cartão de crédito, e que em razão dos altos juros embutidos nesse tipo de pagamento, o nível de endividamento do amazonense segue alto.
“Em julho, o índice estava em 3,6% e já em agosto conseguimos uma pequena retração para 3,5% devido a campanhas de conscientização junto aos lojistas. O resultado de setembro não é o ideal, mas estamos aliviados porque ao menos o índice se manteve estável”, avaliou.
Assayag disse ainda esperar que os resultados das campanhas do comércio para ‘limpar o nome’ do consumidor liberem crédito para as compras de fim de ano e aumentem o volume de vendas.

Brasil

Em agosto, vendas no varejo do país tiveram retração de -0,4% e receita nominal de 0,3% praticamente estável na comparação com julho. O volume de vendas variou 6,2% em relação ao mesmo período de 2010 e obteve acréscimo de 7,2% e 8,2% nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses.
Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou taxas de 12,3%, 12,3% e de 13,1%, respectivamente.
Entre as dez atividades, oito apresentaram desempenhos negativos, entre elas o segmento de veículos e motos, partes e peças (-4,6%). Apenas as vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com 7,3% e de livros, jornais, revistas e papelaria com 1,6% variaram positivamente.
Já na comparação com agosto do ano passado, todas as atividades registraram aumento no volume de vendas, destaque para os segmentos de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (25,3%) e de móveis e eletrodomésticos (16,9%).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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