Na semana passada abordei a questão dos equívocos cometidos pelo governo de Lula da Silva nas questões ambientais amazônicas e hoje retomo o assunto porque nem mesmo os respeitáveis e descompromissados alertas conseguem acordar as autoridades ambientais no âmbito nacional, estadual e municipal.
Agora, para mim, está claro que a nomeação de Marina Silva para o Ministério do Meio Ambiente foi uma decisão política (e não ambiental), destinada a angariar simpatias dos ambientalistas e aproveitar seu prestígio internacional conseguido com o apoio da memória de Chico Mendes.
Um discurso velho, a experiência exígua e a fragilidade conceitual fizeram com que o Ministério passasse a ser dirigido, de fato, pelo Secretario Geral, um homem pró-ativo e fortemente ligado às Ongs, onde a visão de desenvolvimento não é exatamente aquela idealizada pelo esboço do Projeto de Estado que começou a ser desenhado depois da Rio-92.
O choque de interesses
Está cada dia mais evidente o choque entre os figadais interesses econômicos de grupos do governo e o lado ambientalista “liderado” por Marina Silva que tem três colunas de sustentação: o desgaste que seria sua demissão; o interesse de fortíssimas Ongs que, por causa dela, conseguiram vez, voz e voto; a ascensão de seu substituto -Sibá Machado- que tem entre seus assessores no Senado, o marido da ministra, um onguista que aprendeu a andar nos tapetes vermelhos do poder.
Hoje, no intestino do governo Lula existem fortes ondas de tensão relacionadas à produção de biocombustiveis, um antigo e inteligente projeto que Lula da Silva utiliza (mal) para se lançar como “salvador do planeta”, uma pretensão que esbarra na falta de entendimento da dimensão total do problema. Por essa simplicidade analítica seu “staff” deveria aconselhá-lo (adianta?) a não falar de improviso em reuniões que requeiram melhor contenção de raciocínio, pois a cada frase ou metáfora simplória ele joga pelo ralo uma parte do esforço da comunidade científica em prol das energias alternativas.
A leviandade dos biocombustiveis
Tenho um recorte do jornal “O Globo” com um artigo assinado por Lula e publicado no tempo em que ele ainda não era presidente e no texto não se encontram as raízes de seu pensamento atual. Naquela época ele denunciava leviandade dos governantes brasileiros (o que era verdade) e agora dirige sua metralhadora giratória para os líderes mundiais preocupados com a questão dos alimentos cuja produção em queda sinaliza enorme catástrofe.
Metáforas e bobagens
Os últimos dias foram repletos de declarações “non sense” e metáforas simplórias. Lula reclamou, p.ex., da acusação de o Brasil fazer desmatamento (que calúnia), de ter trabalho escravo (que mentira) e de afetar a segurança alimentar com o programa de biocombustivel (que absurdo). Em sua resposta o presidente sinalizou a inveja como origem das incriminações dizendo que “ninguém bate em jogador que não é bom de bola” e essa frase que, sequer é sofrível, me fez pensar (coisa rara) se nas “peladas” presidenciais ninguém acerta suas canelas porque ele ser “perna de pau” ou porque é o presidente? O futebol usado para metáforas presidenciais fica pior do que é.
Lula, esta semana também se declarou preocupado com a segurança alimentar da Venezuela que importa alimentos e disse que alertou Chaves para fazer a Venezuela auto-suficiente na produção de alimentos. Essa preocupação com outros povos me fez pensar (de novo) em duas coisas: 1. será que todos os brasileiros se alimentam todos os dias? 2. como será a conversa desses dois presidentes que não ouvem? Do lado brasileiro vejo a indisfarçável inquietação de Lula quando alguém está discursando e ele é obrigado a ficar calado.
Agora nós da Amazônia estamos também sob o poder do Pôncio Pilatos do governo, o ministro Tarso Genro, que anunciou o envio de um projeto de lei ao Congresso regulamentando a ação de ONGs na Amazônia. Um dirigente da Ong Conservação Internacional tipificou esse projeto como







