A passagem de Lula da Silva por Manaus foi marcada por fatos curiosos e declarações impróprias e/ou arrogantes, sempre presentes em seus bisonhos improvisos onde não faltam deslizes comportamentais e falta de compromisso com a norma culta.
O fato mais curioso foi a realização do comício manauara às margens de um igarapé sem saneamento mostrando que, para ganhar voto, vale até mesmo ficar sentindo cheiro de esgoto cloacal.
Entre as declarações impróprias penso que a pior foi definir como “pura sacanagem” as relutâncias estrangeiras contra os biocombustíveis, pois ele parece ter esquecido que Fidel e Cháves (seus parceiros) já se manifestaram contra esse projeto que era bom até Lula se apossar dele lançando-se como salvador ambiental do planeta. Essa ambição desmedida o faz incorrer em erros primários como declarar que a Amazônia não se presta para plantio de cana-de-açúcar, demonstrando desconhecer o país que preside e a região que diz defender.
Os políticos locais
A prepotência exacerbada do Sr. Lula da Silva o levou a dizer que a classe política local deveria maneirar a disputa eleitoral, uma “ordem” que deveria ter sido repudiada por aqueles que, no momento, se digladiam em busca de cargos e cartões corporativos. Lula, evidentemente, além de não ter poder para definir comportamentos na área política que está subordinada aos julgamentos da Justiça Eleitoral, ainda demonstra total incoerência, pois ele mesmo está em plena e agressiva campanha para eleger seus prosélitos, seguidores e apadrinhados nas eleições municipais deste ano e levar a mãe do PAC para a cadeira presidencial nas eleições de 2010.
A classe política local, pelo menos a oposição, deveria ter refutado, contundentemente, essa absurda indicação normativa de Lula e dado uma resposta firme e educada à impropriedade do presidente. Mas faz tempo (muito tempo) que a classe política local prefere se calar diante de situações que envolvam algum tipo de confronto com o poder maior.
A realidade
A festa manauense de inauguração de caixa d’água e igarapé poluído serve como contraponto para a situação do Estado que ocupa os piores lugares no “ranking” educacional, que tem suspeitos usos de verbas públicas, que convive com um serviço de saúde de má qualidade, que passou a ocupar os primeiros lugares na lista dos desflorestamentos, que não tem saneamento básico, que vê aumentar a criminalidade, que tem um trânsito caótico.
Lembranças do passado
O silêncio da classe política é um sintoma diagnóstico de nossa realidade com ressalvas para alguns raros luminares de notável postura e compostura ética. Penso que hoje o exemplo mais emblemático da insensatez é o de um vereador que mantém programa de rádio diário patrocinado pela concessionária do serviço de água e esgoto, a mesma que deveria ter construído a caixa d’água feita com dinheiro público que Lula veio inaugurar.
Por questões de segurança pessoal me eximo de citar outros exemplos do presente, mas quero resgatar uma “curiosidade” do passado político que meu saudoso pai contava com indignação.
O fato é que um governador do Amazonas, oriundo das barrancas do rio Madeira, resolveu chamar seu irmão, morador do Rio de Janeiro, para ser candidato a deputado federal. Como ninguém o conhecia acabou derrotado apesar do prestígio e da máquina do governo comandada pelo mano mais velho. O derrotado “carioca” do Madeira não se deu por vencido e, mesmo residindo no Rio voltou a se candidatar nas eleições seguintes com o foco nas vantagens e no salário de parlamentar que exerceria suas funções na Capital Federal que era, justamente, o Rio de Janeiro. O “slogan” de sua nova caminhada política era repugnante e condenável sobre todos os aspectos, mas o temor pelo poder do irmão-governador fez a classe política se calar, tendo ele encerrado sua caminhada pré-eleitoral em um comício na Praça do Congresso berrando, repetidamente, sua frase de campanha: “O povo do Amazonas só no chicote. É ou não é?” E a multidão calhor







