América Latina é região mais quente do mundo para startups

Em: 16 de fevereiro de 2022
A América Latina teve um ano extraordinário em termos de atrair investidores para as suas startups. A região foi a que mais acelerou seu crescimento em volume de capital de risco, mostra um levantamento da empresa de dados Crunchbase.
América Latina é o melhor berço para startups atualmente

Levantamento mostra que região foi a que mais acelerou crescimento em volume de capital de risco

A América Latina teve um ano extraordinário em termos de atrair investidores para as suas startups. A região foi a que mais acelerou seu crescimento em volume de capital de risco, mostra um levantamento da empresa de dados Crunchbase.

US$ 19,5 bilhões foram investidos em negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos da região em 2021. Mas quem está por trás de tanto capital? O Crunchbase montou uma lista com os investidores de capital de risco mais ativos na América Latina, nas frentes de venture capital e de private equity

Estágio inicial (early stage)

O investimento anjo e semente trouxe cerca de US$ 900 milhões para as startups em estágio inicial, enquanto as rodadas série A e B trouxeram cerca de US$ 5,5 bilhões. O Brasil foi o país mais atrativo da região, seguido por México, Colômbia, Chile e Argentina.

O Crunchbase afirma que tanto volume de capital se deve tanto a um maior número de rodadas quanto ao aumento no valor investido por rodada. Algumas rodadas notáveis foram as feitas nas startups Daki, Ebanx, Merama e Mercado Bitcoin.

Do lado dos investidores, gestoras regionais (como Bossa Nova Investimentos, DOMO Invest e Kaszek) dividem espaço com as gestoras internacionais (Y Combinator, Valor Capital Group, Tiger Global Management) entre as primeiras posições.

América Latina é o melhor berço para startups atualmente

Estágio avançado (late stage)

O investimento em startups mais maduras foi responsável por boa parte do volume de capital visto na América Latina em 2021. Cerca de US$ 13,3 bilhões foram direcionados ao chamado late stage, ou mais de dois terços do total investido nas startups latino-americanas.

Esse valor foi impulsionado por mega rodadas, ou investimentos de US$ 100 milhões ou mais, em negócios como Nuvemshop, Rappi e Loft. Comércio eletrônico e serviços financeiros foram setores de destaque no último ano. Já entre os investidores, as gestoras internacionais lideram as apostas nas startups maduras.

Os investimentos vão continuar em 2022?

O Crunchbase afirma que este ano começou quente em termos de investimentos para as startups da América Latina. Apenas nas duas primeiras semanas de 2022, US$ 450 milhões foram aportados em negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos da região. O Do Zero Ao Topo já conversou com gestoras brasileiras e internacionais e com empreendedores brasileiros especificamente sobre os investimentos nas startups nacionais em 2022.

Para eles, o ecossistema brasileiro de startups cresceu no último ano como forma de preencher uma lacuna em relação a outras nações criadoras de startups. Depois, baixas taxas de juros direcionaram investidores à renda variável. Ainda, a pandemia do novo coronavírus evidenciou o potencial de soluções criadas por startups.

O cenário para este ano ano está mais desafiador ao venture capital e private equity, a começar pelo ambiente macroeconômico. As taxas de juros subiram ou prometem subir em alguns países, como nos Estados Unidos e no próprio Brasil. Além da macroeconomia, os investidores também estão refletindo sobre até onde vai a avaliação de mercado das empresas de tecnologia em comparação com suas receitas. Já existe uma correção de múltiplos nos mercados públicos.

As condições serão menos favoráveis em 2022, segundo os investidores e empreendedores. As startups brasileiras devem receber, no total, mais dinheiro do que em 2021. Mas alguns ressaltaram que o crescimento percentual não deve ser tão forte e que teremos menos unicórnios, ou startups avaliadas em ao menos US$ 1 bilhão. Alguns empreendedores já estão preparando o caixa para um cenário de captações mais difíceis. E alertam: quando esse momento chegar, empresas supervalorizadas e sem fundamentos não vão sobreviver.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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