Os bustos de sete personalidades da arte adornam a fachada do Teatro Amazonas: Joaquim Manoel de Macedo, escritor; João Caetano, ator e empresário teatral; Antonio Carlos Gomes, compositor e maestro; Francisco Correa Vasques, ator e dramaturgo; Henrique Eulálio Gurjão, compositor e maestro; Eduardo Gonçalves Ribeiro, governador do Amazonas e quem mandou construir o Teatro Amazonas. Seu busto substituiu o do escritor José de Alencar; e Henrique Alves de Mesquita, compositor e maestro. É deste último que vamos falar, pois ele é homenageado no curta-metragem ‘Soirée brésilienne’, produzido pelo músico e arranjador amazonense Abner Viana, e tem circulado pelo mundo.
“Fiquei radicado um tempo na Europa e posteriormente, na Argentina, quando percebi o quão valorosa era a música brasileira fora do Brasil. Estudei música clássica, jazz, blues e outros estilos musicais não brasileiros, mas vivenciei a música brasileira todos os dias no estrangeiro. Fiquei conhecido como um músico brasileiro, que dava aulas de diversos estilos como choro, bossa nova, maracatu, baião e vários outros, que me trouxeram muitos trabalhos e alunos”, contou.
“Quando retornei, comecei a pesquisar quais compositores brasileiros do choro tinham algum tipo de conexão com Manaus, e foi aí que a música de Henrique Alves de Mesquita surgiu para mim”, lembrou.
Henrique Alves de Mesquita foi um compositor, regente, organista, trompetista e professor nascido em 15 de março de 1830, no Rio de Janeiro, numa casa modesta, no Centro da cidade. Ficou conhecido como o criador da expressão ‘tango brasileiro’, quando assim classificou uma composição sua, ‘Olhos matadores’, de 1868, usando o nome de tango para designar um tipo de música de teatro ligeiro, conhecida entre os franceses e espanhois como ‘habanera’ ou ‘havanera’.
No Teatro Amazonas
“Mas Henrique Alves de Mesquita foi muito mais do que isso. Mudou para outro patamar o gênero do choro trazendo seriedade às orquestrações e composições. Um melodismo muito único fez dele, um diferencial efetivo na corte brasileira da época e que chegou até Manaus, tanto que, na inauguração do Teatro Amazonas, em 1896, seu busto foi colocado junto a outros grandes nomes das artes brasileiras”, falou.
O curta foi filmado dentro do Teatro Amazonas. Entre os instrumentos utilizados na gravação estão: flauta/piccolo, clarinete, piano, violoncelo, vibrafone/percussão. A instrumentação remete a uma fusão dos instrumentos clássicos de uma orquestra com os de uma banda de música.
“A ideia é experimentar novas sonoridades para que se possa extrair resultados timbrísticos relevantes na música popular. Mesquita as nomeou de ‘Soirée brésilienne’, (de Nº 1 a Nº 5, com andamentos variados) que, traduzindo do francês para o português, significa ‘início das noites brasileiras’. O trabalho conta, ainda, com haicais da artista Ruth Jucá, que gentilmente cedeu os escritos, extraídos do seu livro ‘Outros ventos’ especialmente para este curta”, disse.
‘Soirée brésilienne’ foi composta enquanto Henrique Alves residia em Paris. São cinco movimentos que compõem a obra como um todo, cinco miniaturas escritas originalmente para piano, mas reinterpretadas por Abner através de outros instrumentos, com novas ideias musicais visando dialogar com a belle époque baré.
Próximo passo
Desde 2022 o curta-metragem circula pelo mundo já tendo sido exibido na América do Sul, Europa e Brasil através do projeto Musica Brasilis.
“O Música Brasilis é um instituto, sem fins lucrativos, criado em 2009, por Rosana Lanzelotte, com o objetivo de resgatar e difundir repertórios de compositores brasileiros de todos os tempos e gêneros. Eu resolvi inscrever o curta nesse instituto, eles aceitaram e desde então o meu trabalho tem circulado pelo mundo”, informou.
“O próximo passo, agora, é apresentar o curta-metragem em escolas públicas de Manaus ainda este ano, para fomentar a cultura musical entre nossos jovens. Viajo sempre, me apresentando em vários países da América do Sul e Europa, promovendo palestras, rodas de conversa, cursos, e master class sobre a história da música brasileira. Isso faz parte da minha contribuição para a cultura e a arte da música”, revelou.
‘Soirée brésilienne’ foi patrocinado pela Samel, SMC Arquitetura & Design de Interiores, e Loppiano Pizza, e teve o apoio da Secretaria de Cultura, que liberou o Teatro Amazonas para as gravações, e da CTP (Central Técnica de Produção), que concedeu os figurinos para os participantes do curta. 17 pessoas, entre músicos e equipe de produção, estiveram envolvidas no projeto.
Equipe técnica: Produção executiva e musical, roteiro e arranjos: Abner Viana –
Músicos: Cláudio Abrantes (flauta/piccolo), Abner Viana (clarinete), Célio Vulcão (piano), Adriana Velikova (violoncelo), Andrio Dias (vibrafone/percussão) –
Gravação, mixagem e masterização: Jeferson Souza – Produção executiva: Maria Lucy Rodrigues – Direção, produção artística, fotografia e edição: Henrique Saunier – Still fotografia e design: Maria Yole Bezerra – Assistente de fotografia: Luiz Rocha – Atores: Rômulo Hussem e Guta Rodrigues – Bailarina: Vanessa Viana – Maquiagem: Samantha Campos
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