Aparecida faz homenagem à azul e branco do Rio

Em: 4 de fevereiro de 2016
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A grande campeã do Carnaval de Manaus vem homenageando outra grande campeã, a Portela, do Rio de Janeiro. Com o enredo “A Soberana encontra a Majestade e nesta passarela, eu nunca vi coisa mais bela’, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida vem em busca de seu 22 título.

“Tudo começou com uma brincadeira, no ano passado, quando um membro da diretoria escreveu num grupo do Whatsapp que o enredo da Aparecida deste ano seria a Portela. Depois que ele disse que era 1º de abril, Dia da Mentira, a coisa já tinha pegado e muita gente gostado da ideia, aí tivemos que fazer”, falou Saulo Borges, carnavalesco da Aparecida.

A Portela, ou a Majestade do Samba foi fundada em 11 de abril de 1923, no bairro de Oswaldo Cruz, por Paulo da Portela, Natal da Portela, entre outros. “Assim como a Portela é a maior campeã do Carnaval carioca, a Aparecida é a maior campeã do Carnaval de Manaus, com 21 títulos cada”, lembrou Saulo. A escola de samba de Manaus leva uma vantagem, porém. Enquanto a Portela está há três décadas sem ganhar um título, a verde e branco do bairro de Aparecida consegue o primeiro lugar há três anos seguidos.

A comissão de frente também traz duas características comuns das duas escolas: o símbolo, o papagaio, da Aparecida e a águia, da Portela.

“Ao longo do desfile contaremos a história da Portela e os fatos importantes que aconteceram no Rio nesses mais de 90 anos de existência da escola, destacando Paulo da Portela, seu principal fundador que, unindo dois blocos carnavalescos, deu origem à ‘Vai Como Pode’, que depois virou a Portela. O personagem vai desfilar sobre um trem, pois era na Central do Brasil onde Paulo reunia as pessoas para os blocos”, lembrou.

Duas escolas de vanguarda

Aparecida vai relembrar um dos momentos mais importantes para a cidade maravilhosa quando o prefeito Pereira Passos (1902 a 1906) a transformou de cidade com estrutura colonial, e quase um milhão de habitantes carentes de transporte, abastecimento de água, rede de esgotos, programas de saúde e segurança, numa cidade moderna e cosmopolita. O período ficou conhecido popularmente como “Bota-abaixo”. “Nesse sentido, vamos mostrar o fim da Praça Onze, onde aconteciam os desfiles de Carnaval, para a construção da moderna avenida Rio Branco. Depois, em 1909, surgiria o Teatro Municipal, outro símbolo da modernidade, lembrado em nosso enredo”, disse.

Assim como a Aparecida foi uma escola de vanguarda, ao transformar o Carnaval de Manaus, profissionalizando-o e fazendo se igualar ao do Rio de Janeiro, a Portela também o foi. Foi ela quem criou a comissão de frente, o primeiro carro alegórico, o desfile em forma de cortejo, as alas uniformizadas e o primeiro símbolo, a famosa águia, que a cada desfile apresenta alguma novidade. “Quando Walt Disney veio ao Brasil, na época da Segunda Guerra, fazendo a política de boa vizinhança, foi recebido com festa pela Portela. Só não vamos levar o papagaio Zé Carioca porque ele só seria criado depois pelo desenhista”, explicou.

Saulo lembrou ainda que o último título conquistado sozinho pela Portela, em 1970, era “Lendas e Mistérios da Amazônia”. Sobre a ala das baianas ele adiantou, “elas virão fantasiadas de mães de santo, para lembrar o início da Portela, entre os negros, e os ritmistas da bateria voltam a lembrar Paulo da Portela, vestidos ao estilo anos 1930/40. Paulo da Portela retorna no último carro, somente a cabeça, junto com Natal da Portela e Clara Nunes, que será personificada por Julieta Câmara”, falou.

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida entra na passarela do samba à 1h20, do dia 7 de fevereiro, domingo, levando três mil componentes divididos em 20 alas.

Por dentro

A Mocidade Independente de Aparecida, carinhosamente apelidada de “Pareca”, foi fundada no dia 15 de março de 1980, no bairro de Aparecida (antigo bairro das Cornetas, depois dos Tocos, das Cajazeiras e Aparecida), na zona sul de Manaus, a partir de uma dissidência da Em Cima da Hora, pois começou a partir de uma ala desta chamada “Alô, Alô, Aparecida”.
Teve César Bandeira como seu primeiro presidente e já no seu desfile de estréia, em 1981, ganhou o título de campeã do carnaval de Manaus em conjunto com sua madrinha azul e branco – a Em Cima da Hora (em 1981 houve duas campeãs).

A Mocidade Independente de Aparecida foi a escola de samba que, em 1983, de certa forma, engendrou no Carnaval de Manaus uma nova forma de se fazer o desfile com carros alegóricos bem acabados e de muito brilho, quando defendeu o enredo “Sobre os planetas – o Carnaval das galáxias”. A escola possui as cores verde e branco, inspiradas nas cores da Mocidade Independente de Padre Miguel, do Rio de Janeiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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