

Evaldo Ferreira: @evaldo.am
A partir do dia 03 de outubro o bairro de Aparecida, e os devotos de N. Sra. da Conceição Aparecida, estarão em festa. Depois de dois anos sem poder realizar a tradicional procissão em honra da santa, devido à pandemia, as comemorações voltarão a acontecer no entorno do Santuário de N. Sra. Aparecida, bem como a procissão, que ocorre pelas ruas do Centro. A programação segue até o dia 12 de outubro. Os católicos do Brasil também comemoram o dia 12 de outubro desde 1930, ano em que a senhora de Aparecida foi proclamada padroeira do Brasil com decreto assinado pelo papa Pio XI.
Os organizadores dos festejos, em Manaus, acreditam que mais de 80 mil pessoas devem participar da procissão, cujo início será às 17h do dia 12 de outubro.
“A expectativa é que haja uma grande demanda de fiéis ao longo de todo o festejo, principalmente, no Dia da Padroeira, quando retomaremos a procissão. A ausência da procissão, cancelada nesses últimos dois anos, traz consigo uma forte motivação para os fiéis, pois cremos que será um dia marcado por uma grande quantidade de pessoas vindas de todos os lugares, para agradecer, louvar a Deus pela vida, pela saúde e por terem superado tantos problemas e desafios enfrentados durante os últimos tempos”, falou o padre Agildo Alves, reitor do Santuário.
O templo em honra de N. Sra. Aparecida é um dos mais belos de Manaus e foi projetado pelo artista plástico Moacir Andrade, que morou no bairro até sua morte, em 27 de julho de 2016. Desde 12 de outubro de 2007 o templo foi elevado à categoria de Santuário Arquidiocesano. Em 2023, a veneração à N. Sra. Aparecida, no bairro de Aparecida, completará 80 anos.
‘Milagre’ da Copa

A história de N. Sra. Aparecida é tão antiga quanto conhecida. A imagem foi ‘pescada’ por pescadores, em outubro de 1717, primeiro o corpo, depois a cabeça, no rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá, hoje Aparecida, em São Paulo. Seu nome é N. Sra. da Conceição Aparecida porque a imagem era de N. Sra. da Conceição. Sua cor negra deve-se ao tempo de permanência no fundo do rio ou, acredita-se, à fumaça de velas. Por fim, fora jogada no rio porque estava quebrada e, devido ser uma peça sagrada, as pessoas não costumavam jogá-las no lixo, mas sim, dentro dos rios. O dia 12 foi escolhido aleatoriamente, em 1930, pela Igreja Católica que só aceitou a devoção das pessoas e o culto à imagem com o passar das décadas. Antes a data comemorada era 7 de setembro. A atual Basílica de N. Sra. Aparecida, na cidade homônima, foi inaugurada em 1888 e, em 1980, foi consagrada (entregue a Deus) pelo papa João Paulo II.
Em ano de Copa do Mundo é bom lembrar um dos ‘milagres’ de N. Sra. Aparecida. Na final da Copa de 1958, as camisas da adversária do Brasil, a Suécia, eram amarelas como as da nossa seleção. Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira, mandou que comprassem camisas azuis, ‘da cor do manto de N. Sra.’. O resultado todos sabem: Brasil 5 x 2 Suécia.
Em Manaus o culto à Aparecida começou em 22 de julho de 1943, com a chegada dos padres redentoristas André Joerger e João McCormick, ao bairro. Em 30 de janeiro de 1944 os religiosos instituíram a paróquia de N. Sra. Aparecida e, no dia 22 de junho de 1947 lançaram a pedra fundamental do templo, que foi inaugurado dez anos depois, em 1957.
Sinodalidade é o tema

As festividades deste ano iniciam com as tradicionais novenas durante a noite, entre os dias 03 e 11 de outubro, a partir das 19 horas, de segunda a sexta-feira; e às 18h, no sábado e no domingo. A programação conta com a participação das pastorais e movimentos das comunidades do bairro de Aparecida, incluindo as capelas de N. Senhora do Perpétuo Socorro e Sagrada Família, nas entronizações da Bíblia e da imagem da santa, além da oferta de flores em homenagem a ela.
No dia 12 as comemorações começam às 5h30 com carreata festiva levando a imagem sagrada pelas ruas do bairro e do Centro, com bênção dos veículos, seguida de café partilhado às 07h. Às 8h os devotos de Aparecida serão convidados a acompanhar a missa campal presidida pelo arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Leonardo Steiner, cardeal da Amazônia, e às 10h haverá missa com as crianças. Pela tarde, a programação inclui celebração eucarística ao meio-dia, tendo como tema a ‘sinodalidade’. Às 14h, Terço Mariano, às 15h Ofício de Nossa Senhora e às 16h animação. A programação continua às 17h, com o início da procissão e missa solene, às 18h, presidida por Dom José Albuquerque, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus.
“O tema deste ano busca despertar a importância da comunhão e não do isolamento para a missão cristã. Quando vivemos em unidade, os desafios se tornam mais fáceis de serem superados. A Igreja tem sofrido por causa de discursos polarizados, diante disso, precisamos refletir e vivenciar uma experiência onde todos possam obter um espírito sinodal (de caminhar juntos), onde a participação de todos propõe um jeito comum de viver a fé”, finalizou o padre Agildo.
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