Apóstolos formados para a agricultura há 45 anos

Em: 16 de setembro de 2019
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Quarenta e cinco anos depois e a Escola Agrícola Rainha dos Apóstolos continua mantendo o seu mister inicial: ensinar e educar crianças e adolescentes moradores de suas redondezas no quilômetro 23 da BR 174 (Manaus – Boa Vista). Há décadas, porém, jovens de lugares bem mais distantes do Amazonas buscam na escola um local onde possam aprender mais sobre agricultura, para depois voltar às suas localidades, em cidades no interior, com esse conhecimento.

“Tudo começou em 1974, quando o padre italiano Sandro Rigamonti chegou a este terreno com o objetivo de fundar uma escolinha primária para alfabetizar as crianças que, naquela época, já moravam nesta região”, contou Celso Batista de Oliveira, diretor da Rainha dos Apóstolos há 30 anos junto com a esposa Darlete Sansereth, diretora pedagógica da instituição.

Padre Sandro Rigamonti, já falecido, era adepto da Pedagogia da Alternância, surgida na França, em 1935, que prega o envolvimento das famílias, comunidades e ex-alunos do campo na busca da melhoria da qualidade de vida dos alunos na comunidade em que estão inseridos.

No Brasil a primeira experiência com a Pedagogia da Alternância foi com a implantação de uma escola no Espírito Santo, em 1968, pelo padre jesuíta Umberto Pietrogrande. No Amazonas, depois de fundar a Rainha dos Apóstolos e ficar à sua frente por mais de dez anos, padre Sandro Rigamonti fundou, em 1989, a escola família agrícola do Pacuí, no Amapá. Padre Sandro pertencia ao Pime (Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras).

600 alunos

“Vim para ajudar o padre Sandro na contabilidade da escola. Iria ficar uns 15 dias. Foi necessário ficar mais 15. Já se passaram 30 anos e estou aqui até hoje. Padre Sandro precisou seguir seu caminho, abrindo novas escolas agrícolas em outros lugares, e eu assumi a direção da Rainha dos Apóstolos, desde então”, falou Celso.

“No começo a escola era apenas uma casinha de madeira, mas aí fomos tendo apoio daqui e apoio dali e ela foi crescendo. Atualmente abrigamos 600 alunos, sendo 150 internos, 30 são mulheres, vindos de comunidades de vários municípios do interior. Eles recebem ensinamentos do fundamental ao médio e técnico agropecuário. Suas idades variam de 15 a mais de 20 anos. Temos agora um garoto com apenas 14 anos”, disse.

“Diariamente é posta em prática uma complexa infra-estrutura para o funcionamento normal da escola. Faça chuva ou faça sol, seis ônibus vão buscar e levar alunos não só moradores da estrada, e mesmo de Manaus, mas de vários ramais existentes ao longo da BR 174 até uns 40 km daqui”, revelou.

“Os 150 internos tem café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia, de segunda a sexta-feira. Nos finais de semana eles precisam ficar necessariamente na casa de algum parente, ou responsável, que more em Manaus. Destes internos é cobrada uma taxa de R$ 100, mensais, mas somente cerca de 20% têm condições de pagar”, informou.

“Nas aulas de técnicas agrícolas eles aprendem a tratar não só de plantas, mas também de animais como galinhas, peixes, coelhos, porcos e bois, cultivados e criados nos mais de 200 hectares do terreno”, explicou o diretor.

Com cerca de 35 a 40 funcionários, a escola recebe apoio da Semed, Seduc e do Programa Mesa Brasil, este, no fornecimento de alimentos.

Vagas concorridas

Segundo Celso, dois problemas acompanham os alunos que estreiam na escola vindos do interior. Geralmente eles não estão acostumados a regras, que na Rainha dos Apóstolos são rígidas, e a saudade de casa. “Muitos querem ir embora no dia em que chegam”, comentou.

Emidson Cidade de Oliveira, 21; e Joilton de Freitas da Silva, 17, são indígenas sateré-mawé, do município de Barreirinha. O primeiro morador da comunidade Simão I, e o outro da comunidade Santa Cruz.

O irmão mais velho de Emidson estudou na Rainha dos Apóstolos e já está em Barreirinha onde não continuou na agricultura, “mas eu vou ser diferente. Meu pai tem um terreno grande na comunidade e eu vou ajudá-lo a plantar mais banana e guaraná, que já tem lá”, afirmou o rapaz que conclui o ensino médio este ano. O irmão mais velho de Joilton também estudou na escola, se formou veterinário e hoje é professor em Barreirinha. Ainda no primeiro ano do ensino médio, o garoto não decidiu o que fará quando se formar.

“Apesar da distância da zona urbana de Manaus, nossas vagas são muito concorridas a cada ano. Daqui a alguns dias abriremos as vagas para 2020. Queremos convidar as pessoas a vir conhecer a nossa escola, pela beleza de ser uma escola agrícola, e para adquirir os nossos produtos, que inclusive são orgânicos. No próximo dia 27, sexta-feira, teremos uma grande feira realizada pelos alunos”, avisou Celso.

O telefone para quem quiser agendar uma visita é: 9 9113-7644.             

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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