Depois de discussões que já duravam três anos, a PEC 20/2014 foi aprovada no Plenário do Senado na última quarta-feira (16). A Proposta de Emenda à Constituição prorroga os benefícios tributários da Zona Franca de Manaus até 2073. Dividida em dois turnos de votação, no primeiro foram 58 votos favoráveis e nenhum contra. No segundo, o placar foi de 60 votos e nenhuma abstenção ou voto contrário. Deste modo, resta apenas a sanção presidencial para a PEC vigorar. Para especialistas, 59 anos de garantia para a indústria representa incentivo não apenas para a capital amazonense, mas para toda região.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, é um dos representantes do segmento que respira aliviado com a aprovação, mas estabelece novos debates para que a medida possa, de fato, representar uma nova etapa. “A partir de agora poderemos ampliar os investimentos e atrair novos mercados”, avalia.
Na ocasião, outro projeto também foi aprovado: a prorrogação da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) do setor de informática até 2029 (PLC 61/2014).
O relator da matéria na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) foi o senador e candidato ao governo do Estado Eduardo Braga (PMDB). Para ele, a manutenção da Zona Franca deve contribuir para a redução de desigualdades regionais e para o desenvolvimento da região. “A prorrogação significa mais investimentos e empregos”, alega.
Segundo o presidente do Sindmetal/AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), Valdemir Santana, empregabilidade é o fator mais importante com a renovação do tempo vital da ZFM. “Temos sofrido mês após mês com o problema de demissões nas empresas fixadas no Distrito. A estabilidade precisa refletir na manutenção desses cargos”, comenta.
O momento, de acordo com Périco, é de oportunidade, mas com a ‘obrigação’ de novas matrizes econômicas. “É importante que se renove o pensamento e se desligue dessa dependência atual. Os 62 municípios do Amazonas devem ser integrados às novas potencialidades”, adverte.
Empregos
A proposta altera o artigo 92-A do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), como forma de acrescer 50 anos ao prazo fixado no dispositivo, segundo o qual a vigência dos benefícios se encerra em 2023. Na avaliação do governo, o prolongamento da vigência da Zona Franca de Manaus oferece segurança jurídica para que os empresários mantenham projetos ou aumentem investimentos, além de permitir a continuidade de um regime que vem colaborando para o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia.
A Zona Franca de Manaus foi instituída pelo decreto 288/1967, visando a criação de um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que viessem a permitir o seu desenvolvimento, face à grande distância em que se encontra aquela região dos grandes centros consumidores de seus produtos.
O Polo Industrial de Manaus reúne cerca de 600 empresas de alta tecnologia nos segmentos eletroeletrônico, de informática e de produção de veículos de duas rodas. Essas empresas geraram, em 2013, cerca de 113 mil empregos diretos. Estima-se que as empresas gerem, ainda, cerca de 500 mil empregos indiretos. A receita total das empresas instaladas no polo alcançou quase R$ 90 bilhões no ano passado.
Aprovação amplia velha discussão
Em: 18 de julho de 2014
Prorrogação do modelo até 2073 abre espaço para novos caminhos ao polo industrial
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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