Arrecadação do AM segue em recuperação

Em: 12 de novembro de 2009
Em plena fase de recuperação da indústria, a receita tributária estadual (total dos impostos e taxas) fechou pela segunda vez consecutiva em alta, registrando em outubro o melhor resultado do ano (R$ 441,33 milhões)
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Em plena fase de recuperação da indústria, a receita tributária estadual (total dos impostos e taxas) fechou pela segunda vez consecutiva em alta, registrando em outubro o melhor resultado do ano (R$ 441,33 milhões)

Em plena fase de recuperação da indústria, a receita tributária estadual (total dos impostos e taxas) fechou pela segunda vez consecutiva em alta, registrando em outubro o melhor resultado do ano (R$ 441,33 milhões). Mas, apesar do avanço de 5,66% em relação a setembro (encerrado com R$ 417,66 milhões) e da considerável soma no acumulado de dez meses (R$ 3,66 bilhões), a perda de arrecadação estadual deste ano já alcança 7,73% contra igual período do ano passado. A estimativa da secretaria ante 2008 é de que, no ano, essa perda ultrapasse os 10%.
O diretor do Dearc (Departamento de Arrecadação da Secretaria de Estado da Fazenda), Gilson Nogueira, avalia que a arrecadação tem se mostrado positiva no último trimestre em virtude do fim das isenções concedidas pelo governo a título de preservar o mercado de trabalho local e por conta da retomada do ritmo de produção industrial. O executivo explicou que é importante focar nos resultados dos primeiros meses da instabilidade e analisar o contexto da receita estadual a partir da segunda metade do ano. “Isso é preponderante para se entender que, ao abrir mão de maior cobrança de tributos em troca da manutenção dos empregos na indústria, principal setor impactado pela crise, o governo do Estado pôde dar gás à economia, que agora começa a colher os resultados positivos”, argumentou o diretor do Dearc.

Margem de crescimento

Nogueira afirmou ainda que o Amazonas teve a maior margem de crescimento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) entre os Estados, alcançando 22% de incremento em outubro, bem acima da média histórica local que, até então oscilava entre 10% a 12% de crescimento. “Numa base de crescimento típica, ou seja, caso mantivesse em 2008 a média de 12%, este ano estaria acima dos indicadores. Enfrentamos crise, concedemos benefícios a alguns setores em queda e promovemos o Programa de Anistia. Esse esforço concentrado é o zelo que o governo estadual prioriza para a Zona Franca de Manaus: atingir o equilíbrio financeiro”, destacou.
Na opinião do auditor fiscal Wastony Bittencourt, de pouco vale observar a arrecadação nos últimos meses de 2008 para efeitos de comparação com as obtidas este ano, uma vez que em função da natural defasagem entre a geração dos fatos e o efetivo recolhimento dos tributos, muito do impacto da crise sobre o fisco naquele momento ainda não se fazia sentir. O consultor disse ocorrer uma sinergia no Estado entre os atores envolvidos no processo de arrecadação, onde o objetivo comum facilita o entendimento e a interatividade. “As pessoas querem pagar, mas querem facilidades. E o Estado dá muitas possibilidades, bem mais até que o município”, considerou.

“Arrocho não está nos planos”

Jornal do Commercio – Qual é o custo que as medidas anticíclicas trarão em médio e longo prazo para Manaus? Isso vai significar um aumento gradual de impostos a partir de 2010 ou a Sefaz considera fundo perdido?

Gilson Nogueira – Não. Não pode ser considerado fundo perdido e nem significa aumento gradual de impostos. As medidas foram ao encontro do resultado de discussões entre os principais segmentos da sociedade, seja comercial ou industrial, com ênfase maior à garantia da manutenção de empregos.

JC – Após a instabilidade, como ficam os planos de arrecadação para o Estado?

Gilson Nogueira – Nossa meta foi afetada em 2009 em virtude da desoneração de impostos para combater os efeitos da crise financeira, mas não desviou o traçado de nosso planejamento, o qual retornou ao seu alinhamento. Isto é, continuaremos com a tributação sem a desoneração concedida em caráter provisório e a prática da justiça fiscal, sem dar contornos de arrocho.

JC – Em outubro, o Estado registrou a maior arrecadação dos últimos 10 meses. A que se deve esse avanço na receita?

Gilson Nogueira – Com a proximidade de fim de ano, as empresas, principalmente o setor industrial, reabastecem os seus estoques de insumos, o que aumenta significativamente o volume de arrecadação. É natural esse comportamento. Maior o volume de entradas de mercadorias/insumos/produtos, maior o volume agregado. O ano de 2008 foi atípico na história da arrecadação de tributos (pela atipicidade da economia brasileira).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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