Mais uma vez o Amazonas atingiu recorde na arrecadação estadual. Em setembro, os cofres públicos do Estado recolheram R$ 5,43 milhões, um incremento de 2,65% sobre agosto, que já havia conseguido o maior depósito desde 2004.
Os dados fornecidos pela Sefaz (Secretaria da Fazenda do Estado do Amazonas) mostram que as previsões do secretário titular do órgão, Isper Abrahim, estão cada vez mais perto de se concretizarem. Na divulgação do resultado de agosto, o dirigente já havia comentado que a expectativa do órgão era ultrapassar o valor arrecadado em 2008, ano em que o Leão amazonense atingiu a melhor forma, abocanhando R$ 4,95 bilhões.
No nono mês de 2010, o fisco alcançou um percentual 17,54% superior ao registrado em igual período de 2008, quando havia obtido R$ 462,05 milhões. No acumulado dos nove meses, com R$ 4,38 bilhões, a receita estadual já conseguiu 88,48% do valor total de dois anos atrás. Naquela época, até setembro, haviam sido arrecadados apenas R$ 3,47 bilhões, percentual inferior de 26,07%.
ICMS em alta
Atualmente, o ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) é o tributo que responde por mais de 93,33% das receitas tributárias no ano. Só em setembro foram arrecadados R$ 504,74 milhões, o valor mais alto de 2010. Comparado aos iguais períodos de 2009 (R$ 384,08 milhões) e 2008 (R$ 436,33 milhões), houve alta de 31,42% e de 15,68%, respectivamente.
A indústria, mais uma vez, foi a maior fonte de arrecadação. Com R$ 271,14 milhões, o insumo industrial cresceu 29,33% sobre igual mês do ano anterior (R$ 191,61 milhões) e 9,60% frente a 2008 (R$ 247,40 milhões). Além disso, teve alta de 2,63% sobre o mês passado. Entretanto, permanece com um valor menor ao apresentado em abril (R$ 298,677 milhões) e maio (R$ 275,903 milhões) deste ano.
O diretor-executivo da Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, argumenta que os números mostrados pela manufatura amazonense no quarto e quinto mês do ano são atípicos, e aconteceram em decorrência da Copa. “Devido à eventualidade do Mundial, a indústria teve um pico na produção. Tanto que as horas de trabalho foram aumentadas, na tentativa de atender todas as demandas”, destacou. O dirigente também aposta em faturamento recorde para a indústria neste ano, ultrapassando a marca de US$ 30 bilhões, conseguida em 2008.
Com R$ 189,64 milhões, o comércio foi o setor que mais se destacou nos número do fisco estadual. Apesar de ser responsável somente por 34,92% da arrecadação total, e apresentar um valor 1,25% superior ao de agosto, o varejo amazonense alcançou um percentual 1.308,97% acima do obtido no ano passado (R$ 13,46 milhões).
Consumo em alta alavanca recolhimento do varejo
O presidente da Fecomércio/AM (Federação do Comércio do Amazonas), José Roberto Tadros, ficou surpreso com os números. O dirigente analisa que, com a economia estabilizada, houve um retorno ao consumo, agravante para o aumento. “No ano passado, os empresários haviam se retraído. Isso porque, apesar de não ser tão expressiva no país, a crise havia criado uma série de barreiras psicológicas. Porém, agora que a economia se arrumou, há mais confiança na aposta para o consumo”, justificou.
Especialista em finanças e métodos quantitativos, o economista Alex Giglio também se vale da mesma opinião, mas destaca que o restabelecimento da liquidez no país também favoreceu a economia, sobretudo o comércio. Ele lembra também que a base de comparação é muito baixa, em função da crise. “Houve um crescimento acentuado no consumo neste ano. Todavia, 2009 ainda apresenta valores pequenos para servir de referência”, ponderou.
“Vigilância constante”
No setor de serviços houve um crescimento discreto. Foram acrescentados R$ 767,94 mil ao resultado de julho, totalizando R$ 43,95 milhões. O IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) sofreu recuo de -0,61% sobre agosto, com R$ 13,34 milhões. Já o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) conseguiu R$ 26,04 milhões, alta de 23,67% sobre agosto, resultando no melhor valor do ano.
Segundo o secretário, os números cada vez mais altos mostram o resultado da vigilância constante da secretaria. “Não vou dizer que tenha acabado a sonegação de impostos, mas tem diminuído consideravelmente”, analisou.
Na última arrecadação, o economista e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Francisco de Assis Mourão, afirmou que, a partir de novembro, é provável que estes números recuem, em virtude do adiantamento dos pedidos da indústria.
Para o secretário da Sefaz, os bons ventos ainda se manterão até dezembro. De acordo com ele, o crescimento será discreto em relação aos outros meses, mas a secretaria espera grandes incrementos por parte da indústria. “A economia está aquecida e há boas encomendas no PIM (Polo Industrial de Manaus)”, finalizou.






