As peças valiosas e raras de Gesta

Em: 18 de julho de 2016
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Passear em meio às milhares de peças olímpicas (mais de 70 mil itens) do museu, ou melhor da Galeria Olímpica, como Roberto Gesta, 70, prefere chamar o local, é viajar no tempo, até antes mesmo da realização das primeiras Olimpíadas modernas, realizadas em 1896, em Atenas, conforme exemplificam algumas peças como a ânfora etrusca, do final do século VI a.C., onde aparecem dois boxeadores; ou o vaso grego, de cerca do século V a.C., mostrando um atleta segurando pesos para impulsão, se preparando para saltar em distância, ou triplamente.
Seguramente Roberto Gesta possui a maior coleção olímpica do país, e uma das maiores do planeta, também, pudera, desde Munique, em 1972, integrando o Comitê Olímpico Brasileiro (Gesta já foi a todas as Olimpíadas, dez, sem contar a do Rio, que já está se preparado para ir), ele aproveita para comprar uma peça aqui, uma coleção ali, e assim vem formando o valioso e raríssimo acervo que a cada Olimpíada aumenta em mais algumas peças.
Gesta credita essa sua mania de colecionador ao avô materno, o português Manoel Gesta. “Quando eu tinha seis anos ele começou a incutir em mim o gosto pela filatelia e numismática. Aprendi, com ele que, através daquelas pequenas peças, eu poderia conhecer o mundo. Quando eu tinha onze anos meu avô morreu e deixou as duas coleções dele para mim, e eu não parei mais até hoje, sendo que dos selos e das moedas, ampliei o colecionismo para outras peças, no caso, as olímpicas”, contou.
Desde 1993 Gesta é presidente da Confederação Sul-americana de Atletismo, e desde 1991 é membro do Comitê Executivo da Federação Internacional de Atletismo, mas seu envolvimento com o esporte teve início ainda na adolescência.

Amigo de Ademar Ferreira da Silva

Sem dúvida que o acervo reunido por Gesta nesses últimos 40 anos deixa qualquer um, até mesmo quem não liga muito para objetos antigos, extasiado. “Tenho medalhas de todas as Olimpíadas, desde 1896, que consigo em leilões, algumas sei até a quem pertenceram. De 1900, quando aconteceram em Paris, tenho 53 delas. Ninguém tem tantas, de uma mesma Olimpíada, quanto eu”, comemorou.
Sobre as tochas olímpicas, o símbolo maior do evento, existem apenas duas coleções completas no mundo e Gesta é possuidor de uma delas. Do Brasil ele possui, também acervos raros. Fotos e objetos pessoais de Ademar Ferreira da Silva (primeiro bicampeão olímpico do país, tendo conquistado as medalhas de ouro no salto triplo nos Jogos de Helsinque 1952, e de Melbourne 1956); João do Pulo (recordista mundial do salto triplo, medalhista olímpico e tetracampeão pan-americano no triplo e no salto em distância); e José Teles da Conceição (representou o Brasil nas Olimpíadas de 1952, em Helsinque, no salto triplo e no salto em altura, conseguindo a medalha de bronze neste último. No atletismo, foi o primeiro brasileiro a conquistar medalha nos jogos olímpicos. Ele também competiu nas Olimpíadas de 1956, no mesmo salto em altura, 200 metros rasos e revezamento 4×100 metros; e ainda nas Olimpíadas de 1960, nos 200 metros rasos). “O Ademar era meu amigo e veio várias vezes aqui em casa. Uma das salas da Galeria tem o nome dele, bem como do ucraniano Sergey Bubka, especialista em salto com vara, que também veio aqui”, disse.
Infelizmente o belo acervo olímpico de Roberto Gesta é particular e o grande público não pode conhecê-lo, mas fica a certeza de que, embora o Amazonas nunca tenha tido um único atleta recebedor de uma medalha olímpica, Manaus abriga esse rico e raro acervo, praticamente único no mundo.

Em todas as Olimpíadas, desde 1972

“Em 1960, então com 15 anos, fundei um clube de futebol e um de tênis de mesa. Sete anos depois, já na faculdade, fui eleito presidente da Associação Atlética e Acadêmica da Faculdade de Direito, mas recordo que um ano antes, em 1966, dava início à minha coleção de peças esportivas (ainda não olímpica). Trata-se da medalha de campeão amazonense universitário de tênis de mesa, ganha por mim, naquele ano, quando da realização do 1º JUAs (Jogos Universitários do Amazonas)”, riu.
O colecionismo de peças olímpicas teve início exatamente com os selos. “Em 1970 estava no Rio de Janeiro e comprei o livro espanhol “Sellos Olímpicos”, com todos os selos editados sobre o assunto, de 1896 a 1968. Aí comecei a ir atrás daquelas peças, que fui conseguindo uma a uma. Uma vez, também no Rio, conheci a viúva de um filatelista de peças olímpicas que queria vender o material do marido. Fui ver as peças e fiquei um dia inteiro, boquiaberto, olhando um a um o material que ele juntara durante décadas. Comprei tudo”, recordou.
Enquanto isso, em Manaus, Gesta fundava as federações de vôlei, tênis de mesa e atletismo. Pela sua amizade com Carlos Arthur Nuzman, hoje presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, em 1987, Gesta foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Atletismo e acabou vice-presidente de Nuzman na Confederação Brasileira de Vôlei. Mas as Olimpíadas já eram suas velhas conhecidas. “Em 1972, em Munique, eu fora para minha primeira Olimpíada e, desde então, tinho ido a todas as edições”, recordou.
E a cada Olimpíada, sem falar das viagens que continua a fazer pelo mundo em função das entidades que preside, ou representa, Gesta vasculha e garimpa as peças para a sua Galeria. “Com certeza eu possuo hoje a maior coleção privada do mundo sobre as Olimpíadas, mas existem outros grandes colecionadores pelo mundo. Ao menos uma vez por ano nós nos encontramos em algum lugar do planeta”, revelou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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