No próximo dia 5, as fábricas que compõem o setor de duas rodas do PIM (componentistas e de bens finais) completam um mês de espera pelo plano emergencial que promete ‘salvar’ o segmento da crise.
Apesar de algumas medidas do pacote econômico estarem pré-definidas, a previsão inicial da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) de um plano concreto para o dia 5 de julho não se cumpriu. A assessoria da autarquia informou que um novo prazo ainda não foi definido. A decisão final deve partir do governo federal que ainda estuda as propostas.
Enquanto isso, o polo de duas rodas já demitiu 1.946 funcionários nos primeiros sete meses do ano. De acordo com dados do Sindmetal (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), mais da metade dos desligamentos (1.012 postos) correspondem à Moto Honda, principal fabricante do segmento em Manaus. Outros 311 postos foram eliminados pela Yamaha. Os 623 cargos restantes foram subtraídos das demais empresas do setor.
O segmento metalúrgico, diretamente ligado à fabricação de motocicletas, também sentiu o ‘baque’ no período. Ao todo, foram 3.712 desligamentos, sendo 1.215 demissões homologadas somente no mês de julho.
O maior volume de férias coletivas também vem do polo de duas rodas com concessões para 20 mil funcionários entre junho e julho, ou seja, 80% do setor.
“Não está dando mais para segurar”, lamentou o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus (Sinmen), Athaydes Mariano Félix.
Ele conta que as empresas estão, como última medida, diminuindo os dias trabalhados para quatro vezes por semana como forma de evitar as demissões mas admite que o estoque nas lojas segue alto e que o descompasso entre a quantidade de motos produzidas e vendidas ainda é muito grande.
O presidente do Sindmetal-AM, Valdemir Santana, revela que é a primeira vez na história do PIM, que alguma das fábricas concede férias coletivas de 50 dias.
Sem revelar o nome, ele conta que uma das empresas do polo de duas rodas concedeu férias coletivas para 1.300 funcionários que deveriam voltar no inicio desse mês. No entanto, pelo menos 500 empregados deverão permanecer mais 20 dias em casa, totalizando 50 dias de recesso.
“O ministro Guido Mantega prometeu uma solução rápida, mas já se passou um mês e nada”, ressaltou.
Ele pondera que o pacote já deveria estar pronto, mas acredita que por ser a primeira vez que o setor passa por uma crise tão grave está sendo difícil adequar um plano de ação.
O dirigente lembra ainda que a medida já aprovada pelo Governo Federal que alterou a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para motos deveria ficar pronta em novembro do ano passado mas só foi aprovada em maio deste ano.
“Se esse pacote seguir o mesmo ritmo e tivermos os benefícios apenas em dezembro não adianta. Tem que ser agora para que os efeitos possam ser sentidos o mais breve possível.Com mais de 5 mil demitidos, fica cada vez pior esperar”, alertou.
O pacote
Em reunião desde o final de junho, representantes dos governo estadual e federal, Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) e Suframa já desenharam algumas soluções. O governo do Estado, por exemplo, definiu a desoneração do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) da energia elétrica e a prorrogação do pagamento do tributo em até 60 dias.
A Suframa deve prosseguir com a Suspensão do TSA (Taxa de Serviços Administrativos) para as empresas do segmento até dezembro deste ano e o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) estuda desonerar o PIS/Cofins (Programa de Integração Social/ Contribuição para Financiamento da Seguridade Social).
Um grande banco está sendo avaliado para facilitar o financiamento bancário para motocicletas, principal problema do segmento.
Todas as medidas serão transitórias, podendo chegar a 150 dias no máximo. E a efetivação só deve ocorrer com o compromisso das empresas do setor em não demitir mais funcionários.
Atraso no pacote traz apreensão
Em: 3 de agosto de 2012
Medidas anticrise estão sendo aguardadas há quase um mês e setor espera reverter os números negativos do semestre
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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