Os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil no Amazonas anunciaram em reunião realizada na tarde de ontem que paralisarão suas atividades hoje, acompanhando movimento nacional. De acordo com o presidente do Conselho Superior do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loreiro, essa suspensão temporária não prejudica a economia amazonense de imediato.
Segundo o presidente do Sindfisco (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Amazonas), Eduardo Toledo da Silva, o principal objetivo é sensibilizar o governo sobre as reivindicações de melhorias salariais aprovadas em Assembleia Nacional em março deste ano. O reajuste seria de 30,19% no salário final. “Nós não queremos greve, mas precisamos chamar a atenção de Brasília para os nossos problemas”, destaca.
O último ajuste salarial concedido à categoria foi em 2008, tendo sido parcelado até 2010. Em 2011, as solicitações de negociação não foram atendidas. Este ano, o sindicato se uniu e pretende ir até a presidente da República para ser ouvido. “A nossa primeira reivindicação é se podemos nos expressar! Sabemos que neste ano não teremos aumento, mas já estamos nos programando para entrar no orçamento nacional do ano que vem!”, explica Toledo.
Embora a paralisação ainda não afete o Polo Industrial de Manaus, Loureiro aponta para problemas futuros. “Semana após semana, a produção nas indústrias pode ser prejudicada. Hoje, ainda temos estoque, mas se a greve for anunciada, começaremos a falar em prejuízo”, lamenta Loureiro.
Em pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial no Amazonas apresentou uma queda de 0,4% de fevereiro em relação a janeiro de 2012. Quando relacionados os dados da mesma época, em 2011, notou-se uma diminuição na produtividade de 8,3%. Com o anúncio da paralisação dos auditores fiscais da RFB, esses números podem cair ainda mais. “Por ora, o que faremos é notificar o Sindfisco sobre o quanto uma greve nos prejudicaria enquanto sociedade e empresa”, adianta.
Reflexos de 2008
No total, foram 55 dias de greve entre os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil. Na ocasião, a classe paralisou no final do mês de março e os reflexos puderam ser sentidos até o segundo trimestre daquele ano. De acordo com pesquisa elaborada pelo Departamento de Estudos Econômicos e Empresariais da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), datas importantes para o calendário do comércio como o Dia das Mães não puderam ser aproveitadas como deveriam.
Maurício Loureiro explica que a produção sempre é planejada a partir de trabalhos anteriores. “Muitos pedidos feitos à indústria deixaram de ser atendidos por conta do atraso na liberação de insumos”, comenta e continua “se a greve se instalar, talvez o quadro visto há quatro anos possa se repetir”.






