Ausência do Carnaval deve impactar setor de serviços

Em: 16 de fevereiro de 2022

Os efeitos do cancelamento do carnaval começam com a redução de 33,7%  nas receitas em comparação a 2020

Por Andreia Leite

De uma forma ou de outra, o Carnaval 2022 sujeito a restrições e cancelamentos deve impactar o setor de serviços em todo país. Os efeitos começam com a redução de 33,7%  nas receitas em comparação a 2020, período antes da pandemia ser decretada. As projeções são da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Este ano, 11 das 26 capitais já confirmaram que manterão o calendário. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, lembra que, apesar de o carnaval não ser feriado nacional, é o principal evento da agenda do turismo brasileiro. “Independentemente das festas que, em sua maioria, foram adiadas ou canceladas neste ano, a decretação de feriado ou ponto facultativo, em níveis regionais, acaba movimentando o setor de forma significativa”. 

De acordo com a CNC, o evento vai gerar uma movimentação financeira de R$ 6,45 bilhões, o volume de receitas deve ser 21,5% maior do que o registrado em 2021. 

A expectativa para o período é que, mesmo sujeito a restrições, o segmento de alimentação fora do domicílio, representado por bares e restaurantes, movimente R$ 2,78 bilhões, seguido pelas empresas de transporte de passageiros rodoviário (R$ 1,55 bilhões) e pelos serviços de hospedagem em hotéis e pousadas (R$ 0,66 bilhões), cuja receita é parcialmente gerada de forma antecipada. Juntos, os três segmentos responderão por mais de 84% de todo o volume financeiro produzido na data.

Prestadores de serviços sentem os efeitos

Apesar do Amazonas não fazer parte dos destinos procurados para a folia,  o turismo de eventos que atua nas tradicionais bandas de rua foi automaticamente impactado.“Sem as festas de rua, ninguém aluga som, nem palco, iluminação, isso tudo faz parte desse nicho de mercado, além das costureiras que trabalham em galpões com a confecção de tururi, aderecistas, artistas plásticos. Toda essa cadeia de prestadores de serviços foi afetada”,  garantiu o empresário do setor Orsine Júnior. 

“Está sendo um baque muito grande  para  toda essa  gama de profissionais que é empregado no Carnaval e que anualmente aguarda essa época do ano para gerar a sua renda”, acrescentou. 

Ele também reforça que os operadores de turismo emissivo estão prejudicados porque a maioria dos destinos que concentram a festa de Carnaval cancelaram.  

Perspectivas

Em relação à expectativa dos empresários amazonenses, o presidente da Fecomércio AM, Aderson Frota, destaca os fatores que influenciam o setor comercial nessa sazonalidade. “O período chuvoso e de férias contém o ânimo do consumidor para o aumento na intenção de compras. Nossa expectativa é que teremos perdas, mas restrita ao setor de alimentos, bebidas, e ao vinculado às fantasias carnavalescas. Com o cancelamento do Carnaval e o adiamento em alguns estados, a expectativa também foi adiada”, explica.

Para o superintendente do Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), Luiz Nicolaewsky,  apesar das mudanças com o cancelamento em algumas localidades e o adiamento em outras, as associadas do Sindicerv preveem bons resultados no Carnaval. “Em 2021, empresas e setores que souberam se portar diante do cenário imposto tiveram esse esforço reconhecido pelos consumidores e investidores e mostraram a efetividade e criatividade do nosso setor no escoamento da produção”.

Recuperação gradual

O economista da CNC responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, avalia que a desaceleração da pandemia e a queda do isolamento social ao longo de 2021 viabilizaram a retomada gradual da atividade econômica no turismo e que, após a segunda onda da doença, o volume de receitas do setor chegou a acumular alta de 57,5%, segundo o Índice de Atividades Turísticas, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Entretanto, os impactos adversos decorrentes da deterioração das condições econômicas e, principalmente, da chegada da variante Ômicron passaram a limitar o ritmo de recuperação do segmento no fim do ano passado”, observa.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, os preços dos bens e serviços mais demandados durante o carnaval registraram oscilação média de +8,6%, situando-se, portanto, abaixo da inflação média no período (+11,1%). A CNC projeta variação de 9,8% nos preços médios desses bens ou serviços. Devem se destacar as altas nos preços das passagens aéreas (+23,4%), carnes (+12,95) e bebidas para consumo no domicílio (+12,8%).

Para o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, apesar de ser um período de maior procura, a tendência é que os preços tenham uma variação inferior à prévia da inflação oficial, por conta do panorama incomum. “No carnaval de 2021, o preço médio da hospedagem recuou 8,9% em relação ao carnaval anterior. Já em 2022, apesar da recuperação parcial do turismo, o preço médio deve subir 5,9%. Ou seja, os meios de hospedagem seguem mais baratos que no carnaval de 2020. Isso mostra que o setor tem se esforçado para manter os preços mais baixos, apesar da inflação, para atrair o turista”, afirma Sampaio.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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