Pesquisadores descobrem planta nativa da Amazônia que já está ameaçada de extinção

Em: 16 de fevereiro de 2022

Tovomita cornuta, árvore de pequeno porte, foi descoberta no nordeste do estado do Amazonas

Uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta está no Brasil, a floresta Amazônica. Motivo de orgulho para muitos, mas também de preocupação, pois a exploração desordenada dos recursos do maior bioma do país ameaça até mesmo aquilo que não conhecemos ainda: espécies nativas da floresta que não foram sequer descobertas pelos cientistas.

Uma nova espécie da flora brasileira foi descoberta na região Norte do país durante uma pesquisa ecológica inédita feita por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A Tovomita cornuta, uma árvore de pequeno porte já considerada ameaçada de extinção, está descrita em um estudo publicado na revista “Acta Botanica Brasilica” na quarta (16).

Descrita a partir de pesquisa de campo feita por Layon Oreste Demarchi, em parceria com Maria Teresa Piedade e Lucas Marinho, a nova espécie pertence a um grupo de plantas que compreende 53 espécies exclusivamente neotropicais da família Clusiaceae. Os indivíduos são encontrados em florestas de campinarana, no nordeste do Amazonas.

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Tovomita cornuta, nova espécie de planta nativa da Amazônia. Planta já está ameaçada de extinção. — Foto: Layon Oreste Demarchi/Divulgação

As campinaranas são um tipo de vegetação diferenciada que se desenvolve sobre solos arenosos extremamente pobres em nutrientes. Apesar de ocupar aproximadamente 7% da Amazônia legal, há poucos estudos sobre ela. Esse é o habitat da Tovomita cornuta, que se diferencia das outras espécies principalmente pelo formato de seus frutos, que apresentam pequenas protuberâncias semelhantes a cornos, característica que dá nome à planta. As áreas de ocorrência da espécie já são impactadas pelas atividades humanas.

“Devido à alta diversidade, à grande extensão territorial e aos diversos grupos taxonômicos, a descoberta de novas espécies na Amazônia acontece principalmente quando se realizam trabalhos de coleta de campo de longa duração. Nessa descoberta da espécie Tovomita cornuta, identificamos que seu status de conservação já é ameaçada de extinção devido às pressões sobre sua área de ocorrência, que sofre com a expansão urbana não planejada, o desmatamento da mata, a extração de areia para a construção civil e a consequente perda de habitat”, destaca Demarchi.

A descoberta da espécie é resultado de uma pesquisa de campo realizada durante quatro anos. Para o pesquisador, investir em estudos com financiamento de longo prazo, além de fortalecer os institutos de pesquisas, que passam pelo sucateamento dos investimentos federais e pela falta de pessoas devido à escassez de concursos públicos, é o caminho para aumentar o conhecimento botânico brasileiro.

“Ainda existem muitas plantas não descobertas na Amazônia e a única maneira de identificarmos e conhecermos mais da nossa flora é por meio da pesquisa de campo intensiva e de estudos taxonômicos detalhados. Deste ponto de vista, a pesquisa ecológica de longo prazo é uma opção de investimento adequada. A descoberta de T. cornuta é um exemplo da relevância do trabalho de campo e destaca como estudos ecológicos e taxonômicos podem interagir para revelar a biodiversidade amazônica”, ressalta o pesquisador.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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