Além de desafogar o trânsito de Manaus, a Avenida das Torres valorizou a área por onde passa a estrada em mais de 300%. Na Colônia Japonesa/Jardim Oriente, situada no Parque 10, o metro quadrado, que no início das obras, em meados de 2007, foi vendido a R$ 20, hoje custa entre R$ 80 e R$ 100. A projeção imobiliária é que um imóvel pronto na área deverá custar entre R$ 150 mil e R$ 250 mil quando a avenida estiver pronta.
O empresário do ramo imobiliário, José Maria de Aguiar Braule Pinto, informou que a corrida pela área –que inicialmente era mais voltada para residências populares, estilo rural– já aconteceu e, no momento em que a estrada for entregue, irá começar o lançamento de novos produtos, como apartamentos, conjuntos residenciais para uma população de maior poder aquisitivo. “Como houve uma supervalorização do metro quadrado da área, um imóvel residencial deve ser financiado entre R$ 150 e R$ 250 mil futuramente”, informou.
Segundo Braule Pinto, o tipo de moradia se dá de acordo com o perfil dos compradores, que no caso da área do Parque Dez, tem sido mais focada para imóveis horizontais, ou seja, a preferência ainda é para casas.
O presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), Roberto Tadros, também aponta que a área por onde passa a Avenida das Torres se valorizou e se tornará mais cara ainda quando a estrada estiver em operação. “Trata-se de uma via que, além de propiciar valorização imobiliária, será de vital importância para o escoamento de veículos, porque vai oferecer alternativas de tráfego de uma zona da cidade a outra sem passar pelas avenidas principais”, comentou.
Entrega mantida
A Seinf (Secretaria de Estado de Infraestrutura) trabalha a todo o vapor para cumprir o cronograma de entrega da obra, orçada em R$ 43 milhões, no fim do ano. Mais de 200 trabalhadores e 50 máquinas fazem parte da frente de trabalho da avenida, que terá a extensão de 9.500 metros.
Pelos cálculos da Suhab (Superintendência de Habitação e Assuntos Fundiários do Estado do Amazonas) 80% das desapropriações já foram realizadas, o que significa 171 de um total de 181 imóveis, entre residências e sítios. As dez restantes estão em fase de negociações.
A diretora-técnica do órgão, Waldívia Alencar, garante que as obras da avenida que ligará as zonas norte, leste e centro-sul de Manaus estão bem adiantadas, inclusive a iluminação pública já está sendo implementada pela Amazonas Energia. “As obras estão caminhando em ritmo excelente, logo não vejo motivo para que o cronograma não seja cumprido”, respondeu a engenheira, ressaltando que as empreiteiras contratadas pelo governo têm todo o mês de novembro e mais 20 dias em dezembro para concluir a obra.
Segundo Waldívia Alencar, com a chegada do verão a obra tomou novo impulso, tanto a parte de drenagem como a construção das duas pontes para transpor o Igarapé do Mindu de um lado para outro. A extensão total da avenida é de 6.300 metros e, ao longo da estrada, existem várias ligações com ruas já existentes nos bairros do Parque Dez, zona centro-sul, e Cidade Nova, zona norte, que totalizam 3.200 metros, o que resulta em 9.500 metros.
Eixo viário vai ligar Norte e Sul
A Avenida das Torres se constituirá num novo eixo viário Norte/Sul e demanda recursos de R$ 43 milhões, sendo R$ 13 milhões destinados à construção das duas pontes sobre o Mindu, que já estão prontas. Com orçamento do governo do Estado e contrapartida da Caixa Econômica Federal, a obra objetiva fluir a malha viária da cidade. “Precisamos dar maior agilidade ao trânsito da capital amazonense e o projeto da Avenida das Torres tem papel de melhorar a infraestrutura da cidade”, assegurou a diretora-técnica da Seinf, lembrando que a avenida também será caminho alternativo para a Torquato Tapajós e Efigênio Sales, vias que já enfrentam saturação de tráfego.
A Avenida das Torres vai ligar a zona leste à zona norte de Manaus. Segundo o projeto, a nova avenida começa na Alameda Cosme Ferreira, no Coroado, zona leste, na altura da concessionária Murano, cortará parte da cidade, seguindo a diretriz das torres de alta tensão da Manaus Energia, passando pelo bairro Parque das Laranjeiras, até chegar a Cidade Nova, na altura da avenida Timbiras.
Segundo trecho
Somando aos outros dois trechos que serão licitados, a avenida se estenderá até o Igarapé do Passarinho, na zona norte. Quase a totalidade da avenida terá oito pistas, sendo quatro para cada mão de direção, com um total de aproximadamente 14 metros de largura. Estudos apontam que a avenida terá capacidade para receber um fluxo de cerca de mil carros por hora. O segundo trecho da via prevê a construção de um túnel que passará debaixo do terminal de ônibus da Cidade Nova, zona norte. Já a última etapa levará o corredor viário até o Igarapé do Passarinho.
Chuvas e licenciamento ambiental
As obras da Avenida das Torres iniciaram em agosto de 2007. No entanto, o longo período de chuvas, somado à suspensão dos trabalhos por parte do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas), no ano passado –pela ausência do licenciamento ambiental da obra em sua totalidade-, deixou as obras paralisadas por alguns meses. Waldívia Alencar garante que resolvido esse impasse tudo fluiu normalmente.
A avenida é apontada pelo poder público como uma importante via de escoamento, levando em conta que Manaus recebe, a cada mês, cerca de 3.000 novos veículos -conforme o Detran-AM (Departamento de Trânsito do Estado do Amazonas)- o que requer um trabalho constante com o planejamento da cidade.
Trânsito saturado
A expectativa do poder público estadual é que quando a avenida estiver concluída Manaus ganhará um corredor viário que cortará toda a cidade, interligando as zonas Norte, Leste e Centro-sul e que a Avenida das Torres servirá como caminho alternativo para vias como a Torquato Tapajós, Efigênio Sales, João Valério, Djalma Batista e Constantino Nery, que se encontram hoje em situação de saturação de tráfego.
A indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus) vibra com a possibilidade de que esta obra possa efetivamente trazer uma melhoria no fluxo de veículos da capital amazonense, principalmente no trajeto do Distrito Industrial para o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e vice-versa, por conta da demanda de produtos que saem de Manaus, via aérea, e da matéria-prima importada (partes e peças) que chega.







