A decisão do governo dos EUA de reduzir os juros e a expectativa de uma nova queda na semana que vem aumentaram ainda mais o diferencial entre a taxa praticada na maior economia do mundo e no Brasil. O que, em outros momentos, porém, tornaria o país mais atrativo para aplicações de curto prazo, desta vez não deverá favorecer o fluxo de capital especulativo para o Brasil.
Ao contrário, para especialistas ouvidos pela Folha, o pânico domina a cena. Com a aversão ao risco pesando mais nas decisões do que a rentabilidade oferecida e a necessidade de compensar perdas em outros mercados, o Brasil poderá até registrar novas saídas de recursos externos ou simplesmente ver crescer a venda de seus títulos negociados lá fora.
Entre as economias emergentes, o Brasil é considerado um dos países com maior liquidez, o que significa um volume grande de negociações de títulos de dívida. A participação do país no Embi Global, um indicador que contabiliza todos os papéis de economias emergentes que são diariamente comprados e vendidos no mercado internacional, é de 15%, ante 12,7% da Rússia, 12,6% do México, 9,1% da Turquia e 7,3% das Filipinas e da Venezuela.
Como é fácil vender e o ganho é bom, na hora do desespero, os investidores “lançam mão de Brasil”. Foi o que houve em agosto, quando a crise nos EUA fazia os primeiros estragos. Naquele momento, porém, o câmbio se desvalorizou aceleradamente, o que estimulou ainda mais os investidores a se desfazerem de papéis do Brasil. E agora? Dessa vez, o ponto mais vulnerável tem sido a Bolsa e deverá continuar sendo.







