A corrente de comércio exterior do Amazonas retomou força em dezembro e somou US$ 773.96 milhões (2019), 26,42% a mais do que o apurado no mesmo mês de 2018 (US$ 612.19 milhões). Mas, diferente do ocorrido em novembro, tanto as exportações, quanto as importações avançaram. Os dados são do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e foram disponibilizados pelo portal Comex Stat, nesta segunda (6).
As vendas externas do Estado totalizaram US$ 77.43 milhões, 106,92% acima da marca de dezembro de 2018 (US$ 37.42 milhões) e 2,69% a menos do que o registrado em novembro de 2019 (US$ 79.51 milhões). O acumulado fechou no azul, ao passar de US$ 670.04 milhões (2018) para US$ 740.02 milhões (2019), uma diferença de 10,44%.
No caso das importações, os US$ 696.53 milhões (2019) corresponderam a altas de 21,18% em relação ao número de 12 meses atrás (US$ 574.78 milhões) e de 2,81% diante de novembro de 2019 (US$ 677.49 milhões). De janeiro a dezembro (US$ 10.16 bilhões), houve incremento de 1,70% em relação ao mesmo acumulado de 2018 (US$ 9.99 bilhões), fechando o ano com o quinto resultado positivo seguido, neste tipo de comparação.
A China (US$ 264.94 milhões) permaneceu como o principal país fornecedor para o Amazonas, seguida por Estados Unidos (US$ 91.12 milhões), Vietnã (US$ 53.74 milhões), Coreia do Sul (US$ 41.86 milhões) e Taiwan (US$ 37.50 milhões). Os três primeiros aumentaram seu volume de vendas em relação a 2018, enquanto os dois últimos reduziram.
Os produtos mais importados pelo Estado, em dezembro, foram insumos industriais para o PIM, como circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 88.03 milhões) e partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 86.82 milhões). Celulares (US$ 50.93 milhões), platina (US$ 46.47 milhões) e componentes para veículos de duas rodas (US$ 34.80 milhões) vieram nas posições seguintes. Houve retração de volume comercializado, no caso de celulares e componentes para TV, na comparação com 2018.
“O aumento das importações reflete a atividade do Polo Industrial de Manaus e é um bom termômetro da atividade da indústria no período. Esperamos que o setor continue assim nos próximos meses, embora o primeiro trimestre costume ser mais fraco para o comércio exterior”, ponderou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima.
Argentina e primarização
Destino tradicional das exportações do Amazonas, a Argentina reduziu suas compras (-53,02%), de US$ 12.15 milhões (2018) para US$ 7.94 milhões (2019), e ficou em terceiro no ranking das exportações do Amazonas de dezembro. Venezuela (US$ 17.88 milhões) voltou a ocupar a primeira posição. A surpresa veio da Espanha (US$ 8.51 milhões), que subiu para a segunda colocação – vitaminada pela compra de soja (US$ 8.31 milhões). Foi seguida por Bolívia (US$ 7.77 milhões) e Estados Unidos (US$ 5.62 milhões).
Em dezembro, a lista de vendas externas do Estado foi encabeçada novamente pelas preparações alimentícias/concentrados (US$ 14.32 milhões). Na sequência, vieram soja (US$ 8.31 milhões), motocicletas (US$ 7.31 milhões), açucares de cana/beterraba (US$ 7.09 milhões) e ferro-ligas (US$ 5.67 milhões). Apenas motocicletas sofreram decréscimo de vendas em relação a 2018 (US$ 7.66 milhões).
O gerente executivo do CIN, diz que o aumento nas vendas externas do Amazonas já era esperado, assim como a retração nas compras da Argentina e a liderança atípica da Venezuela, em virtude da compra de itens não produzidos localmente (açucares, óleo de soja, extratos de malte e margarina). Já o segundo lugar da soja na pauta de exportações amazonenses, graças à demanda espanhola, foi inesperado.
“É outro produto não originário do Estado, mas que acaba sendo escoado pelo porto de Itacoatiara, aumentando o saldo das nossas exportações. Isso deve continuar acontecendo nos próximos meses. Outra coisa que me surpreendeu foi a subida da Bolívia e a queda da Colômbia, no nosso ranking de vendas externas, que atribuo a uma realocação de vendas de concentrados. E o polo de duas rodas está fazendo esforços para compensar a queda da demanda na Argentina”, analisou.
Câmbio de demanda
Marcelo Lima lembra que as exportações e importações do Amazonas devem sofrer refluxo sazonal nos primeiros meses do ano, como de hábito. Estima também que o panorama mundial, marcado pelas disputas comerciais entre China e Estados Unidos, assim como o conflito aberto pelos norte-americanos com o Irã, apontam para oscilações nos números de comércio exterior do Estado.
“O Irã não é um parceiro comercial do Amazonas e tem relativamente pouca relevância para o Brasil. Mas, os efeitos da crise no Oriente Médio já são sentidos no câmbio e nas bolsas de valores do mundo. Se a situação se prolongar, pode gerar efeitos negativos no custo do frete das mercadorias e na demanda dos países”, finalizou.






