A corrente de comércio exterior do Amazonas travou em janeiro. Ao contrário do ocorrido em dezembro, as exportações começaram o ano no campo negativo, a despeito das importações terem crescido na mesma comparação. Os dados são do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e foram disponibilizados pelo portal Comex Stat, nesta terça (4).
As vendas externas do Estado voltaram a oscilar e interromperam uma sequência de duas altas mensais seguidas, ao totalizar US$ 58.31 milhões, número 24,69% abaixo do patamar de dezembro do ano anterior (US$ 77.43 milhões) e 8,60% aquém da marca registrada 12 meses atrás (US$ 63.80 milhões).
O saldo das importações, por outro lado, voltou a subir, após a alta do mês passado. Os US$ 950.17 milhões (2019) de janeiro de 2020 correspondem a um incremento de 3,03% em relação ao número apresentado no mesmo mês do ano passado (US$ 922.25 milhões) e a um salto de 36,41% frente a dezembro de 2019 (US$ 696.53 milhões).
Do lado das compras do Amazonas no estrangeiro, o principal país fornecedor em janeiro de 2020 seguiu sendo a China (US$ 418.37 milhões), seguida por Estados Unidos (US$ 90.69 milhões), Vietnã (US$ 65.70 milhões) e Coreia do Sul (US$ 63.74 milhões). Os dois primeiros aumentaram suas compras, enquanto os demais sofreram retrações.
Os produtos mais importados pelo Estado em outubro foram, como de costume, insumos industriais para o PIM, como circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 137.15 milhões) e partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 132.37 milhões). Celulares (US$ 76.03 milhões) e platina (US$ 65.98 milhões) vieram nas posições seguintes. Houve recuos nos dois primeiros itens e alta nos dois últimos.
O gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, observa que, as importações sofrem redução em dezembro, afetando a base de comparação, mas não descarta outros fatores que também possam ter contribuído para o crescimento atípico registrado pelas aquisições estrangeiras do Amazonas em janeiro.
“O normal é que a indústria compre muita matéria prima em outubro e novembro e diminua um pouco no fim do ano, quando as fábricas dão férias coletivas. Também pode ter acontecido um atraso na chegada das mercadorias, ou mesmo em sua contabilização junto à Receita, e o que era para ser registrado em dezembro, acabou sendo oficializado em janeiro. O importante é que nosso panorama econômico está melhor do que o de janeiro do ano passado, com reflexos no comércio exterior”, ressalvou.
Câmbio e perspectivas
Destino tradicional dos produtos do Amazonas, a Argentina interrompeu uma sequência de baixas e ampliou em 41,40% suas compras na comparação com janeiro de 2019, de US$ 5.99 milhões (2019) para US$ 8.47 milhões (2020), subindo para o segundo lugar no ranking das exportações do Estado. Só perdeu para a Venezuela (US$ 13.41 milhões), mas ficou à frente da Colômbia (US$ 5.61 milhões), dos Países Baixos (US$ 3.83 milhões) e da China (US$ 3.70 milhões).
A lista de exportações pelo Estado foi encabeçada novamente pelas preparações alimentícias/concentrados (US$ 9.33 milhões), com recuo de 35,61% em relação a 12 meses atrás (US$ 14.49 milhões). Motocicletas (US$ 6,24 milhões), ferro ligas (US$ 5.14 milhões) e aparelhos de TV (US$ 4.26 milhões) vieram na sequência, com elevações para os manufaturados e retração para o item primário.
No entendimento do gerente executivo do CIN, o decréscimo nas vendas externas do Amazonas já era esperado, pela sazonalidade, e também pelo menor número de dias úteis no mês. Marcelo Lima espera que a apreciação do dólar contribua para tornar o produto regional mais atraente e alavancar as exportações do Amazonas, mas ainda se diz preocupado pela influência da conturbação política em grande parte dos países vizinhos, mercados preferenciais dos produtos do Estado.
“Colômbia e Equador permanecem estáveis, mas Bolívia, Chile e Argentina ainda sofrem problemas. A liderança da Venezuela só se sustenta pela compra de itens não produzidos aqui e fornecidos por atacadistas locais. A boa venda de TVs para o exterior, por outro lado, é uma boa notícia e sinaliza que o Distrito está voltando a apostar na exportação desses produtos. É um ano promissor para o comércio exterior, pois teremos a vinda de delegações dos Estados Unidos, Suíça, Bulgária e países árabes para prospectar negócios aqui, já no terceiro trimestre. Isso nunca acontece nesse período”, finalizou.







