Usuária de média e alta tensão, a indústria amazonense aguarda a chegada da primeira fatura de energia já adicionada em 17,78%. A falta de uma justificativa do MME (Ministério de Minas e Energia) levou à Brasília, representantes da indústria e integrantes da bancada amazonense para cobrar explicações do titular da pasta, deputado Fernando Coelho Filho. Enquanto nada se resolve, a primeira quinzena sob nova tarifação foi de produção lenta e, segundo lideranças, pode ter demissões como reflexo direto.
Representantes da bancada amazonense, coordenados pelo deputado federal Átila Lins, em audiência com o ministro de Minas e Energia, discutiram problemas da energia elétrica no Estado do Amazonas, como apagões e o aumento da tarifa. “O nosso Estado acaba de sofrer uma majoração na taxa de energia elétrica, um dos maiores reajustes repassados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) no país. E o mais grave é que, além de não termos ainda uma justificativa capaz de explicar as razões desse reajuste tão escorchante, ainda há o fato de que os apagões se repetem em todos os municípios do Amazonas, principalmente em Manaus e nas cidades do entorno”, disse Lins em uma rede social.
Indústria impactada
Em vigor desde o primeiro dia de dezembro, o reajuste traz de volta o velho fantasma da baixa produção, disse o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo. “Se repete o que houve em janeiro de 2016, um aumento massacrante de mais de 40% na tarifa. Os custos de produção foram elevados, houve um maior risco de demissões e do lado do consumidor final, também prejudicado por uma tarifa mais alta, houve a redução do consumo”, afirma.
Esperar que o comércio reaqueça pode ser a única saída para a indústria voltar a ter força para funcionar. “O aumento vem em uma época de poucos gastos, fim de um ano e início de outro, não se compra no comércio e não se contrata serviços. Isso afeta toda a cadeia produtiva e não temos muito que fazer a não ser esperar. E as previsões de melhora ficam entre três e quatro meses, um longo período que pode causar prejuízos sérios a indústria”, disse.
Segmentos mais vulneráveis
Segundo Azevedo, toda a cadeia produtiva está comprometida, mas alguns segmentos são mais vulneráveis. “Segmentos menores que têm contratos com a grande indústria não têm como negociar e é impossível repassar os custos. A saída é reduzir a margem de lucro e isso afeta a competitividade”, comenta o executivo.
Dependentes de média e alta tensão, algumas empresas componentistas que alimentam o PIM (Polo Industrial de Manaus) serão as maiores prejudicadas com a medida, conta o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco. “A indústria de injeção plástica já havia sofrido em janeiro, quando houve a autorização de um aumento de 42,55%. É um segmento que não pode repassar esse custo ao PIM”, afirma.
Reajuste justificado
Como justificativa para o aumento, a Eletrobras afirmou ser este o reflexo com os custos de transmissão, de compra de energia e encargos setoriais. O reajuste seria também uma forma de recuperar perdas, provenientes do furto de energia (em 120 mil inspeções forma detectadas 62 mil irregularidades, 52% do total). De acordo com a empresa, no ano de 2015 as perdas globais foram de 40,43% de energia injetada, ou 4.28 GWh (gigawatt-hora) ao ano.







