Morreu ontem (14), aos 87 anos, o diretor-presidente da Rede Amazônica de Rádio e Televisão, Phelippe Daou. O jornalista estava internado no Hospital Sírio Libanês em São Paulo (SP) onde seria submetido a uma cirurgia. Os diretores da empresa informaram que a causa da morte seria infarto. Após o translado do corpo, o velório será realizado na capela Sagrada Família, no Studio 5, av. Gen. Rodrigo Otávio, 3555, Distrito Industrial, zona Sul da cidade.
Phelippe Daou foi um dos fundadores da Rede Amazônica, juntamente, com os amigos Joaquim Margarido e Milton Cordeiro, também falecidos neste ano, nos dias 5 e 31 de outubro, respectivamente. O jornalista e empresário visionário destacou-se como defensor da Zona Franca de Manaus. Foi membro do Conselho Deliberativo da Associação Amazonense de Imprensa e Associação Comercial do Amazonas. Essa instituição que por consenso representava toda a classe empresarial. Em seu último discurso, o empresário falou aos funcionários durante missa de aniversário de 44 anos da Rede Amazônica, em Manaus.
“Verdade, justiça e liberdade. Isso não é negociável nunca. Nunca passe pela cabeça de vocês que serão os nossos sucessores, pessoas que vão dar vida, e quem sabe dar maior dimensão à Rede Amazônica, porque a Amazônia sem a Rede Amazônica, ela não será a grande região que todos nos desejamos. Vocês veem as dificuldades que são opostas. Vocês veem o combate que a gente faz diariamente em defesa da região. E é quase que, verdadeiramente, a lágrimas de sangue, que a gente dá um passo à frente, mas quando a gente consegue, é tão grande a nossa alegria, tão grande é o resultado do esforço que a gente diz: valeu a pena”, disse em tom de despedida.
Durante coletiva de impressa, concedida na tarde de ontem (14), membros da diretoria da Rede Amazônica informaram sobre as circunstâncias da morte do seu diretor-presidente. Segundo o diretor-administrativo Alexandre Caxias, o quadro era estável, mas houve complicações após um princípio de infarto que ocorreu no domingo, vindo a óbito por volta das 11h, já na quarta-feira (14). “Ele se submeteu a esse procedimento cirúrgico e, infelizmente, no pós- operatório o organismo não respondeu como se esperava e terminou vindo a óbito”.
Muito abalado com a morte do irmão, o diretor-vice-presidente da Rede Amazônica, Aluísio Daou fez sua homenagem em silêncio. O também diretor-vice-presidente da empresa de comunicação, Nivelle Daou, agradeceu pelo legado pessoal e profissional deixado por Phelippe Daou. “A dívida de gratidão que nós temos com ele: a família, funcionários e a obra que ele deixou aqui”.
História
O jornalista e empresário nasceu em Manaus, no dia 15 de dezembro de 1928, hoje completaria 88 anos. Viúvo de Magdalena Arce Daou, ele era pai de dois filhos Philippe Daou Júnior e Cláudia Daou Paixão e Silva.
Filho do comerciante José Nagib Daou e de Nazira Chamma Daou, Phelippe Daou fez seus primeiros estudos na Escola Progresso de Manaus, dirigida pela professora Julita Berjona. Em seguida, ingressou no Colégio Estadual do Amazonas, onde concluiu o secundário e científico. Ele prestou vestibular para a Faculdade de Direito do Amazonas, onde se graduou.
Iniciou no jornalismo como repórter do Jornal do Comércio, mas a ascensão na carreira começaria um ano depois, com sua transferência para a empresa Archer Pinto proprietária, na época, de “O Jornal e Diário da Tarde”, onde exerceu diversas funções redacionais. Atuou ainda como redator da Rádio Rio Mar.
Em 1968, Phelippe Daou, Milton Cordeiro e Joaquim Margarido, fundaram a Amazonas Publicidade. Um embrião empreendedor que deu origem à Amazonas Distribuidora Ltda. e Rádio TV do Amazonas S.A., que abrange, entre outras emissoras, a Rede Amazônica de Televisão.
Para a jornalista Ercilene Oliveira, Phelippe Daou foi um sonhador que transformou ideais em realidade, criando projetos grandiosos. “Fundou a maior rede de comunicação do Norte do país. Tirou do isolamento a região tão distante. Fez isso por meio da comunicação. Foi um grande homem. Um empresário que lutou pela Amazônia com todas as suas forças. Seus ideais jamais serão esquecidos”, disse.
Ercilene integra a equipe de jornalismo da Rede Amazônica, afirma que quem teve o privilégio de conviver com o jornalista visionário, nunca o esquecerá. “O Amazonas, a Amazônia e o Brasil perderam hoje, Phelippe Daou. Que Deus dê forças à família e conforte todos que o amavam, admiravam e respeitavam. O Senhor em sua infinita bondade, conceda a Phelippe Daou a plenitude da Ressurreição. Siga seu caminho de luz, meu patrão”.
Nome inscrit0 na história das comunicações
O governador do Amazonas, José Melo, manifesta seu pesar e solidariedade aos familiares, amigos e colaboradores do jornalista e empresário Phelippe Daou. “O pioneirismo empresarial foi uma marca importante de Phelippe Daou e teve papel fundamental para o desenvolvimento da economia e a defesa da Zona Franca de Manaus. Na comunicação, no comércio, na educação e na área social. Iniciativas de expressão e valor social como a criação da Fundação Rede Amazônica, por meio da qual, gerações e gerações de profissionais foram qualificados para o mercado de trabalho”, constatou.
Phelippe Daou escreveu seu nome na vanguarda da história da comunicação no Brasil ao liderar a fundação de uma das mais importantes redes de comunicação da região Norte do país, nos anos 1970. Através de seu sonho e do seu empreendedorismo, o jornalista contribuiu de maneira decisiva para a disseminação da cultura, a preservação da identidade regional e a defesa dos direitos dos cidadãos amazonenses e da democracia no Brasil. “O Amazonas perde hoje um de seus mais notáveis cidadãos. Homem de fé que deixa um legado de trabalho e exemplo a todos nós. A sua perda deixa uma lacuna significativa na sociedade amazonense”, declarou o governador.
A presidência da Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), em nome de todos os seus 24 deputados e funcionários, manifesta sincero pesar pelo falecimento do jornalista Phelippe Daou, diretor-presidente da Rede Amazônica de Televisão. “Este Poder Legislativo externa suas condolências aos familiares e a todos os funcionários da Rede Amazônica, empresa que ao longo do tempo se constituiu em uma referência jornalística em toda a região Norte e um exemplo para o país, tendo na pessoa de Phelippe Daou, o condutor seguro, desbravador e que nunca abdicou de sonhar com uma Amazônia forte e integrada na defesa dos interesses de sua população”, em nota o presidente da Aleam, deputado Josué Neto.
O prefeito reeleito Arthur Virgílio Neto, em nome de todos os servidores da Prefeitura Municipal de Manaus, manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do jornalista e presidente da Rede Amazônica, Phelippe Daou. O prefeito estende a mais profunda solidariedade aos familiares, amigos, colaboradores e parceiros da Rede Amazônica. “Registro, antes de mais nada, que este ano faleceram também o Joaquim Margarido e o Milton de Magalhães Cordeiro. Foram três amigos inseparáveis que construíram juntos este império da liberdade de comunicação, que é a Rede Amazônica”, declarou consternado.
O legado de Phelippe Daou para o jornalismo da região Norte é de conhecimento geral. Com a fundação da TV Amazonas, no dia 1° de setembro de 1972, Phelippe, Milton e Joaquim Margarido tinham como objetivo implantar um conglomerado de mídia e assim criaram uma série de repetidoras nos Estados da região, o que em 1975 viria a se tonar TV Acre, TV Rondônia, TV Amapá e TV Roraima, nascendo assim a Rede Amazônica de Comunicação. “E eu queria fazer um registro da figura humana e modesta de Phelippe Dou, além de seu sentimento de amor pela Amazônia. Ele se imortaliza no momento em que morre”, completou. Pela perda, o prefeito Arthur Neto declarou luto oficial de sete dias.







