O Banco do Empreendedor/ACPAM (Associação de Crédito Popular do Amazonas) espera receber um aporte de recursos no valor de R$ 300 mil nos próximos meses. A organização aguarda apenas o sinal verde da Oikocredit, cooperativa internacional de crédito, com sede na Holanda.
Caso aprovado, o subsídio viria com carência de três anos e seria suficiente para ampliar em até 80% o volume de recursos do banco. Nos cálculos do gerente operacional Joaquim Bento, a injeção de capital possibilitaria ao Banco do Empreendedor totalizar 90 operações mensais e contar com R$ 900 mil aplicados até dezembro, graças ao retorno.
Hoje, a organização dispõe de R$ 500 mil aplicados e registra 25 liberações no valor de R$ 40 mil a cada 30 dias.
O acordo possibilitaria também, segundo Bento, ampliar o número de municípios atendidos pela instituição, que hoje concede financiamentos a pessoas físicas e pequenos empreendedores –incluindo aqueles que trabalham na informalidade– de Manaus, Fonte Boa (a 680 km da capital) e Manaquiri (a 60 km).
O contato com a ONG (Organização Não Governamental) européia foi feito em 2006. De acordo com o gerente da Oikocredit para o Brasil, Eliseu Fernandez Diaz, que no ano passado esteve em Manaus para conhecer a ACPAM de perto, a conversa entre as duas entidades já se encontra em fase adiantada.
“Estamos esperando apenas mais alguns dados, mas o Banco do Empreendedor deve receber uma resposta da Holanda dentro de um mês”, comentou.
Há cinco anos no Brasil e 34 no mercado internacional, a Oikocredit trabalha com o fomento de bancos comunitários, atividades filantrópicas e cooperativas de produção e serviços. Os critérios para aprovação do aporte são o impacto sócio-ambiental e a sustentação da atividade. A ONG fomenta 18 organizações em sete Estados brasileiros nas regiões Nordeste e Sul –num total de US$ 12 milhões em recursos aportados–, mas ainda não atua na região amazônica.
Exigências são irreais
O Banco do Empreendedor está apostando no parceiro europeu, já que saiu recentemente de uma negociação mal sucedida com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A exigência de garantias reais esfriou as conversas com a agência de fomento. “Não fomos aprovados porque somos uma instituição nova e não dispomos de bens para garantir a operação”, lamentou Joaquim Bento.
A boa notícia é que, apesar de elevado, o nível de inadimplência caiu nos últimos 12 meses, de 40% (2007) para 30% (2008). “Há um grande endividamento na ponta do consumo, o que inibe o giro dos pequenos negócios. Por outro lado, boa parte dos empreendedores não tem discernimento na condução de seus negócios. Só conseguimos reduzir a inadimplência com maior critério na avaliação dos tomadores e mais vigor na cobrança, incluindo a abertura de novos canais de negociação”, ressaltou.
Clientela
atendida
O Banco do Empreendedor opera desde dezembro de 2003 e é uma das duas cooperativas de crédito com foco em pessoas físicas e trabalhadores informais, no Amazonas – a outra é o Banco do Povo de Maués, localizada naquele município (a 260 km de Manaus). Seus 220 clientes estão distribuídos entre Manaus (165), Fonte Boa (45) e Manaquiri (dez). Na capital, 80% dos tomadores estão no comércio (principalmente mercearias), 15% estão no setor de serviços (restaurantes) e 5% integram a pequena indústria (confecções).
Documentos
necessários
Para obter o empréstimo, o tomador deve preencher um cadastro e apresentar carteira de identidade, CPF e comprovante de residência, além de um avalista. Não há exigência de garantias, mas o cliente deve contar com pelo menos seis meses de atuação. Os financiamentos – que vão de R$ 300 a R$ 5.000 – podem ser quitados em seis vezes, sem carência, a juros mensais de 5%. “Se conseguirmos o aporte, poderemos dar um fôlego maior ao tomador, reduzindo os juros a 4,5% e dilatando prazo de pagamento para 12 meses, com dois meses de carência”, concluiu Joaquim Bento.







