Bancos centrais divergem do cenário do Brasil e não cortam juros básicos

Em: 14 de setembro de 2011
Entre os que decidiram esperar antes de baixar os juros para ver o que acontece com a economia global estão o Banco Central Europeu (BCE) e os BCs da Austrália, do Japão, do Canadá, da Suécia e do Reino Unido
Entre os que decidiram esperar antes de baixar os juros para ver o que acontece com a economia global estão o Banco Central Europeu (BCE) e os BCs da Austrália, do Japão, do Canadá, da Suécia e do Reino Unido

Desde que cortou a taxa de juros em 0,50 ponto porcentual no dia 31 de agosto, o Banco Central (BC) brasileiro encontrou respaldo apenas das autoridades monetárias da Armênia, Tunísia e Sérvia, enquanto que outros 15 bancos centrais mantiveram os juros inalterados, não endossando o cenário de forte deterioração da economia mundial descrita pelo BC brasileiro.
Entre os que decidiram esperar antes de baixar os juros para ver o que acontece com a economia global estão o Banco Central Europeu (BCE) e os BCs da Austrália, do Japão, do Canadá, da Suécia e do Reino Unido. Já os BCs da Uganda e da Bielo-Rússia elevaram fortemente a taxa básica de juros.
“Isso é uma evidência que o nosso Banco Central está se antecipando a uma piora no cenário da economia internacional que, na verdade, não aconteceu ainda, razão pela qual esses outros bancos centrais ainda não agiram”, disse à Agência Estado o diretor de pesquisa de mercados emergentes para Américas da Nomura Securities, Tony Volpon. Ele lembrou que, apesar de a fonte principal da instabilidade dos mercados financeiros mundiais ser a crise da dívida da zona do euro, o BCE não cortou juros. “O que se questiona é até que ponto um banco central deve apostar num cenário que não é aquele base do mercado e dos outros bancos centrais”, acrescentou Volpon. “O BC brasileiro foi prematuro.”
Ao justificar a sua decisão de manter os juros inalterados em 4,75%, no dia 6 de setembro, o presidente do BC australiano, Glenn Stevens, disse que sua preocupação principal era com a perspectiva para a inflação na economia do seu país. “A questão chave é qual a magnitude que uma demanda global mais fraca e um crescimento doméstico mais lento terá para conter a inflação”, escreveu Stevens após o anúncio da decisão de juros. “A preocupação da diretoria (do BC australiano) é com a perspectiva de inflação no médio prazo.”
Mesmo no centro da crise mundial, o Banco Central Europeu manteve uma avaliação bem menos pessimista do que o BC brasileiro. Ao manter a taxa de juros da zona do euro em 1,50%, no dia 8 de setembro, o BCE disse que trabalha com um crescimento econômico da zona do euro ainda moderado e não uma recessão, apesar das incertezas do cenário. E avisou: “permanece essencial para a política monetária focar no seu mandato de manter a estabilidade de preço no médio prazo.”
Na América Latina, o banco central do Peru preferiu adotar uma postura mais cautelosa antes de tomar uma decisão. O BC peruano manteve a taxa básica de juros inalterada em 4,25%, também no dia 8, alertando que a decisão levou em conta a desaceleração da economia mundial e a intensificação dos riscos financeiros do mercado internacional. “Se essa tendência continuar, o banco central mudará a sua postura em relação à política monetária”, afirmaram as autoridades monetárias peruanas em comunicado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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