Recente pesquisa divulgada pelo Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) indica que alguns dos maiores banco do país aumentaram as tarifas, em média, 38,6%. O aumento consolida reajuste acima da inflação dos últimos 11 meses, de 5,03%. Ao todo foram 10 instituições bancárias analisadas entre maio de 2008 e março deste ano.
O índice de variação é 7,6% maior que a inflação registrada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No período pesquisado, o preço das tarifas bancárias avulsas subiu 38,6%, enquanto os pacotes de serviços ficaram 17,2% mais caros.
O Idec estruturou o levantamento sobre o BB (Banco do Brasil), Real, Santander Banrisul, Bradesco, CEF (Caixa Econômica Federal), HSBC, Itaú, Unibanco e Nossa Caixa. Os dez bancos pesquisados foram escolhidos pelo Instituto de Defesa do Consumidor por terem carteira de clientes superior a 1 milhão de contas.
Dentre as instituições que compuseram a pesquisa, apenas a CEF não ajustou tarifas avulsas. Considerando todos os bancos foram 46 reajustes diferentes. O banco Banrisul registrou variação de 328,6% na tarifa de fornecimento de folha de cheque avulsa. Este foi o maior valor constatado, ultrapassando percentualmente todos os demais serviços cobrados.
O estudo mostra que há grande variação de valor em uma mesma tarifa bancária. Em alguns casos “não se cobra pelo cadastro, cheque visado ou depósito identificado, enquanto em outros bancos o custo desses mesmos serviços chega a R$ 59”, relata a pesquisa do Idec.
Menores custos
A Caixa Econômica Federal apresenta a maior quantidade de tarifas individuais com custos reduzidos, são 14 serviços abaixo do valor cobrado por outros bancos. Os bancos Itaú e Unibanco têm 12 serviços figurando na listas dos menores preços. Paradoxalmente o HSBC ocupa 43,47% da lista das maiores tarifas, com 20 itens. Os bancos Bradesco e Banrisul, estão, respectivamente, na segunda (nove itens) e terceira (sete itens) colocação no ranking das instituições financeiras com os maiores custos de serviços.
A universitária Roberta Ribas, cliente do Bradesco confessa que não sabia que pagava a segunda maior taxa do mercado. “Sou cliente do Bradesco e estou surpresa com o valor que pago. Aliás, esse valor não é divulgado claramente para nós, usuários”, desabafou.
Tratando-se dos pacotes de serviços, os bancos Banrisul, HSBC, CEF, Unibanco e Santander, reajustaram os preços, com destaque para o Banrisul. Neste banco a tabela que marcava R$ 8 agora registra R$ 18,50, estabelecendo 131,25% de aumento.
Segundo dados da assessoria de imprensa nacional do Banco Bradesco, a empresa realinhou os preços de apenas dois serviços. O primeiro foi o preço da concessão de adiantamento a depositantes, antes R$ 24, passou a R$ 27. Para excluir o nome do CCF (Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos), o usuário desembolsa R$ 28, com aumento de 3,57% sobre o custo anterior.
Resultados impactam pouco em salários
Os funcionários dos bancos (bancários) que têm reajuste salarial anual com data-base no primeiro dia do mês de setembro, não se animam ao saber que as empresas onde trabalham estão lucrando mais.
De acordo com o Sindicato dos Empregados dos Estabelecimentos Bancários do Estado do Amazonas, a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) tem um valor fixo de R$ 966, acrescido de 90% do salário do funcionário. O presidente do sindicato, Nindberg Barbosa dos Santos, explicou que a PLR não aumenta porque os bancos podem lucrar mais aplicando taxas de serviços mais elevadas. “Essa parte de lucro vai para o dono do banco, o banqueiro”, disse.
O bancário José Bernardo Michiles, 48, empregado do Basa (Banco da Amazônia), acredita que “a divisão nos lucros poderia ser mais igualitária, mais justa. Já que os bancos devem lucrar mais com taxas elevadas, eles poderiam dividir esse lucro com os funcionários”.







