Base não pode colocar ‘faca no pescoço’

Em: 23 de março de 2012
Na quinta-feira (22), o PMDB, principal partido aliado ao Planalto, liderou o motim que levou ao adiamento da votação da Lei Geral da Copa
Na quinta-feira (22), o PMDB, principal partido aliado ao Planalto, liderou o motim que levou ao adiamento da votação da Lei Geral da Copa

Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff sofrer sua pior derrota no Congresso, o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), afirmou, na quinta-feira (22), que a base aliada não pode colocar a “faca no pescoço do governo” e condicionar a aprovação da Lei Geral da Copa a uma data para a votação do Código Florestal.
Ontem, o PMDB, principal partido aliado ao Planalto, liderou o motim que levou ao adiamento da votação da Lei Geral da Copa. Bancada ruralista, da saúde e evangélica se uniram contra o governo.
“É colocar a faca no pescoço do governo. Veja, a oposição pode falar isso, agora, a base falar: ‘nós queremos a data’. Isso não pode. Olha a situação do governo! A base falando publicamente, pedindo para marcar a data. Que história é essa? O governo quer discutir mérito”, afirmou Tatto.
Hoje, o líder petista também diminuiu o tom do discurso contra os ruralistas. Ele admitiu que o clima na Câmara ontem estava péssimo e que o melhor agora é sentar para conversar.
“Eu não falei mal dos ruralistas ontem, falei dos predadores, agora se alguém vestiu a carapuça […]. O clima ontem estava péssimo em função de toda a situação, agora vamos diminuir o tom do discurso de isso ajudar a aprovar a Lei Geral da Copa […]. Estou mudando meu discurso, estou mais ‘light’, vamos ver se assim a gente se entende”, disse.
Ontem, Tatto foi vaiado pelos ruralistas ao chamá-los de “predadores” durante a discussão da Lei Geral da Copa. O discurso foi feito após o Planalto orientá-lo a jogar a responsabilidade sobre a não votação da lei da Copa para a bancada ruralista.
Crise na base impõe série de derrotas a Dilma na Câmara
A presidente Dilma Rousseff foi desafiada ontem pela base aliada e sofreu uma série de derrotas na Câmara. Os deputados impediram a votação do projeto de Lei Geral da Copa, prioridade da semana para o governo; aprovaram na Comissão de Constituição e Justiça um projeto de lei retirando poderes da presidente na demarcação de terras indígenas, de quilombolas e de preservação ambiental; e ainda convocaram a ministra Miriam Belchior (Planejamento) para explicar os cortes no Orçamento que atingiram as emendas dos parlamentares. O revés aconteceu uma semana depois de a presidente ter trocado seus líderes na Câmara e no Senado. Temendo nova derrota, Dilma retirou da pauta do Senado a nomeação de diretores para a Agência Nacional de Transportes Terrestres –há 15 dias, o Senado rejeitou indicação de Dilma para a agência, o que deflagrou a mudança na coordenação política.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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