BC de Meirelles usou ‘parcimônia’ ao sinalizar cortes menores

Em: 27 de abril de 2012
Ao menos no Banco Central (BC) conduzido por Henrique Meirelles, o ciclo de afrouxamento monetário “parcimonioso” contou com cortes iniciais de 0,50 ponto porcentual e, depois, com ajustes menores, de 0,25 ponto porcentual
Ao menos no Banco Central (BC) conduzido por Henrique Meirelles, o ciclo de afrouxamento monetário "parcimonioso" contou com cortes iniciais de 0,50 ponto porcentual e, depois, com ajustes menores, de 0,25 ponto porcentual

Ao menos no Banco Central (BC) conduzido por Henrique Meirelles, o ciclo de afrouxamento monetário “parcimonioso” contou com cortes iniciais de 0,50 ponto porcentual e, depois, com ajustes menores, de 0,25 ponto porcentual. Esse processo ocorreu entre abril de 2006 e julho de 2007, quando a taxa básica de juros (Selic) ainda estava na casa de dois dígitos.
Foi o BC de Meirelles que cunhou o termo “parcimônia” nos documentos da Casa. Curiosamente, a palavra começou a ser usada exatamente em abril de 2006, mês em que o atual presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, tomou posse na diretoria de normas e, interinamente, também na cadeira de Assuntos Internacionais. Na época, a “parcimônia” foi adotada para demonstrar que os cortes deveriam continuar, mas de maneira diferente.
A primeira ata do Copom (Comitê de Política Monetária) que afirmou que a flexibilização adicional da política monetária seria conduzida com “maior parcimônia” foi a da 118ª reunião, ocorrida entre 18 e 19 de abril de 2006. Nela, o colegiado optou por reduzir a Selic de 16,50% em março para 15,75% ao ano -ou seja, em 0,75 ponto porcentual.
Porém, a partir daí, foram cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto porcentual, levando a Selic para 13,25% ao ano, em novembro de 2006. Na ata dessas reuniões, o BC afirmava que “tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária e a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, requer que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia”.
Para os diretores do BC, a “parcimônia” foi a maneira de demonstrar que a estratégia de redução dos juros continuava, mas, como os riscos cresciam, deveria ser executada com mais cuidado. Era quase como um aviso de que o barco seguia para frente, mas poderia parar em breve porque turbulências estavam no radar.
Apenas no documento referente ao encontro de maio de 2006 o termo usado foi “parcimônia” -e não “maior parcimônia”- mas, mesmo assim, o ritmo de cortes seguiu em 0,50 ponto porcentual.
A magnitude dessa redução ficou menor apenas a partir de janeiro de 2007, quando o BC voltou a usar o termo “parcimônia”.

Redação

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