‘Beleza limpa’ atrai investimento do varejo e da indústria

Em: 1 de agosto de 2023

Indústrias no Brasil estão investindo em produtos livres de insumos artificiais, em um mercado com uma receita global prevista de US$ 22 bilhões até 2024.

O mercado de “beleza limpa” ou “clean beauty”, que inclui produtos sem fragrâncias artificiais, corantes, ingredientes petroquímicos como petrolato, conservantes do tipo parabeno, sulfatos e mais de 600 outros ingredientes considerados perigosos ou controversos, tem um grande potencial de crescimento no mundo todo. No Brasil, esse segmento está passando por uma profissionalização de marcas artesanais, e empresas tradicionais do varejo e da indústria estão se dedicando a esse nicho.

A rede de perfumarias Soneda é uma das empresas que aposta nesses produtos e criou um espaço exclusivo para abrigar 20 marcas do segmento em sua loja-conceito localizada na avenida Paulista, em São Paulo. Devido à legislação pouco clara, as empresas que atuam nesse setor costumam buscar certificações de auditorias especializadas, como a francesa Ecocert, que avalia fatores como rastreabilidade das matérias-primas, embalagens recicláveis e respeito à biodiversidade.

O diretor da Soneda Perfumaria, Minoru Kamachi, afirma que o objetivo é apoiar marcas que tenham o propósito de formulações mais limpas e sustentáveis em toda a cadeia. Após um período de testes no espaço da loja, as marcas que se mostrarem viáveis comercialmente podem integrar o portfólio de vendas da rede Soneda, que possui 40 pontos de venda em todo o país. Atualmente, as marcas participantes representam 4% das vendas totais da loja.

No entanto, o segmento enfrenta algumas dificuldades devido ao caráter ainda artesanal de muitas marcas. Algumas empresas demonstram boas intenções, mas têm pouca estrutura, faltando até mesmo códigos de barras em seus produtos.

Para entrar no mercado de “clean beauty”, algumas marcas optam por parcerias com empresas internacionais ou expandem sua produção para o exterior. A Baims, marca de maquiagem criada pela brasileira Luisa Baims e seu marido Bernd Albrecht, formula e produz seus produtos principalmente na Alemanha. A Simple Organic, inicialmente com produção na Itália, também encontrou sucesso ao ser adquirida pela Hypera Pharma, o que permitiu uma ampliação de sua produção.

A Sephora, varejista francesa de produtos de beleza, também se interessou pelo mercado de beleza natural e incluiu a Feito Brasil em seu portfólio brasileiro em 2013. A Feito Brasil, que nasceu como uma forma de expandir as operações da Casa Feito Brasil, contava com um acordo de exclusividade com a Sephora. Hoje, a Casa Feito Brasil abriga várias outras marcas com o selo de beleza limpa.

Enquanto algumas marcas optam por investir na produção própria, outras defendem o caráter artesanal como norteador de suas identidades. A Cativa Natureza, fundada em 2008, utiliza produtos naturais e possui a certificação orgânica IBD. A empresa projeta um crescimento de 35% na receita bruta para o ano atual.

O mercado de “beleza limpa” tem atraído a atenção de empresas brasileiras, que buscam se destacar nesse segmento em expansão, mesmo enfrentando desafios econômicos e de produção. As informações são do Valor Econômico.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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