A disparada das Bolsas americanas e o “otimismo” dos investidores quanto ao Copom (Comitê de Política Monetária) de amanhã ajudaram a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) a subir com força e zerar as perdas deste ano.
A contração do PIB (Produto Interno Bruto) somente reforçou as apostas de que o Comitê será forçado a rebaixar ainda mais a taxa básica de juros do país, o que em geral favorece investimentos em Bolsa de Valores.
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, disparou 5,59% no fechamento e alcançou os 38.794 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,42 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou em forte alta de 5,80%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq valorizou 7,06%.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou ontem que o PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 3,6% entre o quarto e o terceiro trimestre do ano passado, uma contração que surpreendeu mesmo os analistas mais pessimistas.
O desastre do PIB, no entanto, estimulou o mercado a aumentar as “apostas para a reunião do Copom de amanhã: em vez de um ponto percentual, como era consenso até semana passada, as projeções para para 1,5 ponto.
O economista Elson Teles, da corretora Concórdia, foi um dos que modificaram seu cenário para o Copom, e também já trabalha com um corte de 1,5 ponto percentual. “Os resultados do PIB do quarto trimestre e da produção industrial de janeiro, bem abaixo do esperado, tiveram papel fundamental para a alteração do nosso cenário”, afirma.
Para Teles, a contração no trimestre final de 2008 afeta inclusive as projeções do mercado para o PIB de 2009, que apontam para um crescimento de somente 1,2%. “A situação pode piorar ainda mais se levarmos em conta que há boas chances de o efeito se ampliar com a confirmação de um novo recuo do PIB no primeiro trimestre”, acrescenta, em relatório distribuído hoje.
Recessão global
O mercado global teria todos os motivos hoje para registrar um dia de perdas amargas, com algumas das principais autoridades econômicas do planeta descrevendo um cenário de dificuldades para os próximos meses.
Foi “salvo”, no entanto, por uma notícia surpreendendo vinda do Citigroup, um dos bancos americanos mais afetados pela crise financeira global, que Vazou para o mercado a informação de que a instituição financeira conseguiu apurar lucro no primeiro bimestre.







