Há exatamente 20 anos o Brasil iniciou uma nova etapa no sistema econômico intitulada “Plano Real”. Economistas e empresários avaliam que a moeda trouxe relevantes mudanças ao país e que a principal delas foi o controle da hiperinflação com a consequente valorização da moeda nacional.
O economista Jose Laredo cita o projeto econômico como um plano brilhante que só foi superado por um projeto, também econômico, elaborado pelos alemães após o período da Segunda Guerra Mundial, conflito militar que aconteceu de 1939 a 1945. “Foi um dos planos mais inteligentes já desenvolvidos na luta contra a inflação que o mundo já experimentou. O único que o superou, até o momento foi o projeto implantado na Alemanha, na República de Weimar porque conseguiu debelar uma inflação mais alta do que a do Brasil”, explica.
De acordo com o economista, todas as classes sociais sofreram impactos com a alta dos preços, na época. Ele afirma que as classes média e alta tiveram acesso a alternativa dos rendimentos “overnight” (aplicações financeiras feitas em poupanças que poderiam ser resgatadas no dia seguinte). Enquanto os menos favorecidos não tinham fundos para aplicação. “Até junho de 1994 vivíamos em meio a uma inflação que corroía os salários porque o poder de compra da população também era corroído. A cesta básica comprada no início do mês não poderia ser adquirida ao final deste mesmo mês porque o dinheiro se desvalorizava da noite para o dia”, relembra.
Laredo também disse que antes do surgimento do plano real o governo apresentou alternativas para a contenção do problema econômico. Uma delas foi em 1986, no mandato de José Sarney, que usou a metodologia do congelamento de preços e salários. O resultado, segundo o economista, foi a falta de alimentos nas prateleiras e a venda desses produtos a preços ainda mais caros. “Ele usou medidas radicais como se a economia pudesse ser domada. O resultado foi desastroso. Em poucos meses esse plano acabou”.
Outra fase histórica que antecedeu o plano real, conforme o economista, aconteceu em 1991, na gestão do ex-presidente Fernando Collor de Mello, com o Plano Collor. Laredo conta que esse projeto teve como base a retirada do “meio circulante”, que é a moeda, e ainda o congelamento dos investimentos e da poupança. “As famílias foram prejudicadas por essa medida. Os recursos foram aprisionados e mais uma vez o plano redundou em um fracasso”, disse.
Sucesso valeu a Presidência
Após 3 anos o Brasil, até então presidido por Itamar Franco, conheceu o plano econômico elaborado pelo ministro da fazenda Fernando Henrique Cardoso, que no ano seguinte tomou posse ao cargo de Presidente da República. Laredo enfatiza que o projeto, inicialmente acadêmico, passou por uma reformulação para ser apresentado ao povo. “Ele apresentava a referência da URV-Unidade Real de Valor – que era igual a um dólar. Usamos aquela moeda durante quatro meses e logo o cruzeiro real foi substituído pela então moeda fictícia”, cita. “O real foi lançado mais valorizado do que o dólar. Hoje, nos preocupamos sim mas sei que estamos anos- luz da situação vivida naquela época”, completou.
Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, a adesão ao plano real proporcionou ao país a estabilidade monetária e, logo, o desenvolvimento financeiro. Ele também destacou o fato de o Brasil ser reconhecido como um dos cinco países que mais crescem no mundo. “Saímos de uma posição de hiperinflação para a estabilidade. Foi maravilhoso para o país, isso é indiscutível”, comemorou.
A presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) no Amazonas, Janete Fernandes, também concorda que a chegada da nova moeda ao Brasil beneficiou a todos e consequentemente ao comércio. “É uma moeda forte que modificou o país. Nos trouxe respeitabilidade. Qualquer transição requer um tempo de adaptação, mas nesse caso, não recordo de dificuldades demasiadas”, frisou.






