Brasil se torna foco de discussão energética e Minc começa a sofrer pressão

Em: 16 de maio de 2008
Em sua edição de sexta-feira o diário argentino Página/12 destaca a visita, esta semana, de quatro premiês europeus ao Brasil.
Em sua edição de sexta-feira o diário argentino Página/12 destaca a visita, esta semana, de quatro premiês europeus ao Brasil.

Em sua edição de sexta-feira o diário argentino Página/12 destaca a visita, esta semana, de quatro premiês europeus ao Brasil. Os mandatários da Áustria, Finlândia, Alemanha e Espanha estiveram no país a caminho da 5ª Cúpula de Presidentes da América Latina, Caribe e União Européia, em Lima, no Peru, onde discutiram os temas “Pobreza, Desigualdade e Inclusão” e “Desenvolvimento Sustentável: Mudanças Climáticas, Meio Ambiente e Energia”.
O jornal argentino cita o Brasil como “o destino latino-americano mais desejado para os mandatários europeus”, por um fato que hoje gera discussões em todo o mundo: os biocombustíveis. E lembra que “a conjunção das tragédias dos últimos meses e a crise alimentar parecem ter posto o Brasil no centro da cena política mundial”, o que torna o país a área mais cobiçada pelas grandes potências.
Mas a questão dos biocombustíveis não é tão simples quanto parece ou procura dar a entender o presidente Lula. Nos mundo atual, os interesses energéticos são diferenciados e, às vezes, conflitantes. Por exemplo, a Rússia, que é grande produtora de petróleo, não tem interesse idêntico ao do Brasil. Já a China e a Índia têm mais interesse, e a União Européia, muito mais.
Enquanto o mundo debate se os biocombustíveis são uma solução para o problema energético do planeta e se prejudicam a produção mundial de alimentos, no Brasil o mesmo tema gera polêmica em torno do posicionamento do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que defende a discussão sobre a atual política industrial e seus reflexos sobre o meio ambiente.
Manchete da Folha de SPaulo em sua primeira entrevista coletiva, “Ministro quer nova lei de licenciamento ambiental”, o ministro Carlos Minc começa a enfrentar a resistência de setores interessados na expansão econômica sem uma contrapartida para a conservação da natureza.
Mesmo coberto de razão, o ministro pode começar a perder mais cedo a batalha que a ex-ministra Marina Silva enfrentou por cinco anos. O fato é que enfraquece cada vez mais no país a idéia de que o governo possa dar incentivo a empresas sem exigir a adoção de determinadas práticas ambientais.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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