Brasileiro economiza pouco

Em: 28 de fevereiro de 2014
Estudo revela que 54% dos entrevistados chega ao final do mês sem poupar qualquer quantia
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Estudo revela que 54% dos entrevistados chega ao final do mês sem poupar qualquer quantia

Uma pesquisa nacional encomendada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) mostra que

o consumidor brasileiro não tem o hábito de poupar dinheiro e, quando poupa, é para consumir

ainda mais e não para formar um fundo de reserva. Além disso, o estudo revela que, entre

aqueles que têm o hábito de guardar dinheiro, a maioria tem perfil conservador e prefere

investimentos mais seguros, que não ofereçam muitos riscos, como a caderneta de poupança.
Os pesquisadores perguntaram a um grupo de consumidores quantos deles conseguiram poupar

alguma quantia no mês anterior. A maioria dos entrevistados (54%) afirmou que não conseguiu

guardar qualquer quantia, 42% disseram que conseguiram juntar alguma coisa e 3% não souberam

responder. Para a economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, o brasileiro é historicamente

conhecido por poupar pouco. “Os motivos que fazem com que o brasileiro tenha uma das menores

taxas de poupança do mundo são culturais. Na China, por exemplo, a taxa de poupança é mais que

o dobro da [taxa] brasileira. O chinês poupa 30% do seu salário”, afirma Luiza.
E o que fariam os entrevistados da pesquisa se recebessem inesperadamente cinco vezes o valor

do próprio salário? Nesta situação hipotética, a maior parte dos consumidores (68%) disse que

gastaria o valor reformando a casa, comprando um carro ou fazendo uma viagem, por exemplo. As

possibilidades de respostas eram múltiplas, mas só 49% disseram que aplicariam o dinheiro, 45%

disseram que quitariam dívidas, 22% investiriam em algum empreendimento e 9% ajudariam

parentes e amigos.
Na avaliação de Luiza Rodrigues, este tipo de comportamento pode ser parcialmente explicado

pelas seguranças assistencial, trabalhista e previdenciária que o Brasil oferece à população.

“Esses recursos contribuem para que o brasileiro se sinta mais seguro e se preocupe menos em

economizar para uma emergência”, explica. Ela dá o exemplo de que no Brasil, até quem não

contribui com a previdência social pode receber aposentadoria na velhice, mesmo que com um

valor baixo. “Já isso não ocorre nos Estados Unidos, por exemplo. Lá é preciso contribuir para

receber. Dessa forma, formar uma reserva para emergências e ter um futuro seguro é mais

importante do que é no Brasil”, afirma.

Investimentos
Já na hora de fazer investimentos, a maioria dos consumidores tende a apresentar perfis

conservadores. De acordo com o estudo do SPC Brasil, a maioria dos brasileiros (66%) não quer

correr riscos e procura investimentos seguros como a caderneta de poupança. Um percentual bem

menor, de 16%, disse que aceitaria correr algum tipo de risco e somente 3% disseram estar

dispostos a fazer um investimento mais arriscado. “Outros estudos comprovam que este

comportamento se repete no mundo inteiro, dando a entender que a maioria dos seres humanos

realmente prefere situações menos vantajosas, porém mais seguras”, diz Luiza.

Metolodogia
A pesquisa sobre Educação Financeira no Brasil entrevistou 656 consumidores de todas as

classes econômicas, das 27 capitais brasileiras. Foram consideradas apenas as pessoas com mais

de 18 anos e que possuem renda própria (excluindo analfabetos). A margem de erro do estudo é

de 3,8 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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