Cai mortalidade empresarial no Amazonas

Em: 8 de dezembro de 2022

A taxa de mortalidade de empresas do Amazonas arrefeceu, em novembro. Um total de 281 pessoas jurídicas encerrou as atividades, quantidade 8,47% menor do que a registrada no levantamento anterior (307). O confronto com o dado de novembro do ano passado (285) caiu 1,42%. Em paralelo, o Estado registrou aquecimento na geração de empresas. Foram constituídas 585 pessoas jurídicas em âmbito local, no mês passado, número 8,13% mais forte do que o de outubro (541) –que também teve 20 dias úteis. O resultado, contudo, ainda ficou 3,94% abaixo do patamar de 12 meses atrás (609). 

Em sintonia com um cenário econômico ainda impactado pela guerra, repique de pandemia e inflação global, assim como fragilidades internas e incertezas generalizadas, o saldo de empresas não conseguiu sair do vermelho no acumulado do ano. De janeiro a novembro, o Estado somou 7.018 novas empresas e ainda ficou 5,86% aquém do mesmo período de 2021 (7.455). As baixas escalaram 18,64%, de 2.815 (2021) para 3.460 (2022). Os dados são da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas), e foram baseados no relatório do SRM (Sistema Mercantil de Registro) –vinculado ao Ministério da Economia.

De acordo com o levantamento, entre as 281 pessoas jurídicas amazonenses que saíram do mercado no mês passado, a maioria (169) estava na categoria de empresário individual, em número pouco inferior ao apresentado em setembro (177). A lista incluiu 91 sociedades empresariais limitadas, 20 empresas individuais de responsabilidade limitada (e de natureza empresarial), e um consórcio de sociedades –contra 106, 23 e zero, respectivamente, em outubro. 

Pelo 11º mês consecutivo, o movimento em torno da formalização de abertura de novos negócios no Amazonas (585) voltou a priorizar as sociedades empresariais limitadas (393), o equivalente a mais do que o dobro da quantidade de registros na modalidade de empresário individual (186). O rol de novos negócios do Amazonas que ingressaram no mercado no mês passado incluiu também 2 sociedades anônimas fechadas, 2 cooperativas e 2 consórcios de sociedades. Em outubro, os respectivos números foram 372, 165, 3, 1 e zero.

Volatilidade nos MEIs

A Jucea não inclui os MEIs (microempreendedores individuais) –constituídos de forma virtual, pelo Portal do Empreendedor, do governo federal. Os referidos números confirmam, entretanto, uma volatilidade ainda mais acentuada para o empreendedorismo. As aberturas nessa modalidade caíram 3,73%, entre outubro (2.442) e novembro (2.351) de 2022. A comparação com o dado de 12 meses atrás (2.677) apontou para uma redução de 12,18%. Já as extinções aceleraram 3,57% na variação mensal (de 813 para 842), e dispararam 22,20% diante de novembro de 2021 (655).

A análise do acumulado do ano confirma um panorama ainda pouco amistoso para os microempreendedores individuais amazonenses, com tendência de maior rotatividade no mercado local. O número de constituição de novos MEIs no Estado voltou a encolher na comparação de 2022 (32.812) com 2021 (34.054), com uma diferença de 3,65%. O oposto se deu na quantidade de encerramentos, que decolou 46,66%, ao passar de 6.697 (2021) para 9.822 (2022), na mesma comparação.

Assim como nos meses mais recentes, a Jucea não se pronunciou sobre os números, nem informou a segmentação das constituições e baixas de pessoas jurídicas por CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) e por município.

Instabilidades e incertezas

A ex-vice-presidente do Corecon-AM, e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, reforçou que os números da Jucea desenham um “cenário desanimador” para a constituição de empresas no Amazonas. A economista avalia que os dados que mais chamam a atenção são os da rotatividade e encolhimento do número de MEIs no Estado. E acrescentou que as taxas de juros crescentes que incidem sobre os empréstimos vêm contribuído significativamente para esse resultado. Indagada sobre as expectativas, a economista aponta que as coisas serão mais difíceis passado o período de festas de fim de ano.

“Os dados refletem um cenário de muita instabilidade para os empresários estaduais, acompanhado de muita incerteza para a tomada de decisão. O panorama deve se repetir nos próximos meses, até que se tenha clareza dos próximos direcionamentos da economia mundial e das decisões do novo governo federal, para que haja um direcionamento dos investimentos”, analisou, acrescentando que a estabilização da conjuntura vai depender muito das sinalizações do novo governo e direcionamento dos investimentos.

Na mesma linha, o ex-presidente do Corecon-AM, consultor empresarial e professor universitário, Francisco de Assis Mourão Júnior, também considera que o cenário que se desenha para 2023 é desafiador. “Os últimos indicadores econômicos mostram que, mesmo com a desaceleração do PIB, a economia permaneceu aquecida no terceiro trimestre deste ano, em um período em que houve deflação, embora os juros tenham se mantido elevados. A perspectiva para 2023 é que, diante da guerra na Ucrânia, teremos novas altas nos preços dos combustíveis, forçando o Copom a segurar a Selic nesse patamar. E ainda há incertezas quanto às medidas a serem tomadas pelo novo presidente”, arrematou.

Reportagem: Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar