Não é de hoje que o homem se preocupa em marcar e contar o tempo. Certamente por isso foi criado o primeiro calendário, para que se organizasse o dia a dia. Pesquisadores acreditam que foram os sumérios, há 2.700 anos a.C., os idealizadores do primeiro calendário. Não por acaso os sumérios criaram a primeira forma de escrita da humanidade. Assim como quiseram ‘prender’ as palavras através da escrita, é provável que tenham pretendido controlar o tempo através do calendário.
Há poucos anos era hábito de muitas empresas distribuir calendários aos seus clientes no final do ano, uma excelente forma de marketing, afinal, o homem nunca deixou de se preocupar com o tempo, seja com o que já passou ou o que ainda está por vir.
Em 2022, pelo sétimo ano consecutivo a Associação PanAmazônia lança mais um dos seus calendários, que já estão se tornando uma tradição entre seus associados e amigos, aguardados a cada ano, sempre com um novo tema.
“Todos os anos, a PanAmazônia tem publicado calendários com temáticas amazônicas, entre os quais a produção artística regional. Este ano de 2022, novamente, usaremos este meio para divulgar obras de artistas amazônicos de diversos períodos e estilos. Em 2016, fizemos calendário com obras do Rui Machado; em 2017, com obras de diversos artistas da Amazônia; em 2018, com imagens de azulejos portugueses das fachadas das casas da época da borracha; em 2019, sobre gastronomia amazônica; em 2020; sobre destinos turísticos na Amazônia; em 2021, sobre grandes personalidades empresariais da Amazônia”, listou Belisário Arce, diretor executivo da PanAmazônia.
Artistas da Amazônia
A Associação PanAmazônia foi fundada em 2010 com a missão de promover a agenda liberal, e defender os ideais da cooperação e da integração regionais, elementos que considera necessários ao desenvolvimento socioeconômico e à prosperidade para as populações da Amazônia continental. Sua atuação se dá por intermédio de um grande network de empresas da região.
“Um dos objetivos da PanAmazônia é contribuir para a difusão da cultura, das artes e dos valores de nossa gente. Nesse sentido, temos realizado inúmeras atividades para os artistas, como premiações, exposições, publicações. É parte da missão institucional da PanAmazônia promover as artes da região. Um calendário parece um bom veículo para isso”, explicou Belisário.
O calendário de 2022, intitulado ‘Artistas da Amazônia’, reúne as obras de doze artistas plásticos amazônicos. Todas as telas pertencem à coleção particular do casal de empresários Jaime e Anne Benchimol.
“Com certeza é um dos acervos mais importantes da produção de artistas da região. Devo salientar que a realização deste calendário só foi possível graças ao apoio e empenho de Jaime, liderança empresarial de destaque e de incontestável prestígio, além de grande apoiador de iniciativas da sociedade civil organizada e mecenas das artes e da cultura na Amazônia”, destacou.
“Eu ajudei na curadoria da coleção. Há algum tempo, tenho me dedicado a selecionar, identificar e sugerir a aquisição de obras para a coleção de Jaime e Anne”, completou.
Quase metade das obras reproduzidas no calendário é de artistas renomados já falecidos.
“Aos que já partiram, trata-se de uma homenagem à memória deles; dos que estão vivos é uma homenagem a todos os artistas da Amazônia”, disse.
Quem é quem
O mais antigo entre os que já partiram é Manoel Santiago (1897/1987). Apesar do nome, Manoel Colafante Caledônio de Assumpção Santiago, o artista era amazonense. No calendário, o quadro de Santiago é o óleo sobre tela ‘Paisagem com figuras’. Outro contemporâneo de Manoel Santiago homenageado por Belisário é Leovegildo Ferreira da Silva (1896/1959), ou simplesmente Branco Silva. Também escultor, durante anos Branco Silva fez um presépio cujos personagens, em tamanho natural, se movimentavam, atraindo a população manauara quando em exposição na época do Natal. A obra do artista, intitulada ‘Ribeirinho’, ilustra a capa do calendário.
Outros artistas que jamais poderiam ser esquecidos nesse trabalho da PanAmazônia são Moacir Couto de Andrade (1927/2016); Roland Wilhelm Vermehren Stevenson (1934/2016); e Anísio Thaumaturgo Soriano Mello (1927/2010). Moacir se consagrou como um dos maiores nomes das artes plásticas amazônicas, respeitado por seus pares. Stevenson era chileno, mas se apaixonou pela Amazônia, e veio morar em Manaus, de onde não mais saiu. O itacoatiarense Anísio também se destacou como escritor e poeta. ‘Tecedora de paneiro’, ‘Pescador’ e ‘Árvore’, são os quadros dos três artistas, respectivamente, publicados no calendário.
Os demais artistas são, pela ordem de publicação, Belisário Arce, Alkemar Ribeiro, Renato Araújo, Jorge Palheta, Jair Jacqmont, Arnaldo Garcez, Buy Chaves, Jandr Reis, Rubens Belém, Arildo Mendes, e Gerlan Santos. Algumas obras são tão recentes que ainda dá para sentir o cheiro das tintas, como as de Buy Chaves (sem título), Jandr Reis (Peixe), e Arildo Mendes (Barcos e canoas), pintadas este ano.







