Parintins é o terceiro município brasileiro em termos de peso das atividades culturais em sua economia, ficando atrás apenas de Balneário Camboriú (SC) e Crato (CE). A Ilha de Tupinambarana tem no segmento o principal fator de atração para os visitantes de 32 municípios amazonenses e 14 paraenses, em uma região de baixa densidade populacional e escassez de equipamentos culturais. A conclusão vem dos dados da quinta edição do SIIC (Sistema de Informações e Indicadores Culturais) 2009-2020, do IBGE.
O mesmo levantamento ainda mostra que, embora tenha perdido empresas e empregos ao longo de uma década, entre 2009 e 2019, o segmento cultural e artístico do Amazonas como um todo ocupa a sexta posição no ranking brasileiro, em termos de participação no PIB do Estado. O Estado também apresenta uma das maiores médias salariais e faixas de gastos familiares para a atividade, embora fique atrás da média brasileira, em ambos os casos. O setor ganhou mais investimentos públicos, mas teve menos projetos aprovados em programas de incentivo à cultura, no ano passado.
“As estatísticas do setor cultural são instrumentos para compreender essa dimensão relevante da vida das pessoas, relacionada ao entretenimento, ao lazer, à socialização e, finalmente, à economia. A cultura é um setor gerador de renda e emprego. Assim, o SIIC serve atualmente ao propósito de retratar o setor, ser instrumento para elaboração de políticas públicas, subsidiar decisões de investimento públicos e privados, estudos acadêmicos etc”, informou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.
Em Parintins, a atração da população residente em outros municípios têm nas atividades culturais a motivação principal. Estatisticamente, o mote cultural é mais de 3,6 vezes mais frequente do que os deslocamentos visando apenas o uso do aeroporto –que é o segundo motivo para as visitas. A cidade destacou-se por possuir cinco tipos de equipamentos culturais, segundo levantamentos do IBGE: museu (1), teatro (2), centro cultural (3), cinema (4), clube (5) e ponto de cultura (6). Apenas 4,5% dos municípios brasileiros apresentaram essa variedade de equipamentos culturais.
Salários e despesas
Em 2019, o Amazonas contava com 2.320 unidades locais que atuaram nas atividades do setor cultural e corresponderam a 6% do total de unidades locais do Cadastro Central de Empresas. O Estado foi a sexta unidade da federação com maior participação no setor cultural, em uma lista liderada pelo Rio de Janeiro (8%). As empresas contavam com 35.151 assalariados, ou 5,9% dos trabalhadores amazonenses. A capital concentrava a maior parte do contingente de pessoas jurídicas e empregados do setor artístico (85,1% e 98,1%, respectivamente). Houve perda de participação, na comparação com 2009, quando a fatia das empresas (6,6%) e dos trabalhadores (7%) da cultura era maior.
No Amazonas, entre 2.320 unidades locais cadastradas no setor cultural, 1.389 eram do tipo de domínio das atividades culturais centrais, e 931 eram do tipo de domínio das atividades culturais periféricas. O primeiro grupo contava com 8.405 assalariados, enquanto o segundo somava outros 26.746. O total de salários e outras remunerações pagos no setor da cultura foi de R$ 1,29 bilhão. O salário médio mensal foi de R$ 2.697, acima da média na região Norte (R$ 2.323), mas bem abaixo da nacional (R$ 3.517).
O total dos gastos públicos do governo do Amazonas alocados no setor cultural aumentou 10,3%, em valores correntes, entre 2019 (R$ 163.813 milhões) e 2020 (R$ 182.626 milhões). O IBGE-AM observa que os Estados, destinatários de 50% dos recursos da Lei Aldir Blanc, aumentaram os dispêndios para esse fim em 51,2%, no mesmo período, compensando reduções decorrentes da pandemia. “Convém ressaltar que, com os dados disponíveis, não é possível fazer uma análise consolidada, com detalhamento das transferências intergovernamentais e, consequentemente, descrever exatamente o impacto da Lei Aldir Blanc nas despesas com cultura de cada ente”, ressaltou o texto.
Um total de sete projetos culturais foram aprovados nos programas de incentivo à cultura, no Amazonas, em 2020 –cinco a menos que em 2019. O valor captado foi de R$ 23,3 milhões, com redução 27,9%, na mesma comparação, segundo dados do Ministério da Cultura. A despesa média mensal com cultura no Estado (R$ 215), por outro lado, é a segunda mais elevada da região Norte, ficando atrás apenas do valor registrado pelo Amapá (R$ 256,09), embora também esteja bem aquém da média nacional (R$ 291,18).
“Festa dos bois”
Ao explicar a gênese do estudo, o analista do IBGE, Bruno Hidalgo, informou que a atratividade específica na qual a Ilha de Tupinambarana se destaca é a diferença entre a atração temática para atividades culturais e a atração geral do município. “Para se ter uma ideia: Parintins está na posição 231 no índice de atração geral. Na atração para atividades culturais, sobe para a posição 70. Na atratividade específica chega a 3º. Justamente porque, na composição da atração dela, a cultura tem um peso enorme. E faz sentido, porque é uma cidade conhecida no país inteiro, por conta da festa dos bois”, frisou.
O chefe do IBGE no Amazonas, José Ilcleson Mendes, aponta que as atrações culturais são a principal motivação para atrair a população de outras partes do país a Parintins. “Essas atividades, como sabemos, especialmente a festa dos Bois Bumbás, são mais de 3,6 vezes atrativas aos deslocamentos, visando o uso do aeroporto da cidade. São Paulo, por exemplo, atrai muita gente de outros municípios para atividades culturais, mas também para o comércio, ensino superior e serviços de saúde, entre outros motivos. Cidades como Parintins tem na cultura o fator fundamental para atrair turistas. Muitas vezes, é o principal”, encerrou.







