Calor faz a festa dos vendedores de água e picolé

Em: 4 de outubro de 2010
Durante a eleição de ontem, os manauenses foram castigados pela forte temperatura. Os termômetros chegaram a marcar máxima de 35° C (celsius).
Durante a eleição de ontem, os manauenses foram castigados pela forte temperatura. Os termômetros chegaram a marcar máxima de 35° C (celsius).

Durante a eleição de ontem, os manauenses foram castigados pela forte temperatura. Os termômetros chegaram a marcar máxima de 35° C (celsius). E foi inevitável apelar para alguma forma de se refrescar. A solução adotada por quem aguardava o momento de ir a urna foi comprar garrafas de água ou picolés vendidos nas entradas dos locais de votação. O curioso é que alguns dos ambulantes que vendiam esses produtos não trabalhavam com esse tipo de atividade durante a semana. A eleição foi para alguns uma forma de ganhar um trocadinho a mais no bolso.
O vendedor de picolé, Antonio Eder de Andrade, é só alegria quando perguntam se a venda foi boa. “Nossa, deu para tirar uma grana. Acho que consegui uns R$ 40 só com os picolés”, afirmou o vendedor.
O curioso é que Andrade não costuma vender picolés durante a semana. Ele contou que a ideia surgiu apenas para o domingo, pois já trabalha em uma empresa. Cada picolé custa R$ 0,75. “Essa é a primeira vez que eu estou vendendo picolé. Eu vim aqui para frente da escola porque também voto aqui nessa zona, aí é mais fácil para mim”.
O também vendedor de picolé, Elvis de Oliveira Napoleão, que trabalha no ramo há cinco anos, diz que o período de eleição é uma ótima oportunidade para engordar o orçamento. Segundo os cálculos do ambulante, as vendas fecharam em torno de R$ 100. Diferente do colega, Napoleão vive exclusivamente da venda dos geladinhos e sabe indicar qual é o melhor sabor para o clima escaldante da capital.
“Olha, o bom mesmo é o de casca com chocolate e recheio de chocolate branco com coco. E também tem o de trufas com creme de leite, pois esse, as pessoas gostam muito”, opinou.
Os picolés comercializados por Napoleão custam entre R$ 2 e R$ 5. Ele consegue arrecadar de R$ 600 a R$ 700 por mês. Durante a semana, o ambulante costuma ficar na área do entorno do CSU (Centro Social Urbano), no bairro do Parque Dez, zona centro-sul de Manaus.
Já o vendedor ambulante, Claudomiro Meneses, que também diz fazer isso pela primeira vez, apostou na comercialização de garrafinhas de água para garantir um incremento na carteira. Ele vendeu tanta garrafinha que perdeu as contas e a quantia que conseguiu faturar no dia. Para Meneses, o dia foi bem gratificante, pois houve até discussão para garantir uma garrafa com o vendedor. Quando questionado sobre o porquê de vender água e não picolés, Meneses arrancou risos da reportagem com a resposta.
“Mas eu não vendo só garrafa de água. É que eu vendi também e já acabou. Aí eu vou ali. Compro mais e vendo aqui”.
Além da venda de picolés e garrafinhas de água, teve gente que ganhou uns trocados como flanelinha. Paulo Pereira é um desses exemplos. Ele, que trabalha na construção civil, saiu cedo de casa e ficou guardando carros pela quantia de R$ 2 próximo a uma escola do bairro do Lírio do Vale, zona centro-oeste. De acordo com o flanelinha, a estimativa é que ele ganhe até R$ 50 com o serviço. “Esse é um tipo de trabalho que a gente só faz quando tem eleição. Tudo o que vier é lucro”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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