O Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência das Empresas recuou 1,4% em outubro de 2010, atingindo o patamar de 84,3 pontos. Trata-se do 18º recuo mensal conse–cutivo registrado pelo índice.
Na análise da empresa, a retomada de um ritmo de crescimento mais acelerado da economia brasileira, a partir do quarto trimestre de 2010, após a desaceleração observada durante o segundo e o terceiro trimestres deste ano, tem favorecido a geração de caixa das empresas. “Este cenário deverá ainda prevalecer ao longo dos próximos meses, colaborando para a continuidade de recuos graduais dos níveis de inadimplemento das empresas”, observaram os economistas da Serasa Experian, no texto da pesquisa.
O Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor, por sua vez, cresceu 0,8% em outubro de 2010. Foi o sexto avanço mensal consecutivo, atingindo o nível de 92,8 pontos. A empresa explica que, como o indicador possui a propriedade de antever, num horizonte médio de seis meses, as oscilações cíclicas da ina–dimplência, esta sequência de elevações mensais sinaliza que a inadimplência do consumidor pode registrar elevações ainda no primeiro semestre de 2011.
Medidas de aperto
“As recentes medidas de aperto das condições de crédito anunciadas pelo Banco Central e as perspectivas de um novo ciclo de elevação da taxa básica de juros (taxa Selic) a partir de 2011 deverão, por um lado, dificultar o equilíbrio orçamentário dos consumidores, agora mais endividados. Por outro lado, devem proporcionar um avanço mais modesto da massa real de rendimentos, no médio prazo”, assinalaram os economistas da Serasa Experian.
Além disto, acrescentam os especialistas, do ponto de vista sazonal, os pagamentos relativos às compras de Natal, as despesas com as viagens de férias, os compromissos fiscais -IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)- e a aquisição de material escolar costumam concentrar-se ao final do primeiro trimestre. “Por isso [essas despesas] quase sempre provocam repiques na inadimplência dos consumidores nessa época, especialmente daqueles que não se programaram adequadamente para fazer frente a tais compromissos”, explicaram.
A Serasa destaca que, apesar da elevação, o indicador perma–nece abaixo do nível 100 (inadimplência inferior ao padrão histórico brasileiro). “Assim, ainda não se vislumbram riscos de que esta inadimplência constitua algo que inviabilize a continuidade da expansão do crédito aos consumidores, ainda que num ritmo mais moderado do que o observado em 2010”, frisaram.
O objetivo dos Indicadores Serasa Experian de Perspectiva é antever, num horizonte de seis meses, em que fase do ciclo estarão as seguintes variáveis econômicas: (i) atividade econômica, (ii) concessões reais de crédito ao consumidor, (iii) concessões reais de crédito às empresas, (iv) inadimplência do consumidor e (v) inadimplência das empresas. Em geral, as variáveis econômicas apresentam ciclos compostos por quatro fases distintas: (1) expansão, (2) reversão, (3) crise e (4) recuperação. Os Indicadores Serasa Experian de Perspectiva mostrarão, justamente, a posição cíclica, para os próximos seis meses, de cada uma destas variáveis.







