Camarões a gosto e à altura do mercado manauara

Em: 29 de maio de 2019
Nos próximos dias os supermercados de Manaus estarão abastecidos com camarões certificados
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Nos próximos dias os supermercados de Manaus estarão abastecidos com camarões certificados

Nos próximos dias os supermercados de Manaus estarão abastecidos com camarões certificados, ou seja, com o SIE (Selo de Inspeção Estadual) concedido pela Adaf (Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas), o que garante que a empresa que comercializará os camarões, no caso a R. A. Comércio e Representação Ltda., está amparada pela legislação de produtos de origem animal, e oferece camarões com a mais alta qualidade. A empresa será o primeiro Entreposto de pescado para beneficiamento de camarão no Amazonas.

“Comecei a vender camarões em Manaus, em 2008 mas, por conta da proibição da venda do produto pela Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde), na época, resolvi parar com essa comercialização e passei a me dedicar à produção de hortaliças incomuns na agricultura do Amazonas”, explicou o catarinense Roosevelt de Andrade, proprietário da R. A. Comércio e Representação Ltda.

Na época, Roosevelt foi destaque na imprensa local exatamente por plantar hortaliças incomuns na nossa agricultura como tomate cereja, ervilha, couve de Bruxelas, jiló, couve-flor, espinafre, berinjela, rabanete e pimentões coloridos, no seu Sítio Riacho Doce, sendo inclusive o pioneiro no cultivo de algumas delas, no Amazonas.

Exatamente por não serem hortaliças da região, Roosevelt encontrou muitas dificuldades para manter sua produção, desde a adubação diferente para o solo até a não aceitação de algumas delas por parte dos consumidores.

“Plantei alface americana, mas pelo fato de ela ser um pouco mais amarga que a alface comum, não teve boa aceitação”, explicou.

De Belém e Fortaleza

Seis anos depois, em 2014, Roosevelt desistiu de continuar com sua horticultura e resolveu investir apenas na compra de hortaliças de outros produtores, principalmente de Iranduba, além de goma e tapioca, e comercializá-las em Manaus.

“Hoje produzo no Riacho Doce apenas pepinos, berinjelas, abóboras goianinha e pimentões coloridos, mas em pequena escala, vendidos nos supermercados de Manaus. Ano passado, depois de dez anos sem comercializar camarões, me veio a vontade de voltar a fazê-lo, até porque agora existe a Adaf, que nos dá total apoio para que coloquemos no mercado um produto com garantia de qualidade”, contou.

Em sua empresa, no Parque das Laranjeiras, Roosevelt criou toda a infraestrutura para receber os camarões.

“Atualmente eu os compro de duas capitais: Belém e Fortaleza. Eles chegam a Manaus por via aérea, em caixas, secos e salgados. Aqui existem dois tipos de câmaras frigoríficas para recebê-los, uma para antes e outra para depois do seu processamento e embalagem”, falou.

“Dessa primeira câmara eles são levados para aquela sala onde serão lavados e acondicionados em embalagens de 150gr, 300gr, 500gr e 1kg. Depois desse processo são trazidos de volta para a segunda câmara onde aguardarão o despacho para os compradores”, adiantou.

As câmaras frigoríficas da empresa têm capacidade para estocar até dez toneladas/mês de camarão, “mas ainda não sei qual vai ser o meu potencial de vendas. Como o nosso produto é novíssimo no mercado, ainda está sendo apresentado para as grandes redes de supermercados de Manaus, e todas estão mostrando interesse em adquiri-lo, afinal de contas, com o SIE, essas empresas têm a garantia de que estarão comercializando um item de qualidade, dentro da legislação de produtos de origem animal”, falou.

Um setor em crescimento

Os camarões vendidos pela R. A. são de três tipos: o de Tutoia, o Rosa e o filé. O de Tutoia recebe esse nome porque é produzido nessa cidade maranhense homônima com uma técnica diferente da do resto do Brasil, sendo salgado e umedecido, depois torrado no fogo à lenha e, por último, seco no sol; o camarão Rosa é o mais apreciado e consumido no país por ter o sabor levemente adocicado, diferente do Cinza. Pode chegar a 18cm de comprimento e possui muita carne. Apesar de o consumidor desprezar a casca, a cabeça e a cauda desse camarão, elas são ricas em Ômega 3, gordura excelente para a saúde. Já o filé de camarão, ele é totalmente descascado, sem as vísceras, pronto para ser usado em risotos, estrogonofe, molhos, entre outros pratos.

Em 2018, o segmento da carcinicultura (produção de camarões) registrou um crescimento de aproximadamente 18%, com a produção de 77 mil toneladas de camarão marinho cultivado, conforme estimativas da ABCC (Associação Brasileira dos Produtores de Camarão). Segundo a entidade, esse montante gerou uma receita total de R$ 3 bilhões para a indústria nacional. Agora, o setor busca ampliar sua produção com foco no mercado externo, visando estar entre os grandes players globais em um futuro próximo.

Em Manaus, os interessados em revender camarões com o SIE podem entrar em contato com a R. A. Comércio e Representação Ltda. pelo 9 9270-3536.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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