Até ontem, pelo menos 21 Estados registravam o bloqueio de estradas federais, segundo as estatísticas oficiais. Até policiais rodoviários federais estariam engrossando o movimento, segundo relatos de setores da mídia nacional.
Caminhoneiros mantêm o movimento em protesto à vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para os manifestantes, a vitória de Lula foi conquistada a partir da censura de meios de comunicação e uma participação ativa do judiciário em favor do opositor.
No Amazonas, a PRF (Policia Federal Rodoviária) negocia o desbloqueio da BR-174 (Manaus/Boa Vista), mas alguns manifestantes se recusam a liberar o trânsito na estrada,
Seguindo determinações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a PRF, Polícia Militar, Polícia Civil e outros órgãos de segurança trabalham em conjunto para superar a crise, permitindo que o tráfego seja liberado normalmente.
Na Transamazônica, a situação também não é diferente. Não só por causa dos atos, mas também pelas condições precárias da estrada, tomada por buracos e crateras. Duas pontes caíram, tornando praticamente impossível a passagem de carros, caminhões e outros veículos.
“Os atos não tiveram tanta repercussão por aqui. Vimos somente uns 20 manifestantes fazendo alarde, seguindo as manifestações que acontecem em todo o País”, disse André Marsílio, presidente da Associação dos Amigos e Defensores da BR-319. “Até agora, não sabemos quando os trechos serão recuperados”, acrescentou ele.
Desde os dois acidentes que afetaram o tráfego na rodovia que liga o Amazonas e mais três Estados da Amazônia Ocidental (Roraima, Acre e Rondônia) ao resto do País, pelo menos 100 famílias sofrem os impactos do desabastecimento de produtos essenciais, entre gêneros alimentícios, remédios, combustíveis, principalmente.
Em Manaus, a rede de postos Atem informou, ontem, que já elabora um plano B para não deixar faltar gasolina e álcool combustíveis em Lábrea e Humaitá, municípios cortados pela Transamazônica.
“Estamos ilhados nessa imensidão, sem que a ajuda chegue imediatamente. O Dnit até agora não deu praticamente nenhuma esperança. A gente não tem culpa pelas más condições das duas pontes que caíram. E essas manifestações só fazem piorar mais a situação”, lamentou o microempresário Fernandes Brito, que comercializa produtos agropecuários entre Humaitá e Lábrea.
Segundo moradores da região, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) foi avisado antecipadamente sobre a situação precária das pontes, mas negligenciou o alerta.
O primeiro acidente deixou mortos, feridos e desaparecidos. Não demorou muito e caiu a segunda ponte por causa da infraestrutura praticamente corroída pelo tempo e por falta de manutenção.
Pronunciamento
Depois de 45 horas sem se pronunciar sobre o resultado das eleições, o presidente Jair Bolsonaro decidiu quebrar, ontem, o silêncio no Palácio da Alvorada, em Brasília. Ele criticou as manifestações e acrescentou que não se deve cercear o direito de ir e vir da população, em uma clara referência aos milhares de caminhoneiros que bloqueiam estradas federais em protesto contra a sua derrota nas eleições presidenciais.
Bolsonaro apareceu, num púlpito previamente preparado, acompanhado por diversos ministros do seu governo e aliados políticos. Foram pouco mais de dois minutos de uma declaração lida, em que o presidente agradeceu pela votação recebida, sem citar o presidente eleito. Ele também comentou sobre as manifestações de apoiadores que estão bloqueando rodovias em diversos Estados do País.
Os bloqueios têm causado uma série de prejuízos, como transporte de oxigênio hospitalar e desabastecimento de aeroportos. “Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição do patrimônio e direito de ir e vir”, afirmou.
Com 100% das urnas apuradas pelo TSE, Lula obteve 60,3 milhões de votos, o que corresponde a 50,90% dos votos válidos. Já o presidente Jair Bolsonaro ficou com 49,10% dos votos, somando 58,2 milhões de sufrágios.
O presidente Jair Bolsonaro também afirmou que vai cumprir a Constituição Federal e mencionou sua condição de líder de milhões de brasileiros. “Enquanto presidente da República e cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição. É uma honra ser o líder de milhões de brasileiros que, como eu, defendem a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde e amarela da nossa bandeira”, disse.
Por MARCELO PERES
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